MAIS GOLOS MARCADOS DECIDIRAM VENCEDOR DO TORNEIO DE FUTSAL
Empate amargo para Portugal com sabor a ouro para o Brasil

O torneio de futsal dos Jogos da Lusofonia fechou com “chave de ouro”. No Macau Dome, Portugal e Brasil defrontaram-se para decidir o primeiro lugar. Num jogo emocionante, o empate a uma bola acabou por beneficiar os “canarinhos”, que marcaram mais golos no campeonato

EMANUEL GRAÇA

Foi um dos embates mais esperados dos primeiros Jogos da Lusofonia. Ontem, no Macau Dome, Brasil e Portugal encontraram-se num jogo da última jornada do torneio de futsal. Os “canarinhos”, que apenas não precisavam de perder para assegurar o primeiro lugar, acabaram por saborear um “dourado” empate, por uma bola, frente aos jogadores lusos. Angola fechou o pódio, arrecadando o bronze.

Dentro das quatro linhas, o encontro teve aquilo que faltou a algumas das modalidades dos Jogos: muita competitividade, um ritmo intenso, bastante táctica, pormenores técnicos refinados e incerteza praticamente até ao final. Tudo isto perante a maior enchente até ao momento dos Jogos da Lusofonia, com ambas as bancadas centrais do pavilhão praticamente cheias - apenas a cerimónia de abertura teve mais público.

O Brasil entrou melhor na partida. Apesar da garantia de que, em caso de empate, seria o vencedor do torneio, por ter mais golos marcados do que Portugal, o cinco “canarinho” apostou desde o início numa forte pressão sobre o adversário.

Sob o olhar atento do presidente da comissão organizadora dos Jogos da Lusofonia, Manuel Silvério, e do responsável máximo do Comité Olímpico de Portugal, Vicente Moura, os brasileiros estiveram perto do golo, aos 12 minutos, após uma perda de bola infantil de um jogador luso. Valeu à equipa portuguesa a má pontaria do adversário.

Perto do intervalo, foi a vez de Portugal desperdiçar uma boa oportunidade. Ivan, de baliza aberta, falhou o golo, depois de uma excelente jogada de Pedro Costa.

No segundo tempo, o Brasil voltou a entrar mais forte. No entanto, aos seis minutos, os “canarinhos” viram Tostão ser expulso, o que obrigou a equipa a jogar dois minutos com um jogador a menos. Portugal tentou aproveitar, mas, após desperdiçar uma boa oportunidade, viu o poste a negar-lhe o golo. Pouco depois, já de novo com cinco jogadores, seria a vez do Brasil acertar com uma bola no ferro.

O nulo era prejudicial para os jogadores lusos e a equipa teve que lançar-se ao ataque. A quatro minutos do fim, o seleccionador português decidiu arriscar tudo e substituir o guarda-redes Euclides Vaz pelo jogador de campo José Pereira.

Com o público a puxar por Portugal, a equipa acabou por ser traída pelo guarda-redes adversário. Após um remate frouxo, o guardião brasileiro Tiago não esperou que José Pereira regressasse à baliza e rematou directamente para golo, quanto faltavam três minutos para o apito final.

Apesar da desvantagem, Portugal não desanimou e voltou a pressionar no ataque. Uma opção que teria frutos a 27 segundos do fim da partida, com um tento de Pedro Costa. No entanto, o golo foi insuficiente para “roubar” o ouro ao Brasil.

“Faltou-nos só um bocadinho”, lamentava o seleccionador português, Orlando Duarte, no final da partida. “Foi um erro nosso que proporcionou o golo”, recordou o técnico, elogiando a qualidade brasileira. “É uma equipa muito bem orientada e estes jogadores são fabulosos”.

Mais do que a derrota de ontem, é o futuro do futsal português que preocupa o seleccionador. “Temos alguns jogadores novos, mas não muitos”, explicou, já a pensar na renovação da selecção após o Euro 2007 da modalidade, que vai decorrer em Portugal.

De resto, Orlando Duarte fez questão de contrariar a ideia de que foi Timor-Leste, a equipa mais fraca, a decidir o torneio. “Nós é que tivemos culpa, porque não marcámos mais golos”, disse. “Também ganhámos por menos [golos] que o Brasil a Macau e a Angola”, frisou.

“Sabíamos que era um jogo difícil”, explicou, por seu lado, o técnico brasileiro, Paulo César. Salientando que a selecção “canarinha” está num processo de renovação, o técnico acrescentou que a partida foi muito “equilibrada”.

Quanto à diferença de qualidade entre as selecções presentes nos Jogos, o treinador realçou que o importante é apostar na evolução. Salientando o trabalho já feito por Angola, por exemplo, Paulo César defendeu que as equipas europeias e sul-americanas devem ajudar as congéneres de outros continentes a desenvolver a modalidade.