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  N°2806 (Nova Série), Domingo, 18 de Maio de 2008
NA MINHA ÓPTICA
Orgulho e revolta

José rocha dinis

jrdinis@yahoo.com

A população de Macau pode orgulhar-se da resposta positiva que tem dado no apoio às vítimas do fatídico terramoto na Província de Sichuan.
Perante o horror da tragédia que afectou o Povo Chinês, todos os sectores da vida local apressaram a responder positivamente, no que deve também incluir-se a comunidade portuguesa aqui nascida e radicada.
Sabe-se que, por mais donativos pessoais ou de grupos que cheguem à zona afectada, sempre será uma “gota de água no oceano”. Para além da imensa dor, que não é quantificável, mas irá pairar por muitos anos na mente dos que viveram (e ainda estão a viver) estes terríveis momentos, a destruição de bens públicos e privados é de uma dimensão nunca vista, obrigando muitas cidades e vilas a uma reconstrução quase a partir do zero.
Como se este cenário dantesco não fosse o bastante, a terra continua a tremer atrasando as operações de socorro e fazendo ruir ainda mais alguns edifícios cujas estruturas tinham sido danificadas pelo sismo inicial. É ainda mais sombrio o futuro.
Pior ainda é que algumas pessoas, andem aqui pela RAEM, a tentar aproveitar a desgraça alheia para receber verbas sobre o pretexto de que estão a recolher donativos para as vítimas do terramoto na China.
No “Ou Mun”, um leitor chamou a atenção para este perigo, e ontem vi umas pessoas que pela forma de vestir me pareceram não ser de Macau, mas sim do Continente, a tentarem, no centro da cidade, receber dinheiro de transeuntes.
Não pertenciam a nenhuma associação e não estavam identificadas. Limitavam-se a trazer na mão uma caixa de cartão (artesanal) com uma ranhura para colocar o dinheiro.
Eram selectivos na abordagem das pessoas. Não “atacavam” ocidentais, nem pessoas que não fossem claramente turistas do Continente. Mudavam frequentemente de um lado para o outro da rua, sem razão aparente, o que me fez desconfiar muito.
Os primeiros polícias que encontrei, estavam com as “mãos cheias” (tinham encostado três indivíduos à parede do IACM, ao que tudo indica à espera de transporte para interrogatório) pelo que não dei conta das minhas suspeitas.
Evidentemente que se há gente a aproveitar-se da tragédia vivida em Sichuan, é “caso de polícia”. Mas é também responsabilidade de todos nós, alertando as autoridades à mínima suspeita.
É revoltante que haja gente sem escrúpulos a aproveitar-se da desgraça dos seus irmãos”, no verdadeiro sentido da palavra, mas não sejamos ingénuos que eles andam (e vão continuar a andar por aí).
Como anteriormente, sugiro que os interessados em contribuírem, entreguem os seus donativos no Gabinete de Ligação do Governo Central, na Cruz Vermelha, na Caritas ou noutras associações em que estão filiados.
Para os que andam na rua, chamem a polícia.


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