A Portugal Telecom vai mesmo alienar a sua participação na TV Cabo Macau. O negócio é assinado amanhã e pode marcar o início de uma saída em força da telefónica portuguesa do mercado local
A Portugal Telecom (PT) assina amanhã, em Macau, a
venda dos 87,5 por cento que detém na TV Cabo local a um
consórcio que integra interesses locais e continentais chineses, disse
à agência Lusa uma fonte ligada ao processo. De acordo com a mesma
fonte, a operação integra-se num quadro de
alienação de, pelo menos, alguns dos activos da PT na RAEM.
O consórcio comprador da TV Cabo Macau integra, além de interesses chineses do sector, um empresário de Macau ligado às telecomunicações e que é proprietário da empresa Kong Seng, uma das companhias que possui negócio de antenas no território e que têm sido acusadas pela TV Cabo de impossibilitar os lucros da empresa.
Além da TV Cabo, cujo processo ficará concluído esta semana, a PT está a ultimar a venda dos 6,67 por cento que detém na empresa Cosmos e dos 22,22 por cento da Telesat, num acordo que poderá ficar fechado esta semana. A fonte contactada pela Lusa, que solicitou o anonimato, disse ainda que a PT está a analisar a venda da participação maioritária que detém na Directel Macau, ligada ao negócio das listas telefónicas. Deste modo, a empresa ficaria apenas representada na RAEM através da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), onde detém uma quota de 28 por cento.
Contactada pela Lusa, fonte oficial da telefónica portuguesa escusou-se a comentar os negócios.
A venda dos 87,5 por cento do capital social da PT na TV Cabo Macau, um processo que decorre há vários meses, é o primeiro grande movimento de alienação por parte da telefónica portuguesa em Macau. Esta operação contraria as intenções da antiga administração de Horta e Costa, que várias vezes demonstrou interesse em reforçar a presença no território para conquistar posições no mercado chinês. Nesse sentido, a venda da TV Cabo Macau pode reflectir uma mudança de estratégia da empresa no mercado asiático. No continente chinês, a PT detém a CTTC Archway, que comercializa serviços e redes de transmissão de informações de veículos e objectos em movimento em tempo real.