TAXAS DE JURO ESTÁVEIS E INDÚSTRIA DO TURISMO BENEFICIARAM SECTOR
Crescimento do mercado imobiliário permaneceu estável

O mercado imobiliário da RAEM deu sinais de manter um crescimento estável durante o terceiro trimestre de 2006. Taxas de juro menos variáveis e um forte sector turístico contribuíram para os resultados obtidos, segundo uma consultora internacional

Ao longo do terceiro trimestre do ano passado o crescimento do mercado imobiliário da RAEM permaneceu estável impulsionado pela indústria do turismo e por taxas de juro mais fixas. Os valores capitais e rendas, tanto no sector retalhista como no mercado residencial, foram as áreas que mais contribuíram para esta tendência, segundo um relatório da “Jones Lang LaSalle” para a “Asia Pacific Property Digest”.

O mercado retalhista sofreu uma forte procura tanto ao nível interno e externo. O produto interno bruto de Macau cresceu 17,7 por cento na primeira metade de 2006, enquanto que o número de visitas aumentou 14,8 por cento para as 14,1 milhões entradas no território nos primeiros oito meses do mesmo ano, o que se traduziu num aumento do consumo. Os totais de vendas das lojas e consumo privado aumentaram 18 e 6,7 por cento, respectivamente, só na primeira metade do ano passado.

Apesar de os retalhistas locais se terem afastado das localizações privilegiadas de comércio para zonas mais baratas de modo a reduzir custos, grandes cadeias internacionais preencheram os lugares vagos nesses lotes. De acordo com o relatório, os retalhistas estão de uma forma geral optimistas sobre o mercado imobiliário de Macau a longo prazo, mesmo que alguns mantenham uma posição cautelosa na altura de fazer expansões num sector que para já ainda permanece imaturo.

Os investimentos foram poucos devido à falta de disponibilidade de lojas em ruas principais de comércio. Grande parte das transacções envolveu instalações em localizações secundárias.

Do lado dos fornecedores, com a abertura do Wynn Macau em Setembro de 2006, a área comercial do hotel-casino tornou-se na maior concentração de lojas do território com grandes marcas de luxo, oferecendo um total de cerca de 2,600 metros quadrados de espaço para lojas. Também na RAEM foi posto à venda e arrendamento o primeiro centro comercial de materiais de construção, durante o terceiro trimestre. A infra-estrutura cobre uma área superior a 11 mil metros quadrados, oferecendo espaço para 192 lojas com tamanhos que variam entre os 27 e os 196 metros quadrados.

Os valores capitais e rendas para lojas em ruas comerciais privilegiadas também permaneceu estável ao longo do terceiro trimestre. Espera-se agora que a procura por parte dos retalhistas e o valor das rendas cresçam moderadamente ao longo de 2007. Com vários retalhistas e ofertas para turistas prontos a abrir este ano, Macau deverá entrar numa nova era do comércio e o seu papel enquanto um dos principais destinos e centros de compras na Ásia será ainda mais ampliado.

MERCADO RESIDENCIAL. A confiança no mercado residencial de Macau aumentou no terceiro trimestre de 2006. Com mais imigrantes investidores a entrar no território, a procura por propriedades no valor de um milhão de patacas tornou-se mais forte, revela o mesmo estudo, que adianta que os residentes locais também se sentiram mais atraídos pela procura e compra de imóveis.

A procura de propriedades de luxo permaneceu estável e incidiu mais no mercado de arrendamento. Os senhorios continuaram a ser beneficiados pela forte exigência de rendas de acomodações com qualidade devido ao crescente fluxo de expatriados. O número de mão-de-obra importada registada até ao final de Junho do ano passado tinha crescido 61,5 por cento comparado com o mesmo período em 2005. Pedidos de expatriados, particularmente os que ocupam cargos de direcção, estavam em franco crescimento.

Em 2007 deve ficar concluída na Taipa a segunda fase da “Nova City”, com 552 unidades, e da “The Manhattan”, com 169 unidades, sendo que a pré-venda dos imóveis já começou no terceiro trimestre do ano passado. Entretanto, o “One Central”, no NAPE, e “The Praia”, no Lam Mau Tong, já foram também lançados no último trimestre de 2006, com a pré-venda dos apartamentos do “One Central” a decorrer a bom ritmo. Quando concluídos, os dois projectos irão providenciar um total de duas mil novas unidades residenciais para o mercado.

Ao longo do terceiro trimestre de 2006, os valores capitais para residências de luxo permaneceram estáveis, crescendo 0,5 por cento em relação ao segundo trimestre, enquanto que as rendas para os mesmos imóveis subiram um por cento.

A economia de Macau deverá continuar a crescer apoiada nas novas ofertas turísticas, que irão reforçar a posição da RAEM como nova capital do jogo e entretenimento e atrair turistas para além da China Continental. Segundo a consultora, tal crescimento irá traduzir-se num maior vencimento para os trabalhadores locais e maior procura por acomodações de qualidade, apoiada também na contínua chegada de expatriados.