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  N°2503 (Nova Série), Domingo, 1 de Julho de 2007
PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE MACAU PREOCUPADO COM PRESERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO
“Verdadeiro centro histórico está esquecido”

A apresentação de um livro de viagens sobre Macau na livraria “Bloom” serviu de pretexto para um debate sobre a preservação do património histórico do território. No evento, o professor de História da Universidade de Macau, Jorge Cavalheiro, considerou que o “verdadeiro” centro histórico da RAEM está “esquecido”

LAURA BASTOS

O professor de História da Universidade de Macau, Jorge Cavalheiro, considerou que “daqui a dez anos não resta nada da herança patrimonial de Macau”, dado que, actualmente, as zonas mais antigas da cidade estão abandonadas. O mesmo responsável fez a apresentação da obra “Strolling in Macau”, de Steven K. Bailey, o primeiro guia turístico exclusivo do território, apresentado ontem na livraria “Bloom”.

A propósito da descrição do autor sobre as ruas de Macau, Jorge Cavalheiro, salientou que a zona do Porto Interior, conhecida em tempos por ser predominantemente habitada pela comunidade chinesa, está esquecida. “Ninguém lá vive e ninguém quer saber”, afirmou o professor, acrescentando que esta área não é uma referência para os produtos turísticos do território embora “tenha características extraordinárias”. “Podíamos fazer algo invulgar, temos tanto potencial em termos etnográficos que podíamos fazer um museu com vida”, frisou.

Jorge Cavalheiro sublinhou ainda que “o Governo deveria proteger as propriedades da zona antiga”, uma vez que os edifícios históricos que restam estão cheios de “lixos, ratos, baratas e mosquitos”. No entanto, o professor afirmou que a iniciativa para conservar a zona antiga deve partir também do investimento privado, construindo restaurantes e cafés para revitalizar a área.

De acordo com o mesmo responsável, as áreas mais visitadas também estão mal aproveitadas. “O que Macau oferece ao turista é de má qualidade”, frisou Jorge Cavalheiro, tendo como exemplo o percurso das Ruínas de São Paulo à Barra. “É um grande sacrifício caminhar por aquela zona porque não há lá nada”, afirmou.

A discussão sobre a preservação do centro histórico encheu a livraria “Bloom”. Entre crentes e descrentes, o professor explicou ainda que os europeus têm uma perspectiva diferente sobre o significado da conservação do património histórico, dado que têm conhecimento sobre o que foi feito no Velho Continente. Por outro lado, a população de Macau ainda não sabe o valor da sua herança patrimonial e quando se aperceber vai ser tarde demais, advertiu.


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