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SUBSECRETÁRIO-GERAL DA ONU INICIA CONTACTOS EXPLORATÓRIOS
Nações Unidas querem apoio de Macau
para formação de quadros africanos
A ONU pretende aproveitar a experiência de
Macau na gestão e desenvolvimento
de áreas urbanas para promover novas acções de formação
viradas para os países
africanos, revelou Carlos Lopes, subsecretário-geral da organização,
ao JTM
SÉRGIO TERRA
Carlos
Lopes, que também exerce os cargos de director-geral do Instituto das
Nações Unidas para a Formação e Pesquisa (UNITAR),
sediado em Genebra, e director do UN Staff College - Escola de
Quadros Superiores da Organização das Nações Unidas
(ONU) em Turim - adiantou ao JTM que vai iniciar contactos informais
e exploratórios para ver se há interesse de Macau em se associar
a uma instituição da ONU com o objectivo de fazer formação
de curta duração para países africanos.
Com as principais áreas de formação centradas no meio ambiente
e poder municipal, uma vertente que inclui serviços básicos como
a água e a sanidade, a concretização da ideia implica,
por um lado, o patrocínio do Governo da RAEM e, por outro, a adesão
de instituições de ensino locais, como a Universidade de Macau
ou o Instituto Politécnico. Dessa forma ficaria também aberto
caminho para o estabelecimento em Macau de um centro do UNITAR, instituição
que tem feito uma aposta forte na área do e-learning no
âmbito de iniciativas similares.
Embora o universo lusófono assuma particular importância, desde
logo pelas estreitas ligações históricas e culturais, o
projecto também perspectiva o apoio à formação noutros
países do continente asiático. Macau pode perfeitamente
partilhar a sua experiência de desenvolvimento de infra-estruturas e gestão,
em situações urbanas de rápido crescimento demográfico
e económico, sustentou Carlos Lopes, guineense de ascendência
cabo-verdiana com vasta e rica experiência na ONU (ver caixa).
O mesmo responsável sublinhou ainda a vantagem de ser uma cooperação
cidade a cidade ou região a região, mais directa, que é
difícil de montar se não houver uma intermediário como
a ONU.
Numa fase inicial, a abordagem visa sobretudo membros da Assembleia Legislativa
e responsáveis da Universidade de Macau, mas o subsecretário-geral
da ONU pretende elevar rapidamente a fasquia ao nível governamental,
caso os contactos agora em curso venham a revelar-se promissores. Se Macau der
sinais de interesse relativamente a um projecto dessa natureza, Carlos Lopes
deverá efectuar uma visita formal ao território já no próximo
mês de Junho para debater o assunto com mais profundidade, aproveitando
o facto de se deslocar a Pequim em missão de serviço.
Criado em 1965, o UNITAR é um dos mais antigos órgãos da
ONU e tem procurado dar resposta às necessidades dos países membros
da organização na formação e pesquisa ligadas a
áreas como o meio ambiente, paz, segurança e diplomacia, e governação.
As acções de formação, que envolvem uma cooperação
estreita entre o UNITAR e instituições de ensino, têm como
destinatários funcionários da ONU ou de governos que participam
em actividades das Nações Unidas.
Os recursos financeiros do UNITAR provêm de contribuições
voluntárias de governos, organizações inter-governamentais
e não-governamentais, fundações e outras fontes.
Na Ásia, o UNITAR possui um escritório permanente em Hiroshima
mas, segundo Carlos Lopes, também tem presença em
Kuala Lumpur e Xangai.
Mais de 20 anos ao serviço da ONU
Carlos Lopes desempenha funções na ONU há mais de duas
décadas, tendo sido, inclusive, conselheiro político de Kofi Annan
na recta final do mandato do anterior secretário-geral da organização.
Desde Março de 2007, passou a acumular o cargo de subsecretário-geral
da ONU com o de director-executivo do UNITAR, mas a sua actividade profissional
não se tem limitado aos corredores de Genebra. Natural de Canchungo,
noroeste da Guiné-Bissau, Carlos Lopes estudou no Instituto de Estudos
do Desenvolvimento em Genebra, doutorou-se em História na Universidade
de Paris I e começou a trabalhar no Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 1998. Ao longo da sua carreira, foi
coordenador do PNUD no Brasil e consultor de várias organizações,
como a UNESCO, a Comissão Económica da ONU para África
e a Agência Sueca para o Desenvolvimento Internacional. Além disso,
é autor e coordenador de cerca de 20 livros e leccionou em várias
universidades, incluindo Lisboa, Coimbra, México, Zurique, São
Paulo e Rio de Janeiro.
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