PRESIDENTE DA MAPEAL CONSIDERA QUE macau DESEMPENHA UM PAPEL FULCRAL
Gary Ngai fala em “oportunidade de ouro”
nas relações com países latinos

A China começa a abrir-se a parceiros internacionais e a América Latina suscita cada vez mais interesse. Nesta ligação, a RAEM “desempenha um papel fulcral”, a exemplo do que acontece com os países lusófonos, defende o presidente da Associação de Macau para a Promoção de Intercâmbio entre Ásia Pacífico e América Latina

TIAGO AZEVEDO

A Associação de Macau para a Promoção de Intercâmbio entre Ásia Pacífico e América Latina (MAPEAL) é uma organização não governamental, com poucos recursos, mas com um objectivo bem definido: “Queremos aproximar a América Latina e a Ásia-Pacífico, estratégia na qual Macau desempenha um papel fulcral”. As palavras são do próprio presidente, Gary Ngai, que considera importante o apoio do Chefe do Executivo, que ganha ainda contornos mais relevantes com “o apoio político do Governo Central”.

Em Setembro de 2005 a MAPEAL organizou um colóquio na RAEM, com a presença de vários académicos de países latinos, que acabou por resultar na publicação de um livro, com textos de 22 académicos, que aborda diversas temáticas relativas às relações sino-latinas, como o comércio, a política e a cultura.

Nos últimos meses, o presidente da MAPEAL efectuou um périplo por vários países da América Latina - Argentina, Brasil, Cuba e Chile -, no qual manteve encontros com académicos e representantes dos governos. E foi dessas viagens que Gary Ngai trouxe uma nova vontade: juntar à área académica e cultural a componente comercial. “Nos encontros ficou expressa uma forte intenção de estimular as trocas comercias entre a América Latina e a Ásia-Pacífico”, justificou Ngai ao JTM.

A vontade de aproveitar as oportunidades de negócios já existia, contou o mesmo responsável, mas agora ganha “uma nova força”, que não se deve deixar fugir. “É urgente não deixar fugir a oportunidade de ouro”, asseverou o presidente da MAPEAL, que até irá presidir ao próximo Congresso da Federação Internacional de Estudos sobre América Latina e Caraíbas, que se realiza na RAEM (ver texto de baixo). No entanto, Gary Ngai reconhece que esta não é uma tarefa fácil. É que, se por um lado Macau pode desempenhar o mesmo papel que tem na ligação aos países lusófonos, por outro, “é preciso perceber que o processo leva algum tempo a arrancar”.

Havendo até vários empresários de ambas as partes interessados em intensificar as transacções comerciais, Ngai aponta o dedo à antiga administração portuguesa, mas também a algumas instituições de Macau, “que não souberam aproveitar a rede que já está criada”. A rede a que se refere Ngai são as Casas de Macau espalhadas pelos vários continentes, “um recurso que tem que ser maximizado”, sustentou o presidente do MAPEAL. Contudo, também as comunidades de Macau “têm que estar atentas a esta evolução”, sublinhou o dirigente, argumentando que as comunidades portuguesa e macaense “podem estar mais envolvidas neste processo”.

Visto que “um sexto da população mundial” utiliza línguas de matriz latina, comunidade que continua a crescer de ano para ano, Gary Ngai não tem dúvidas: “Este é um projecto virado para o futuro, para o século XXI”, concluiu.