A TV Cabo Macau deixou de ter presença directa de capitais portuguesas. Tudo porque o BNU e a Portugal Telecom, que em conjunto detinham mais de 90 por cento do capital da empresa, decidiram desfazer-se das respectivas participações

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) e a Portugal Telecom (PT) já não são accionistas da TV Cabo Macau. Ambas as empresas venderam as suas participações a um consórcio liderado por um empresário de Macau ligado às telecomunicações e que é proprietário da empresa Kong Seng. Esta é uma das companhias que possui negócio de antenas no território (os denominados “anteneiros”) e que têm sido acusadas pela TV Cabo de lhe impossibilitar atingir lucros.
Segundo disse à Agência Lusa fonte ligada ao processo, o BNU saiu do capital da TV Cabo Macau, vendendo a sua participação de três por cento ao mesmo consórcio que comprou a participação de 87,5 por cento à PT. Este último negócio foi assinado ontem, com a telefónica portuguesa a alienar a totalidade do património que detinha na empresa. Participam ainda no capital da TV Cabo Macau a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, com 7,5 por cento, e a Ng Fok Holdings, com dois por cento.
Os accionistas da empresa vão agora reunir-se em assembleia geral dentro de pouco mais de uma semana, no dia 22 deste mês. Fonte ligada ao processo contactada pela Lusa indicou que a assembleia geral, ainda marcada pela PT, vai eleger os novos corpos gerentes da TV Cabo Macau. A novidade é que agora serão nomeados pelos novos proprietários, um consórcio que integra interesses do sector das telecomunicações de Macau e do continente chinês.
Além da alienação da participação na TV Cabo, a PT vai também vender os 6,67 por cento que detém na empresa Cosmos e os 22,22 por cento que possui na Telesat. Segunda a Lusa, a alienação será assinada dentro de dias, por a parte burocrática não estar ainda concluída.
A PT está ainda a analisar a venda da sua participação maioritária na Directel Macau, a empresa que detém o negócio das listas telefónicas do território. A confirmar-se também esta alienação, a telefónica lusa fica apenas representada na RAEM através da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) onde detém uma quota de 28 por cento. Por várias vezes a PT tentou adquirir uma maior percentagem da empresa, que é detida maioritariamente pela Cable&Wireless.