Pereira Coutinho considera “irrazoável” a proposta de aumento apresentada pelas empresas de autocarros, visto que ainda nem são conhecidas as contas relativas a 2006. O deputado afirma ainda que deve existir maior regulamentação para o sector e defende que os autocarros devem funcionar durante toda a noite
A situação corrente dos transportes públicos, com o agravamento do congestionamento do trânsito e o aumento das pessoas que recorrem a este serviço público, é a mais recente matéria de preocupação para o deputado Pereira Coutinho que, em mais uma interpelação à Assembleia Legislativa, pretende saber como o Governo irá lidar com alguns problemas associados à rede de transportes públicos.
Pereira Coutinho chama a atenção à questão da segurança dos idosos, crianças e mulheres grávidas, que “ficam sempre numa posição desfavorável, sendo muitas as vezes em que não conseguem apanhar o autocarro”. Segundo o deputado, isto resulta do facto de “os autocarros estarem sempre sobrelotados” com muitos residentes de Macau, excursionistas e trabalhadores importados que “devido à falta de autodisciplina, estão sempre à luta para ver se conseguem entrar nos autocarros”.
Perante isto, Pereira Coutinho pergunta à Administração se poderá pensar na possibilidade de “instalar barreiras nas paragens de autocarros e de táxi, para melhor delimitar as zonas de espera”.
Outro problema que deve ser adereçado pelo Governo diz respeito à definição das carreiras e tarifas e ao serviço de 24 horas dos autocarros públicos. Para validar estas questões, Pereira Coutinho foca a incapacidade dos autocarros corresponderem às necessidades da população já que, por um lado, se verifica um aumento das tarifas enquanto que “os residentes das camadas sociais mais baixas não vêem os seus salários aumentados”. Por outro lado, assiste-se a uma sobreposição dos “itinerários oferecidos pelas duas concessionárias de transporte público, uma vez que ambas querem que os seus autocarros percorram as vias principais”. O serviço de 24 horas, para o deputado, impõe-se quando se vive uma situação em que “muitos locais de trabalhos estão permanentemente a funcionar”.
Os salários e a situação laboral dos condutores dos autocarros também preocupa o deputado que, na sua interpelação, pergunta se o Governo “já dedicou alguma atenção à questão dos salários e regalias dos motoristas”, bem como a regulamentação da “importação de motoristas”. Coutinho denuncia que os condutores se queixam de “salários insatisfatórios”, “poucas regalias” e “horário longo”, o que leva a uma grande “mobilidade nesta profissão”, permitindo que as duas concessionárias se aproveitem da situação para requererem mão-de-obra não residente.
O deputado pergunta ainda qual a posição do Governo face à proposta apresentada por ambas as companhias que pretendem aumentar as tarifas, um comportamento que considera “irrazoável” visto que as concessionárias “registam lucros”, mas propõem “um aumento das tarifas, mesmo antes da divulgação das suas contas”.