O Centro Histórico de Macau, inscrito na lista de Património Mundial da UNESCO, tem atraído ao território mais visitantes da China Continental, defende o director substituto do Museu de Macau, Chan Ieng Hin. No entanto, esse aumento não se reflectiu no número de visitantes do museu, que este ano registou uma ligeira diminuição
Cerca de 200 mil pessoas visitaram em 2006 o Museu de Macau, comparativamente às 210 mil registadas no ano anterior, revelou ao JTM o director substituto da instituição, Chan Ieng Hin. Embora não se reproduza nos números, o responsável acredita que o aumento de turistas no território tem tido alguma influência positiva no museu. “Alguns [turistas] vêm a Macau por causa do Património Mundial e acabam por nos visitar também porque estamos dentro da Fortaleza do Monte”, explicou o responsável. “Vêm principalmente da China Continental e também de Hong Kong”, acrescentou.
A Fortaleza do Monte é um dos mais de vinte monumentos que fazem parte do percurso do Centro Histórico de Macau, no qual também se incluem, entre outros, o Edifício do Leal Senado, a Santa Casa da Misericórdia, as Ruínas de S. Paulo, o Templo de Na Tcha ou a Fortaleza da Guia.
No que toca aos habitantes da RAEM, Chang Ieng Hin acredita que estes estão mais atentos à história da cidade. “O reconhecimento atribuído pela UNESCO chamou a atenção dos cidadãos de Macau para a sua herança e história”, sustentou o director substituto da instituição. Para este factor poderá também ter contribuído a campanha “2006 Ano do Património Mundial”, lançada pela Direcção dos Serviços de Turismo que pretendia divulgar e promover o centro histórico da cidade, ao longo do ano anterior. Reforçar a promoção de Macau como uma cidade da Cultura apostando no legado histórico, foi também uma das metas do Executivo, divulgando em vários mercados o que tinha sido recentemente classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.
Para este ano, Chan Ieng Hin revelou que está a ser preparada uma nova exibição intitulada “Lótus de Felicidade - Gravuras do Ano Novo Chinês”, mostra que será inaugurada no dia 19 de Janeiro, às 18:00, e pode ser visitada até 25 de Março no Museu de Macau. “É uma exposição especial devido às comemorações do Ano Novo Chinês”, frisou o mesmo responsável. Para promover a herança histórica do território, Chan Ieng Hin adiantou que estão a começar a trabalhar em documentos relacionados com a história de Macau. “Estamos a recolher dados, por exemplo, sobre a Casa do Mandarim que faz também parte do Centro Histórico de Macau, para depois ser publicada alguma informação”. Situado em frente ao Largo do Lilau, um dos primeiros largos de estilo português da cidade, e datado de 1881, a Casa do Mandarim é um edifício de estilo tradicional chinês. Conhecida como a residência de Zheng Guanying, representa também a combinação e mistura dos vários estilos arquitectónicos que evidenciam as diferentes culturas que passaram por Macau.
A manter-se o ritmo do crescimento do número de turistas que visitam o território, também os espaços museológicos serão beneficiados. As estatísticas oficiais indicam que nos primeiros 11 meses de 2006, Macau recebeu 19,8 milhões de visitantes, o que representa uma aumento de 16,4 por cento em relação ao período homólogo do ano anterior. Da China Continental vieram 18,8 milhões de turistas, ou seja, 54,7 por cento do total, o que corresponde a uma subida de 13,7 por cento relativamente ao mesmo período de 2005. De acordo com os números provisórios, o total de visitantes em 2006 deve aproximar-se dos 22 milhões, mais quatro milhões do que em 2005.