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D. DOMINGOS LAM FALECEU ONTEM AOS 81 ANOS DE IDADE
Igreja Católica de Macau perdeu figura de “referência”
O Bispo Emérito de Macau, D. Domingos Lam, faleceu ontem aos 81 anos de idade. Para o padre Albino Pais, a Igreja Católica local perdeu uma figura de “referência” que teve um papel fulcral na organização da Diocese
D. Domingos Lam faleceu ao início da tarde no Hospital Kiang Wu, vítima de doença prolongada, estando o seu funeral previsto para a próxima sexta-feira, soube o JTM.
Natural de Hong Kong, onde nasceu a 09 de Abril de 1928, D. Domingos Lam chegou a Macau em 1931 e foi ordenado padre católico a 27 de Dezembro de 1953.
Em Setembro de 1987 foi ordenado bispo-coadjutor e um ano depois, a 06 de Outubro, com 51 anos, substituiu D. Arquimínio da Costa como bispo da diocese local, tornando-se no primeiro líder de etnia chinesa da Diocese de Macau.
Por si só, esse facto é suficiente para que o padre Albino Pais considere D.Domingos Lam como uma “figura de referência” da Igreja Católica no território. No entanto, na perspectiva do director do semanário “Clarim”, as virtudes do Bispo de Emérito de Macau são bem mais vastas, tanto no que se refere ao trabalho que desenvolveu no seio da Diocese como na sua relação com a comunidade.
“Teve um papel muito importante na organização da Diocese”, frisou ao JTM o padre Albino Pais, salientando ainda a “personalidade muito forte e vincada” de D. Domingos Lam, o facto de ser uma pessoa “muito acessível” e “acolhedora”, bem como os laços de amizade que mantinha com a comunidade portuguesa. “Tinha muito gosto em visitar Portugal e sentia-se bem quando se falava do país”, recordou.
Os serviços prestados por D.Domingos Lam também não passaram despercebidos em Portugal, cujo reconhecimento foi traduzido em várias condecorações pelo Presidente da República: Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique em 1990, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 1996, e a Grande-Oficial da Ordem de Cristo, em Janeiro de 2000.
As últimas condecorações recebidas foram, no entanto, já atribuídas pelo líder do Governo do território que, no terceiro aniversário RAEM, em Dezembro de 2002, lhe atribuiu a segunda mais importante condecoração da cidade: a Medalha do Lótus de Ouro que reconhece a “prestação de serviços excepcionais para a imagem e bom nome” da cidade, e o título honorífico de “Prestígio”.
A 30 de Junho de 2003, então com 75 anos, D. Domingos Lam abandonou as funções de bispo cedendo o seu lugar a D. José Lai, que ainda se mantém em funções.
Fluente nas duas línguas oficiais de Macau - o português e o chinês - D. Domingos Lam ficou conhecido pela reforma financeira que efectuou na Diocese, vendendo diverso património imobiliário no que foi entendido como uma posição de cautela face ao período de transição que então se vivia.
Numa das suas últimas aparições públicas, em Dezembro de 2007, quando a comunidade católica assinalou na Sé Catedral os 54 anos da sua ordenação como padre, D. Domingos Lam afirmou que a Igreja local está “cada dia mais florescente” e garantiu que a falta de padres é um problema que afecta todo o mundo.
D. Domingos Lam recebeu no início de Dezembro de 1999 uma carta de João Paulo II em que o então Papa sublinhava que naquele momento histórico a Igreja local era “chamada a continuar o seu empenho de serviço espiritual, cultural e social”.
Na missiva, o Papa dizia também que a Igreja do território deveria ser “fiel ao significado do nome que adorna a cidade: ‘Macau, Cidade do Nome de Deus’”.
“Mantenha a sua plena comunhão com a Igreja universal e, como no passado, tenha sempre a peito a comunhão com a Igreja de toda a China, à qual desde agora passa a estar ligada por um especial vínculo civil”, acrescentou João Paulo II.
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