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MARIA AMÉLIA ANTÓNIO EM ENTREVISTA À RÁDIO
MACAU
Posição passiva do Estado Português face
a Macau
vai de abdicação a abdicação
A presidente da Casa de Portugal aponta o dedo ao Governo Português
pela falta de cumprimento
das promessas que faz à comunidade nascida e residente no território.
Para Maria Amélia António está na altura
de se repensar as instituições lusas em Macau, nomeadamente o
IPOR e a Fundação Escola Portuguesa
A
presidente da Casa de Portugal em Macau não se contenta com os argumentos
apresentados para a venda do espaço da Livraria Portuguesa e, embora
considere difícil evitar a transacção, mantém-se
confiante e defende que há que lutar até ao último
minuto. Em entrevista à Rádio Macau, Maria Amélia
António referiu que o que lhe causou maior perturbação
foi o facto do negócio ter surgido cerca de duas semanas depois da visita
do ministro luso dos Negócios Estrangeiros a Macau, em total contradição
com as afirmações que tinha feito. Luís Amado defendeu
que passados dez anos da transição era altura para se reavaliar
a presença portuguesa no território e até chegou a dizer
que já tinha em mente a pessoa ideal para conduzir o processo,
destacou a presidente da Casa de Portugal. Até agora, nada se
sabe, nada se viu, nada se sentiu.
A presidente da Casa de Portugal considera que Macau não diz nada
aos políticos portugueses, que quando vêm cá passam sempre
a correr e com muito pouco interesse e acabam sempre, tirando raríssimas
excepções, por passar para a opinião pública a ideia
de que acabou por ser mais um frete. Acho que é muito grave
que, no momento em que muitos países tentam colocar-se em Macau, com
investimentos financeiros, comerciais, mas também através de influência
cultural, que o Estado Português não perceba isto e que tenha uma
posição tão passiva por Macau que vai de abdicação
em abdicação, sustentou Amélia António.
FUNDAÇÃO ORIENTE. À Rádio Macau,
Amélia António explicou que tem evitado falar do papel da Fundação
Oriente na opção de venda da livraria, por ser sócio minoritário
do IPOR Instituto Português do Oriente. A fundação
terá certamente um papel importante nas decisões e perspectivas
de gestão do instituto, mas a última palavra deveria pertencer
ao Estado Português, referiu. A responsável disse não
querer aceitar que o Governo luso não seja capaz de defender os
seus pontos de vista perante a Fundação Oriente. Se
atribuir à fundação toda a responsabilidade da situação
estou a passar um atestado de inoperância completa ao Governo de Portugal
e não quero afirmar que o Estado do meu país se minimiza perante
aquela instituição, sustentou.
Por outro lado, os argumentos do Instituto de Camões (também sócio
do IPOR) de vender a livraria para ser criado um fundo para o desenvolvimento
da língua portuguesa em Macau não convencem Amélia António.
O instituto anunciou milhões para a divulgação do
português no mundo e não vejo que seja imprescindível a
venda do espaço para esse fim. Por outro lado, o próprio
IPOR decidiu reduzir a sua actividade exclusivamente dedicada ao ensino da língua
na Ásia, sustentou a responsável.
A presidente da Casa de Portugal sublinhou que todos sabem dos problemas
de dinheiro recentes do IPOR mas, se o instituto funcionou durante tantos anos,
há que averiguar o que aconteceu agora.
A manutenção e exploração da Livraria Portuguesa
por aquele instituto nas actuais instalações seria a situação
ideal para Maria Amélia António. A responsável acrescentou
que a Casa de Portugal não busca uma actividade comercial
e, por isso, não considera agarrar aquele negócio.
Mas se nos for solicitado algum tipo de intervenção que
seja útil e necessária para a manutenção da livraria
não viramos costas, frisou.
EPM. Maria Amélia António, destacou ainda, na
entrevista à Rádio Macau, que não gostaria de ver a Escola
Portuguesa de Macau dependente ou numa situação em que não
se sabe o que vai acontecer amanhã. A responsável defendeu
então que a concessão da instituição deveria ser
da própria Fundação EPM e que está na altura
de voltar a ser repensada, eventualmente com novos associados.
Outro dos assuntos sobre os quais Amélia António falou na entrevista
à Rádio Macau foi sobre o próximo Chefe do Executivo. A
presidente da Casa de Portugal deu um voto de confiança ao trabalho realizado
por Edmund Ho. Os deuses colocaram no caminho da RAEM a pessoa necessária
e que acabou por ser fundamental. Para novo Chefe do Executivo, Amélia
António defende uma pessoa que goste muito e que conheça
bem Macau, que seja aberto ao diálogo com todas as comunidades e que
tenha qualidades de líder e de gestão, mas não precisa
de ser um especialista em nenhuma área em específico.
Para a Assembleia Legislativa, a responsável considera como secundária
e muito difícil a criação de uma lista da comunidade portuguesa
e que não se imagina a candidatar-se a qualquer cargo político,
pois a sua actividade centra-se no associativismo.
Eleições na Casa de Portugal
devem realizar-se este mês
Os corpos sociais da Casa de Portugal deverão ir a eleições
este mês e Amélia António revelou-se disponível para
continuar na presidência. A responsável defendeu que a instituição
precisa urgentemente de um espaço maior que concentre todas
as actividades pedagógicas e destacou a revisão aos estatutos
que foi levada a cabo em 2008. Neste âmbito foi criada a figura do amigo
da cultura portuguesa, que paga uma contribuição e tem
direito a usufruir dos mesmos serviços dos sócios, e a casa
jovem, em que os mais novos têm uma quota especial de dez patacas.
Actualmente a Casa de Portugal conta com cerca de 900 sócios.
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