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apontamento
A tragédia como critério
FERREIRA FERNANDES
Conhecem-se
os critérios (educação, saúde...) que permitem chegar
ao índice de desenvolvimento de um país. Os últimos dias
revelaram-nos um critério até agora ignorado. Por ele se podem
classificar os países - na verdade, os regimes que os governam - como
abaixo de cão, ou não.
O critério é este: há países que se deixam ajudar
nas tragédias e os que não. A Birmânia é varrida
por um tufão, tem milhares de mortes e mantém-se orgulhosamente
só: Não, não precisamos de ajuda, dizem os
generais. E, de facto, não precisam da ajuda internacional para nada:
os seus soldados são suficientes para lhes limpar a lama da entrada das
vivendas.
A boa notícia é que a China - durante muito tempo adepta de que
mais valia perder a vida de um pobre chinês do que a honra de um chefe
chinês -, a China, mudou. Tiveram um terramoto em casa e aceitaram grupos
de salvamento japoneses e da ilha Formosa. Bem-vinda ao concerto das nações
que, quando precisam, dizem.
JTM/Diário de Notícias
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