O Boavista foi a grande sensação do futebol em 2001, ao tornar-se o segundo pequeno a vencer o Nacional, num ano em que a selecção lusa logrou um lugar no Mundial2002 e Luís Figo foi eleito o melhor do Mundo pela FIFA
![]() Boavista fez história em 2001 |
A 18 de Maio de 2001, a formação comandada por Jaime Pacheco venceu no Bessa o Desportivo das Aves por 3-0 e selou o que pareceu, durante muitos anos, impossível: repetir o feito do Belenenses, que tinha roubado o título aos grandes em 1945/46. Com um orçamento de tostões, comparado com os milhões despendidos por FC Porto, Sporting e Benfica, e sem estrelas (Ricardo, Litos, Petit e Sanchez foram as principais figuras), o clube axadrezado, liderado por João Loureiro, mostrou que, com uma boa gestão e estabilidade, é possível fazer milagres.
Os grandes derrotados do ano foram, assim, os três grandes: o FC Porto somou o segundo ano sem ganhar, depois do penta, tendo de contentar-se com a Taça, o Sporting não deu sequência ao ceptro conquistado após 17 épocas a ver os outros triunfar e o Benfica foi sexto, o seu pior lugar de sempre, e já leva sete anos de seca.
![]() Figo finalmente confirmado o melhor do mundo pela FIFA |
O futebol português conheceu um novo campeão e viu, finalmente, a emancipação da sua denominada geração de ouro de futebolistas, que logrou colocar Portugal na fase final de um Mundial, 16 anos depois do México86 e 36 após o brilharete de Inglaterra66. Eleito o melhor do Mundo pela FIFA, um ano depois de ter ganho a Bola de Ouro do France Football, Luís Figo liderou o onze luso, que terminou a fase de qualificação sem derrotas, isto apesar de ter estado num grupo complicado - com República da Irlanda e Holanda -, e Portugal conclui o ano no quarto lugar do ranking da FIFA, o melhor de sempre.
Depois da presença nas meias-finais do Euro2000, espera-se que, em 2002, o onze agora liderado por António Oliveira consiga algo semelhante ao que os magriços fizeram, até porque, além de Figo, a equipa está repleta de grandes jogadores, como Rui Costa, João Pinto, Sérgio Conceição, Fernando Couto, Pauleta ou Nuno Gomes.
Se a geração de ouro tem, numa altura em que está a atingir a maturidade ideal, uma soberana oportunidade de fazer história, outras gerações de sucesso de avizinham: os sub-21 atingiram a fase final do respectivo europeu e os sub-19 estão a caminho.
Parece, assim, que o futebol luso tem o futuro assegurado, até porque esta época vários jogadores jovens saltaram para a ribalta... nos grandes, como Hugo Viana e Ricardo Quaresma (Sporting), Hélder Postiga (FC Porto) e os já conhecidos Simão Sabrosa, Ednilson e Caneira (Benfica), sem esquecer Bosingwa (Boavista). No que se refere ao panorama internacional, merece destaque, pela positiva, o ressuscitar de dois monstros: o Bayern Munique ganhou a Liga dos Campeões - prova que já tinha conquistado em 1973/74, 74/75 e 75/76 - e a Taça Intercontinental, e o Liverpool, que apresentava como último sucesso a Taça dos Campeões de 1983/84, triunfou na Taça UEFA e na Supertaça Europeia.
Pelo contrário, o Brasil, que só tinha somado uma derrota em jogos de qualificação, foi um desastre, ao contabilizar seis desaires na corrida ao Mundial2002 - garantindo in-extremis a manutenção do estatuto de totalista -, tal como a Holanda, a única Spotência do futebol que não conseguiu o apuramento.
Realce ainda para o triunfo da anfitriã Colômbia na Copa América, mais uma vez maltratada pela maioria das selecções - a Argentina não compareceu e muitos outros países apresentaram equipas de segunda -, e para o sucesso da selecção albi-celeste no seu Mundial de sub-20, onde cintilou Javier Saviola, agora jogador do Barça.
Em termos individuais, o francês Zinedine Zidane protagonizou a mais cara transferência de sempre, ao trocar a Juventus pelo Real Madrid por uma verba a rondar os 14 milhões de contos, mais dois do que os merengues tinham pago, um ano antes, ao FC Barcelona para ter Luís Figo... juntos vão perseguir a Liga dos Campeões. Nos principais campeonatos europeus, o Real Madrid, ainda sem Zidane, voltou aos títulos em Espanha, o AS Roma acabou com uma longa seca em Itália, e o Manchester United confirmou o seu domínio em Inglaterra, como o Bayern Munique, no último segundo, na Alemanha.
No próximo ano, todas as atenções vão estar centradas na Coreia do Sul e no Japão, onde, de 31 de Maio a 30 de Junho, se disputa a 17ª edição do Mundial, pela terceira vez com Portugal e também com Carlos Queirós, seleccionador da África do Sul.
Internamente, o campeonato promete grandes emoções, com os três grandes e o Boavista envolvidos na luta pelo título e... só duas coisas já decididas: quem não ganhar culpará as arbitragens e seus dirigentes pelo fracasso e o regressado Mário Jardel, agora de leão ao peito, vai ser o melhor marcador da prova pela quinta vez.