Uns alegados assobios à namorada de um trabalhador de construção civil nepalês estiveram na origem de uma cena de pancadaria no Largo do Senado. No entanto, as versões divergem: do outro lado, o queixoso do caso, um cidadão paquistanês, garante que não assediou ninguém e que ainda lhe roubaram 40 mil dólares de Hong Kong
Cinco operários de construção civil
nepaleses sentaram-se ontem no banco dos réus, no Tribunal Judicial de
Base, acusados de um crime de furto qualificado na forma consumada e outros
dois tentados. Em causa está uma alegada cena de pancadaria a 1 de Abril
do ano passado, no Largo do Senado, em que o grupo é acusado de ter
espancado três paquistaneses, depois de estes se terem recusado a
entregar os valores monetários e documentos que traziam.
Numa sessão que se prolongou devido a problemas de tradução do chinês, inglês, nepalês e vice-versa, os arguidos Rai Lal Bahadur, Limbu Gyanendra, Gurung Ghan Bahadur, Rai Bhupal e Rai Vijaraj, todos titulares de BIR de Hong Kong, negaram os factos da acusação. Rai Lal Bahadur, o principal arguido, esclareceu que tudo não passou de uma pequena discussão, sustentando que não houve qualquer roubo. O mesmo indivíduo acrescentou que o episódio aconteceu quando acompanhava a sua namorada, junto com um amigo. Foi então que encontrou um grupo de paquistaneses, que começaram assobiá-la.
O arguido sublinhou que, após a namorada ter apanhado um táxi, voltou ao Largo do Senado com o amigo. Na sua versão, os paquistaneses começaram a acenar-lhe. Quando me aproximei, os indivíduos agrediram-me com socos, disse aos juízes. Consegui escapar graças ao socorro prestado por Limbu Gyanendra (também ele arguido), garantiu Rai Lal Bahadur.
Por sua vez, Limbu Gyanendra afirmou que participou na confusão porque apenas queria salvar o amigo. Fiz um bloqueio aos paquistaneses para que Rai Lal conseguisse fugir. E foi mais longe: Não roubei e nem feri ninguém, frisou. Quanto aos outros três arguidos, negaram estar envolvidos na cena de pancadaria.
Já nas declarações para memória futura do principal ofendido, lidas pela juíza presidente, o queixoso apresentou outra versão dos factos. Segundo explicou, na altura, foi abordado por sete indivíduos que falavam um dialecto parecido com o indiano, numa altura em que se encontrava no Largo do Senado, à espera de uns amigos. O grupo pediu-lhe que entregasse todo o dinheiro que tinha e os respectivos documentos, o que a vítima se recusou a fazer. Foi então que, segundo garante, apareceram mais de uma dezena de sujeitos, que o agrediram no corpo e na cabeça, retirando-lhe cerca de 40 mil dólares de Hong Kong. No fim, os agressores fugiram em direcção ao Hotel Lisboa.