PELOS  TRIBUNAIS
EXCESSO DE VELOCIDADE NA ORIGEM DO ACIDENTE
Agente da BT no tribunal por quebrar regras de trânsito

O Tribunal Judicial de Base julgou ontem um agente da Brigada de Trânsito da PSP, de apelido Chau, pelo crime de contravenção às regras de trânsito. O polícia provocou um aparatoso acidente, na rotunda junto ao Hotel Lisboa, após uma noite num karaoke

ADALBERTO BARROS

A audiência teve lugar ontem de manhã, no Tribunal Judicial de Base (TJB), e contou com a presença do agente da Brigada de Trânsito da PSP e de algumas testemunhas. No julgamento, o arguido, de apelido Chau, reconheceu que estava a conduzir com excesso de velocidade, mas negou que na origem do acidente tenha estado o consumo excessivo de álcool.

Nas declarações, Chau adiantou que foi para um karaoke depois de ter tido conhecimento que o pai tinha apenas 20 por cento de hipóteses de sobreviver a nova operação, isto depois de ter perdido a mãe “há muito pouco tempo”. O arguido sublinhou ainda que quando percebeu que tinha perdido o controlo da viatura tentou travar, “mas tal não foi possível porque a distância para o outro veículo era curta”.

Questionado se chegou a visitar os ofendidos depois do acidente, Chau disse que “não, porque fiquei acamado durante dois meses”, acrescentando que apenas falou uma vez com o motorista, “porque queria saber se tinha tido lesões graves”. Um amigo do réu, que se encontrava com ele no carro na altura do acidente, contou ao tribunal que tinham estado “juntos no karaoke a consumir álcool”, mas que não sabia dos problemas do amigo.

Lai Chi Chong, motorista do outro veículo, explicou que o choque foi frontal pois aconteceu quando se preparava para estacionar a viatura. “De repente vi um carro descontrolado devido ao excesso de velocidade que acabou por embater no meu veículo”. “Não deu para evitar o choque porque a via era de sentido único”, sustentou, adiantando que foi levado ao hospital “sem consciência, onde permaneci durante uma semana devido aos ferimentos causados”. “Apesar do tempo as dores ainda não passaram”, revelou.

Também Chen Si Man, que se encontrava com Lai Chi Chong no carro, sofreu algumas lesões graves, como o corte na língua e fracturas numa costela e numa perna, além de outras escoriações na face. A testemunha confirmou que “o arguido vinha em excesso de velocidade”. Quanto à gravidade dos ferimentos causados pelo acidente, Chen disse que “as consequências são notáveis, porque não tenho paladar devido ao corte na língua”, acrescentando que perdeu o emprego devido ao tempo que levou a sua recuperação.

A última testemunha a ser ouvida, um agente da BT, responsável pelo croqui e relatório após o acidente, reconheceu que o seu colega conduzia a uma velocidade que violava a ética da condução com prudência, uma vez que as marcas de “travagem encontradas no local eram superiores a 15 metros, o que demonstra que a velocidade era superior ao normal”. Segundo a lei em Macau só são permitidos 0,8 gramas de álcool por cada litro de sangue, mas, de acordo com o TJB, após exames de alcoolemia feitos ao réu foi detectada uma taxa de 1,5 gramas de álcool por litro.