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UM OUTRO OLHAR
Um Fórum mais forte

jorge silva *
1. A reunião do secretariado permanente do Fórum de Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa que decorreu esta semana em Macau foi inconclusiva. O único ponto de consenso é uma banalidade mil vezes repetida e que se traduz na importância do Território como plataforma ou base de cooperação.
O Fórum está, portanto, em crise e é oficial. Num artigo ontem publicado no jornal Ponto Final, Jorge Morbey coloca o dedo na ferida e fala dos pecados originais que ditaram ou estão a ditar a morte do Fórum tal como o conhecemos. São vários os sintomas da doença e os paliativos não conseguem debelá-la como muito bem explica Morbey.
O Fórum esteve sem liderança até há bem pouco tempo porque, estranhamente, o governo central não avançava com o nome do número um da estrutura, algo insólito porque Pequim criou a estrutura, deu um grande impulso inicial mas, depois, a máquina como que emperrou.
Culpa, também, de outros países de Língua Portuguesa por não apresentarem dinâmicas negociais suficientemente decisivas para o salto que um organismo desta natureza precisa dar, pelo menos, na segunda fase. Culpa, em particular, de Portugal que dá a ideia de nunca ter percebido muito bem para que serve este Fórum...
E, como às vezes os últimos são os primeiros, culpa igualmente de Macau, demasiado expectante e sempre a olhar para cima, para Pequim, não tomando a iniciativa ao esquecer de apresentar propostas inovadoras. Aliás, o funcionamento em Macau do Fórum deixa muito a desejar porque, como sublinha Jorge Morbey no seu excelente artigo,não pode ser uma repartição pública sobretudo quando estamos perante um conjunto de países e continentes com fusos horários diferentes...
Mais ainda- o Fórum, a partir de Macau, devia incluir especialistas das realidades das nações ou territórios que o integram para fornecer na hora a informação precisa e necessária. A diminuição do valor das trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa não é apenas um reflexo da crise financeira ou económica mundial, como já se disse, porque acaba por ser uma consequeência do arrefecimento nas relações políticas e económicas de quem faz parte do Fórum.
Um outro Fórum, precisa-se, para que seja possível concretizar um projecto com grandes intenções e que, pelo caminho, se foi perdendo.
2. A Galeria de Michael Jackson ou sobre o Rei da Pop no Hotel Ponte 16 é um dos exemplos, infelizmente poucos, de como a RAEM poderia e deveria diversificar a sua oferta de entretenimento. Antes da liberalização dos casinos, a STDM apostava apenas no jogo forte e duro.
Os norte-americanos e os australianos alargaram, e muito bem, a oferta, criando zonas de escape ao jogo e que se traduziram em bares de qualidade ou espectáculos com grandes nomes da música pop ou aqui da Ásia. Sendo tudo isto iniciativas privadas, convinha também que o governo fizesse o trabalho de casa dando incentivos para que o Território se transforme num pólo de atracção no mundo do entretenimento, já que o é no sector do jogo.
A aposta em Michael Jackson é um jogada de mestre. A música pop e tudo o que a rodeia é uma deliciosa tolice que dura três minutos, justamente o tempo desses temas que nós adorámos ou nos marcaram. Boy meets girl e por aí fora...
E se a pop tem os seus ídolos instantâneos ou com pés de barro que desaparecem ao fim desses três minutos, há monstros que perduram para além da morte. Mesmo que sejam figuras problemáticas como Jackson.
Quem diria, então, que teríamos em Macau parte do seu legado e talento!
3. O reordenamento do Porto Interior volta a ser falado depois da oportunidade perdida no tempo dos portugueses e, depois durante a vigência da RAEM. Ou por resistência de moradores e proprietários ou por falta de vontade política, uma das zonas mais pitorescas da cidade continua por ali, em adiantado estado de degradação ou desleixo.
Quem visita Singapura, fica impressionado com a forma como os edifícios antigos não só estão recuperados como têm vida, com gente lá dentro, com serviços, restaurantes, lojas, hotéis ou mesmo clubes e galerias. No nosso caso, a boa recuperação na Almeida Ribeiro não foi seguida com a introdução de vida ou movimento nesses blocos carregados de história o que daria outra cor à cidade.
O que aconteceu na área de São Lázaro não teve seguimento ou reflexos em outros bairros. Talvez agora, com a Casa do Mandarim, este triste estado de coisas possa começar a ser alterado...
4. Roldão Lopes parte e deixa décadas de entrega, dedicação e competência nos Correios de Macau.Foi um dos poucos directores de serviço portugueses que atravessaram a transição.
A presença de Portugal por estas paragens também passou e passa por esses homens.
* Jornalista
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