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  N°3081 (Nova Série), Domingo, 1 de MarÂo de 2009
MARIA AMÉLIA ANTÓNIO EM ENTREVISTA À RÁDIO MACAU
“Posição passiva do Estado Português face a Macau
vai de abdicação a abdicação”

A presidente da Casa de Portugal aponta o dedo ao Governo Português pela falta de cumprimento
das promessas que faz à comunidade nascida e residente no território. Para Maria Amélia António está na altura
de se repensar as instituições lusas em Macau, nomeadamente o IPOR e a Fundação Escola Portuguesa

A presidente da Casa de Portugal em Macau não se contenta com os argumentos apresentados para a venda do espaço da Livraria Portuguesa e, embora considere “difícil” evitar a transacção, mantém-se confiante e defende que “há que lutar até ao último minuto”. Em entrevista à Rádio Macau, Maria Amélia António referiu que o que lhe causou “maior perturbação” foi o facto do negócio ter surgido cerca de duas semanas depois da visita do ministro luso dos Negócios Estrangeiros a Macau, “em total contradição com as afirmações que tinha feito”. Luís Amado defendeu que “passados dez anos da transição era altura para se reavaliar a presença portuguesa no território e até chegou a dizer que já tinha em mente a pessoa ideal para conduzir o processo”, destacou a presidente da Casa de Portugal. Até agora, “nada se sabe, nada se viu, nada se sentiu”.
A presidente da Casa de Portugal considera que “Macau não diz nada aos políticos portugueses, que quando vêm cá passam sempre a correr e com muito pouco interesse e acabam sempre, tirando raríssimas excepções, por passar para a opinião pública a ideia de que acabou por ser mais um frete”. “Acho que é muito grave que, no momento em que muitos países tentam colocar-se em Macau, com investimentos financeiros, comerciais, mas também através de influência cultural, que o Estado Português não perceba isto e que tenha uma posição tão passiva por Macau que vai de abdicação em abdicação”, sustentou Amélia António.
FUNDAÇÃO ORIENTE. À Rádio Macau, Amélia António explicou que tem evitado falar do papel da Fundação Oriente na opção de venda da livraria, por ser sócio minoritário do IPOR — Instituto Português do Oriente. “A fundação terá certamente um papel importante nas decisões e perspectivas de gestão do instituto, mas a última palavra deveria pertencer ao Estado Português”, referiu. A responsável disse não querer aceitar que o “Governo luso não seja capaz de defender os seus pontos de vista perante a Fundação Oriente”. “Se atribuir à fundação toda a responsabilidade da situação estou a passar um atestado de inoperância completa ao Governo de Portugal e não quero afirmar que o Estado do meu país se minimiza perante aquela instituição”, sustentou.
Por outro lado, os argumentos do Instituto de Camões (também sócio do IPOR) de vender a livraria para ser criado um fundo para o desenvolvimento da língua portuguesa em Macau não convencem Amélia António. “O instituto anunciou milhões para a divulgação do português no mundo e não vejo que seja imprescindível a venda do espaço para esse fim”. Por outro lado, “o próprio IPOR decidiu reduzir a sua actividade exclusivamente dedicada ao ensino da língua na Ásia”, sustentou a responsável.
A presidente da Casa de Portugal sublinhou que “todos sabem dos problemas de dinheiro recentes do IPOR mas, se o instituto funcionou durante tantos anos, há que averiguar o que aconteceu agora”.
A manutenção e exploração da Livraria Portuguesa por aquele instituto nas actuais instalações seria a situação ideal para Maria Amélia António. A responsável acrescentou que “a Casa de Portugal não busca uma actividade comercial” e, por isso, não considera “agarrar” aquele negócio. “Mas se nos for solicitado algum tipo de intervenção que seja útil e necessária para a manutenção da livraria não viramos costas”, frisou.
EPM. Maria Amélia António, destacou ainda, na entrevista à Rádio Macau, que não gostaria de ver a “Escola Portuguesa de Macau dependente ou numa situação em que não se sabe o que vai acontecer amanhã”. A responsável defendeu então que a concessão da instituição deveria ser da própria Fundação EPM e que “está na altura de voltar a ser repensada, eventualmente com novos associados”.
Outro dos assuntos sobre os quais Amélia António falou na entrevista à Rádio Macau foi sobre o próximo Chefe do Executivo. A presidente da Casa de Portugal deu um voto de confiança ao trabalho realizado por Edmund Ho. “Os deuses colocaram no caminho da RAEM a pessoa necessária e que acabou por ser fundamental”. Para novo Chefe do Executivo, Amélia António defende uma “pessoa que goste muito e que conheça bem Macau, que seja aberto ao diálogo com todas as comunidades e que tenha qualidades de líder e de gestão, mas não precisa de ser um especialista em nenhuma área em específico”.
Para a Assembleia Legislativa, a responsável considera como “secundária e muito difícil a criação de uma lista da comunidade portuguesa” e que não se imagina a candidatar-se a qualquer cargo político, pois a sua actividade centra-se no associativismo.

Eleições na Casa de Portugal
devem realizar-se este mês

Os corpos sociais da Casa de Portugal deverão ir a eleições este mês e Amélia António revelou-se disponível para continuar na presidência. A responsável defendeu que a instituição precisa “urgentemente” de um espaço maior que concentre todas as actividades pedagógicas e destacou a revisão aos estatutos que foi levada a cabo em 2008. Neste âmbito foi criada a figura do “amigo da cultura portuguesa”, que paga uma contribuição e tem direito a usufruir dos mesmos serviços dos sócios, e a “casa jovem”, em que os mais novos têm uma quota especial de dez patacas. Actualmente a Casa de Portugal conta com cerca de 900 sócios.


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