O torneio de futsal dos Jogos da Lusofonia fechou com “chave de ouro”. No Macau Dome, Portugal e Brasil defrontaram-se para decidir o primeiro lugar. Num jogo emocionante, o empate a uma bola acabou por beneficiar os “canarinhos”, que marcaram mais golos no campeonato
Foi um dos embates mais esperados dos primeiros Jogos da Lusofonia. Ontem, no Macau Dome, Brasil e Portugal encontraram-se num jogo da última jornada do torneio de futsal. Os “canarinhos”, que apenas não precisavam de perder para assegurar o primeiro lugar, acabaram por saborear um “dourado” empate, por uma bola, frente aos jogadores lusos. Angola fechou o pódio, arrecadando o bronze.
Dentro das quatro linhas, o encontro teve aquilo que faltou a algumas das modalidades dos Jogos: muita competitividade, um ritmo intenso, bastante táctica, pormenores técnicos refinados e incerteza praticamente até ao final. Tudo isto perante a maior enchente até ao momento dos Jogos da Lusofonia, com ambas as bancadas centrais do pavilhão praticamente cheias - apenas a cerimónia de abertura teve mais público.
O Brasil entrou melhor na partida. Apesar da garantia de que, em caso de empate, seria o vencedor do torneio, por ter mais golos marcados do que Portugal, o cinco “canarinho” apostou desde o início numa forte pressão sobre o adversário.
Sob o olhar atento do presidente da comissão organizadora dos Jogos da Lusofonia, Manuel Silvério, e do responsável máximo do Comité Olímpico de Portugal, Vicente Moura, os brasileiros estiveram perto do golo, aos 12 minutos, após uma perda de bola infantil de um jogador luso. Valeu à equipa portuguesa a má pontaria do adversário.
Perto do intervalo, foi a vez de Portugal desperdiçar uma boa oportunidade. Ivan, de baliza aberta, falhou o golo, depois de uma excelente jogada de Pedro Costa.
No segundo tempo, o Brasil voltou a entrar mais forte. No entanto, aos seis minutos, os “canarinhos” viram Tostão ser expulso, o que obrigou a equipa a jogar dois minutos com um jogador a menos. Portugal tentou aproveitar, mas, após desperdiçar uma boa oportunidade, viu o poste a negar-lhe o golo. Pouco depois, já de novo com cinco jogadores, seria a vez do Brasil acertar com uma bola no ferro.
O nulo era prejudicial para os jogadores lusos e a equipa teve que lançar-se ao ataque. A quatro minutos do fim, o seleccionador português decidiu arriscar tudo e substituir o guarda-redes Euclides Vaz pelo jogador de campo José Pereira.
Com o público a puxar por Portugal, a equipa acabou por ser traída pelo guarda-redes adversário. Após um remate frouxo, o guardião brasileiro Tiago não esperou que José Pereira regressasse à baliza e rematou directamente para golo, quanto faltavam três minutos para o apito final.
Apesar da desvantagem, Portugal não desanimou e voltou a pressionar no ataque. Uma opção que teria frutos a 27 segundos do fim da partida, com um tento de Pedro Costa. No entanto, o golo foi insuficiente para “roubar” o ouro ao Brasil.
“Faltou-nos só um bocadinho”, lamentava o seleccionador português, Orlando Duarte, no final da partida. “Foi um erro nosso que proporcionou o golo”, recordou o técnico, elogiando a qualidade brasileira. “É uma equipa muito bem orientada e estes jogadores são fabulosos”.
Mais do que a derrota de ontem, é o futuro do futsal português que preocupa o seleccionador. “Temos alguns jogadores novos, mas não muitos”, explicou, já a pensar na renovação da selecção após o Euro 2007 da modalidade, que vai decorrer em Portugal.
De resto, Orlando Duarte fez questão de contrariar a ideia de que foi Timor-Leste, a equipa mais fraca, a decidir o torneio. “Nós é que tivemos culpa, porque não marcámos mais golos”, disse. “Também ganhámos por menos [golos] que o Brasil a Macau e a Angola”, frisou.
“Sabíamos que era um jogo difícil”, explicou, por seu lado, o técnico brasileiro, Paulo César. Salientando que a selecção “canarinha” está num processo de renovação, o técnico acrescentou que a partida foi muito “equilibrada”.
Quanto à diferença de qualidade entre as selecções presentes nos Jogos, o treinador realçou que o importante é apostar na evolução. Salientando o trabalho já feito por Angola, por exemplo, Paulo César defendeu que as equipas europeias e sul-americanas devem ajudar as congéneres de outros continentes a desenvolver a modalidade.