DIRIGENTES RECONHECEM NECESSIDADE DE RENOVAÇÃO
Kai Fong querem reforçar papel político

Um dia após as eleições para os corpos gerentes da União Geral das Associações de Moradores de Macau, os dirigentes já falam no início de um novo ciclo. Reforçar o papel político, diversificar as áreas de intervenção e estimular o trabalho dos jovens são algumas das principais directrizes para os próximos anos

A União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kai Fong) tem vários desafios pela frente, como admitem os próprios dirigentes. O recente eleito presidente, Leong Heng Teng, garante que as prioridades passam por alargar as áreas de acção, estimular a participação dos jovens e abranger mais classes profissionais, tudo para reforçar a voz política dos Kai Fong, “mas sem descurar a acção no campo social”, assegurou o novo presidente.

Leong Heng Teng, numa entrevista ao jornal Ou Mun, refere que a rápida evolução da sociedade tem que ser acompanhada pelas associações, tanto nas funções que prestam, tal como na qualidade destes serviços. Neste campo, o também deputado garante que a aposta deve incidir na formação dos dirigentes e dos próprios trabalhadores das associações, tarefa importante para modernizar o trabalho que desempenham.

As recentes eleições colocaram Leong Heng Teng na presidência dos Kai Fong, enquanto que Yiu Hung Meng manteve-se a liderar o conselho executivo da associação, que este ano aumentou de quatro para dez o número de vice-presidentes, nos quais se inserem o também deputado Chui Sai Peng. De acordo com os resultados, 29 por cento dos dirigentes ocupam os cargos pela primeira vez, o que vai no sentido da renovação que os Kai Fong pretendem. Aliás, Leong Heng Teng e Yiu Hung Meng consideram que esta é a altura ideal para se proceder aos trabalhos de renovação, aproveitando as “novas caras” nos corpos gerentes.

Questionado se o novo cargo pode entrar em conflito com a presença no Conselho Executivo, Leong Heng Teng salienta que a relação entre os Kai Fong e o Governo desenrola-se com base numa “parceria”, visto que ambos procuram servir os residentes da RAEM. Mesmo assim, avisa, os Kai Fong estão habituados a trabalhar de perto com os residentes, razão pela qual conhecem as necessidades destes, como por exemplo as dificuldades em conseguir habitações sociais e económicas e o problema do congestionamento do trânsito, podendo recolher de forma mais eficaz a opinião dos moradores, tarefa que pode ajudar o Governo na definição de políticas. Leong diz mesmo que os Kai Fong irão apoiar as decisões do Executivo, mas apenas se estiverem de acordo com as políticas. Em caso contrário, irão tentar convencer o Governo a adoptar novas medidas, aquelas que considerarem as apropriadas para os residentes.

Actualmente, os Kai Fong têm sob a sua alçada 25 associações de moradores, espalhadas por diferentes áreas da cidade, com um abrangente sistema de infra-estruturas e serviços. Quatro escolas, dois infantários, três clínicas médicas, sete centros comunitários, 18 centros de apoio para idosos e quatro salas de estudo, são estruturas que fazem parte da sua organização.

No relatório das linhas programáticas da associação, Yiu Hung Meng é da opinião de que os serviços tradicionais oferecidos pelas associação “não são suficientes”, defendendo que se deve prestar maior atenção à diversificação e qualidade desses mesmos serviços. Apontando para alguns problemas da sociedade, como o agravamento do fosso entre os ricos e os pobres e a falta de participação dos jovens, o presidente do conselho executivo sustenta que a renovação deve ser conduzida o mais rapidamente possível, uma fórmula também essencial para reforçar o papel político da associação no futuro e que justifica a criação de serviços dedicados exclusivamente aos jovens.

Para este ano, Yiu Hung Meng diz que os Kai Fong continuarão a “bater-se” por uma política sócio-económica justa, bem como por um sistema de segurança social eficaz e adequado às necessidades dos residentes. Inovar e modernizar a gestão das associações que constituem os Kai Fong, ter uma acção activa junto dos moradores e estabelecer uma rede de serviços adaptada às necessidade de cada uma das áreas da RAEM, são também alguns dos trabalhos que a associação quer efectuar em 2007.