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  N°3103 (Nova Série), Segunda-Feira, 23 de MarÂo de 2009
SUBSECRETÁRIO-GERAL DA ONU INICIA CONTACTOS EXPLORATÓRIOS
Nações Unidas querem apoio de Macau
para formação de quadros africanos

A ONU pretende aproveitar a “experiência” de Macau na gestão e desenvolvimento
de áreas urbanas para promover novas acções de formação viradas para os países
africanos, revelou Carlos Lopes, subsecretário-geral da organização, ao JTM

SÉRGIO TERRA

Carlos Lopes, que também exerce os cargos de director-geral do Instituto das Nações Unidas para a Formação e Pesquisa (UNITAR), sediado em Genebra, e director do “UN Staff College” - Escola de Quadros Superiores da Organização das Nações Unidas (ONU) em Turim - adiantou ao JTM que vai iniciar “contactos informais e exploratórios para ver se há interesse de Macau em se associar a uma instituição da ONU com o objectivo de fazer formação de curta duração para países africanos”.
Com as principais áreas de formação centradas no meio ambiente e poder municipal, uma vertente que inclui serviços básicos como a água e a sanidade, a concretização da ideia implica, por um lado, o patrocínio do Governo da RAEM e, por outro, a adesão de instituições de ensino locais, como a Universidade de Macau ou o Instituto Politécnico. Dessa forma ficaria também aberto caminho para o estabelecimento em Macau de um centro do UNITAR, instituição que tem feito uma aposta forte na área do “e-learning” no âmbito de iniciativas similares.
Embora o universo lusófono assuma particular importância, desde logo pelas estreitas ligações históricas e culturais, o projecto também perspectiva o apoio à formação noutros países do continente asiático. “Macau pode perfeitamente partilhar a sua experiência de desenvolvimento de infra-estruturas e gestão, em situações urbanas de rápido crescimento demográfico e económico”, sustentou Carlos Lopes, guineense de ascendência cabo-verdiana com vasta e rica experiência na ONU (ver caixa).
O mesmo responsável sublinhou ainda “a vantagem de ser uma cooperação cidade a cidade ou região a região, mais directa, que é difícil de montar se não houver uma intermediário como a ONU”.
Numa fase inicial, a abordagem visa sobretudo membros da Assembleia Legislativa e responsáveis da Universidade de Macau, mas o subsecretário-geral da ONU pretende elevar rapidamente a fasquia ao nível governamental, caso os contactos agora em curso venham a revelar-se promissores. Se Macau der sinais de interesse relativamente a um projecto dessa natureza, Carlos Lopes deverá efectuar uma visita formal ao território já no próximo mês de Junho para debater o assunto com mais profundidade, aproveitando o facto de se deslocar a Pequim em missão de serviço.
Criado em 1965, o UNITAR é um dos mais antigos órgãos da ONU e tem procurado dar resposta às necessidades dos países membros da organização na formação e pesquisa ligadas a áreas como o meio ambiente, paz, segurança e diplomacia, e governação. As acções de formação, que envolvem uma cooperação estreita entre o UNITAR e instituições de ensino, têm como destinatários funcionários da ONU ou de governos que participam em actividades das Nações Unidas.
Os recursos financeiros do UNITAR provêm de contribuições voluntárias de governos, organizações inter-governamentais e não-governamentais, fundações e outras fontes.
Na Ásia, o UNITAR possui um escritório permanente em Hiroshima mas, segundo Carlos Lopes, também tem “presença” em Kuala Lumpur e Xangai.

Mais de 20 anos ao serviço da ONU

Carlos Lopes desempenha funções na ONU há mais de duas décadas, tendo sido, inclusive, conselheiro político de Kofi Annan na recta final do mandato do anterior secretário-geral da organização. Desde Março de 2007, passou a acumular o cargo de subsecretário-geral da ONU com o de director-executivo do UNITAR, mas a sua actividade profissional não se tem limitado aos corredores de Genebra. Natural de Canchungo, noroeste da Guiné-Bissau, Carlos Lopes estudou no Instituto de Estudos do Desenvolvimento em Genebra, doutorou-se em História na Universidade de Paris I e começou a trabalhar no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 1998. Ao longo da sua carreira, foi coordenador do PNUD no Brasil e consultor de várias organizações, como a UNESCO, a Comissão Económica da ONU para África e a Agência Sueca para o Desenvolvimento Internacional. Além disso, é autor e coordenador de cerca de 20 livros e leccionou em várias universidades, incluindo Lisboa, Coimbra, México, Zurique, São Paulo e Rio de Janeiro.

 


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