Foi ontem formalmente criada a Confraria da Gastronomia Macaense, que junta sete associações do território e que pretende trabalhar para preservar a tradição da cozinha de Macau. Mas os objectivos vão mais longe e os fundadores pretendem organizar um encontro internacional ainda este ano, com vista à criação de um confederação internacional que reúna as organizações congeners
Foram sete as associações que em Outubro do
ano passado assinaram um protocolo cujo objectivo passa por
revitalizar a cultura macaense e as suas tradições,
plano que assenta em diversos pilares, como o patuá, os jovens e a gastronomia.
E foi mesmo no campo da culinária que arrancou o primeiro projecto,
ontem, com a constituição da Confraria da Gastronomia
Macaense.
A Associação dos Macaenses, a Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas, o Clube de Macau, o Instituto Internacional, o Dóci Papiaçám di Macau, o Círculo de Amigos da Cultura e a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), são as instituições que estarão representadas na Comissão Instaladora - todas com um elemento e a APIM com quatro membros -, cujos primeiros trabalhos serão organizar as eleições para os corpos gerentes e preparar os regulamentos da confraria.
Assumindo que as expectativas são
elevadas, o presidente da APIM, José Manuel Rodrigues, revelou
que serão criadas delegações junto das Casas de Macau,
para divulgação e preservação da gastronomia
junto dos respectivos países de acolhimento. Mas os objectivos
são mais ambiciosos e os membros fundadores da confraria pretendem
organizar já este ano um encontro internacional no território.
Iremos fazer alguns contactos com confrarias de Portugal, eventualmente até de França e Itália, para vermos qual a possibilidade de ainda este ano realizar um encontro de confrarias em Macau, revelou José Manuel Rodrigues, adiantando que tal iniciativa poderá servir de pano de fundo para criar as condições para uma confederação de confrarias gastronómicas.
Para já, e como o presidente da APIM já tinha
revelado ao JTM, a intenção passa também por integrar a
Confraria da Gastronomia Macaense na Federação
Nacional das Confrarias da Gastronomia Portuguesa, um projecto que, tal como o
da confederação, ainda está a ser estudado.
José Manuel Rodrigues salientou que, em estreita colaboração com os Serviços de Turismo, os fundadores irão fazer a necessária divulgação, porque a gastronomia é, em qualquer parte do mundo, um factor importantíssimo da indústria turística. Nós queremos dar o nosso contributo, para divulgar a culinária de Macau e, também em termos pedagógicos, tentar recuperar a tradição de alguns pratos que achamos que estão de certa forma adulterados, sublinhou o dirigente.

Casas de Macau associam-se à cerimónia
As Casas de Macau, apesar de não poderem estar representadas na cerimónia de constituição da Confraria da Gastronomia Macaense, fizeram questão de apoiar o projecto que vem preencher uma lacuna na cultura de Macau. A União Macaense e o Lusitano Club da Califórnia, a Casa de Macau (USA), Brasil, Portugal e Austrália, as duas Casas de Vancouver e a de Toronto, bem como a Associação de Empresários Macaenses da Califórnia, foram as associações que endereçaram votos de felicitações, confiantes no sucesso do projecto. A riqueza da Gastronomia Macaense não poderá ser esquecida e espero que ela venha resgatá-la e permanecer como um legado para a presente e futuras gerações, escreveu o presidente da Casa de São Paulo, Júlio Branco. Nas mensagens, as Casas de Macau espalhadas pelos vários continentes deixaram clara a firme vontade de colaborar com a confraria na prossecução dos seus objectivos, sendo mais um elo de ligação entre a comunidade de Macau e as que estão espalhadas pelo mundo.