A Cáritas de Macau está à procura de fundos para levar a cabo todos os projectos planeados. Isto porque os subsídios governamentais são insuficientes para a instituição conseguir apoiar todos aqueles que a procuram

A Cáritas de Macau, uma das maiores
instituições de caridade do território, está
à procura de apoios que lhe permitam levar a cabo as suas iniciativas de
apoio à população. Segundo o secretário-geral da
organização, Paul Pun, os subsídios governamentais
não cobrem as despesas, pelo que a Cáritas necessita de recorrer
à sociedade civil, o que nem sempre é fácil.
Para além do apoio que o Governo dá, [a instituição] ainda precisa de 20 milhões de patacas, atirou Pun, questionado pelo JTM sobre a verba necessária para a Cáritas cumprir os projectos programados. São fundos enormes e difíceis de angariar, daí que seja essencial o apoio de indivíduos ou organizações, acrescentou, à margem da cerimónia de entrega de um donativo por parte da Associação dos Macaenses (ver caixa).
Apesar de não ser a maior associação, o secretário-geral diz que a Cáritas é a que precisa de mais apoio. Paul Pun explica o porquê: a instituição é provavelmente responsável por 95 por cento dos deficientes e 60 por cento dos idosos que estão em lares, prestando-lhes um apoio de 24 horas por dia.
NOVOS PROJECTOS. A falta de dinheiro não corta a ambição à Cáritas. Tanto que a instituição de solidariedade vai ter dois novos lares destinados a sem-abrigo e a pessoas confinadas à cama, respectivamente, revelou Paul Pun. Para já, o responsável não adianta datas, frisando que ainda falta o anúncio oficial do Governo. No entanto, deixa escapar que a criação dos novos espaços está para breve.
De momento, a Cáritas está a colaborar com o Instituto de Acção Social no apoio aos sem-abrigo, que nesta altura do ano são os que mais sofrem com as descidas de temperatura. Para isso, a instituição lançou, no início do mês, o primeiro serviço destinado a estas pessoas constituído por pessoal pago - em vez de voluntariado, como ocorria no passado. Esta unidade recém-criada procura convencer aqueles que dormem na rua ou que vivem daquilo que encontram no lixo a dirigirem-se aos abrigos da Caritas e aí encontrarem ajuda.
Outra das novas estratégias da instituição de caridade de carácter católico que visivelmente orgulha Paul Pun é o recurso àqueles que já passaram por problemas no passado para ajudar outras pessoas que agora enfrentam as mesmas situações. Esta medida, cuja preparação começou ontem, vai ser aplicada à terceira idade, explicou o representante da Cáritas. Decidimos escolher alguns idosos que, após a sua reforma, poderão ser líderes de grupos que prestam apoio a outros idosos, explica Paul Pun.
Estes líderes serão submetidos a uma formação especial e terão acesso a recursos que lhes permitirão ajudar os mais necessitados. A ideia é mostrar que cada idoso é importante, e não torná-los dependentes do apoio, sublinhou Paul Pun. Para o secretário-geral da Cáritas, a aplicação da energia das pessoas que a associação ajudou no passado para ajudar outros faz todo o sentido.
Nas palavras do dirigente, o mesmo princípio se aplica aos viciados no jogo. Este relembrou que, há um ano, realizou-se em Macau um curso de formação para conselheiros sobre o vício do jogo que era composto por 20 antigos viciados que agora prestam apoio aos que se vêm a braços com a dependência. Estes conselheiros estão disponíveis 24 horas por dia na linha de amizade da Cáritas, embora o diálogo face a face seja mais produtivo, salientou Paul Pun.
Na segunda-feira, a Caritas Adicted Gamblers Counselling Centre e a Sheng Kung Hui de Macau lançaram um curso semelhante a este, que continuará a formar mais conselheiros para os jogadores e os jovens que trabalham na indústria do jogo. A formação, que é apoiada pelo Instituto de Acção Social, arranca a 20 de Janeiro.
Associação dos Macaenses doa cheque à Cáritas
Um gesto de solidariedade na forma de um cheque de 12,5 mil patacas foi ontem entregue pela Associação dos Macaenses (ADM) à Cáritas de Macau. Para o presidente da direcção da ADM, Miguel de Senna Fernandes, mesmo que fosse metade do valor, ficaríamos contentes, porque o que interessa é o gesto, e não a quantia. O donativo partiu de uma iniciativa da ADM durante a festa de Natal da associação, onde se fez circular uma bolsa para angariar fundos, explicou o responsável ao JTM, mostrando-se satisfeito com o gesto de solidariedade para com as pessoas necessitadas. A escolha da Cáritas partiu do facto de esta ser uma instituição com muita história em Macau, o que, na óptica do presidente da direcção da ADM, levou a que as pessoas aderissem facilmente à iniciativa.