O “boom” dos casinos e hotéis em Macau levou a que no ano passado a entrada líquida dos investimentos directos tenha mais do que duplicado face a 2004. A balança de pagamentos da RAEM registou um saldo positivo de 9,9 mil milhões de patacas em 2005

Os dados divulgados pela Autoridade Monetária (AMCM) revelaram que a balança de pagamentos da RAEM registou em 2005 um saldo positivo de 9,9 mil milhões de patacas, contra os 8,8 mil milhões apurados no ano anterior.
Os dados da AMCM demonstraram ainda que, relativamente às principais componentes, o saldo da conta corrente indicou um resultado positivo em 2005 na ordem de 27 mil milhões de patacas, contra os 34,1 mil milhões em 2004, e a conta capital registou uma entrada líquida de 4,1 mil milhões de patacas. Por sua vez, o montante dos activos financeiros não reserva registou um aumento de 3,3 mil milhões de patacas. A melhoria do saldo da conta corrente é justificada essencialmente pelo maior superavit nas trocas de serviços, que mais do que contrabalançou o aumento do défice nas trocas de mercadorias e nos fluxos de saídas líquidas dos rendimentos de factores externos.
Um dado merecedor de destaque foi a entrada líquida dos investimentos directos em 2005 que, impulsionada principalmente pelos investimentos em larga escala e pela construção de complexos de casinos e hotéis, mais do que dobrou, concretamente de 6,9 mil milhões de patacas para 14,4 mil milhões. Desta forma, a saída líquida da carteira de investimentos (4,9 mil milhões) conjuntamente com os derivados financeiros (4,2 mil milhões) e os outros investimentos (8,6 mil milhões), mais do que compensaram a entrada líquida de fundos do investimento directo.
A balança de pagamentos é um registo estatístico integral que mede as operações externas entre um sistema económico e os dos outros países e territórios.
Em 2005, a entrada líquida da conta capital totalizou 4,1 mil milhões de patacas, comparativamente aos 2,2 mil milhões em 2004, crescimento que se deve ao acréscimo das transferências de emigrantes. Relativamente aos activos financeiros não reserva, a saída líquida cifrou-se em 3,3 mil milhões de patacas, em comparação com os 12,3 mil milhões de patacas em 2004.
Já as transferências correntes, que medem as remessas dos trabalhadores para e de Macau e donativos entre as organizações de caridade locais e ao exterior, registaram uma saída líquida de 798,2 milhões de patacas em 2003, contra os 213,8 milhões em 2004.
Com as importações de mercadorias a excederem o valor das exportações, o défice da conta de mercadorias aumentou acentuadamente de 14,8 mil milhões de patacas em 2004 para 22,4 mil milhões em 2005. No capítulo dos serviços, foi apurado um montante de 56,4 mil milhões de patacas, assinalando uma evolução positiva comparativamente aos 53,7 mil milhões em 2004, para o que contribuiu o desenvolvimento do sector do turismo. O saldo positivo de 61,1 mil milhões de patacas nos serviços de viagens compensou o balanço negativo de 4,7 mil milhões no ramo dos transportes e outros serviços.
Os rendimentos líquidos de factores externos apresentaram uma saída líquida no valor de 6,2 mil milhões de patacas, devido à entrada de 6,4 mil milhões e à saída de 12,7 mil milhões.