Franklin da Palma, presidente do Comité Olímpico de Cabo Verde, fez ontem um balanço positivo da prestação do seu país nos Jogos da Lusofonia. A confiança e experiência conquistadas pelos atletas na competição, poderão ser úteis no futuro
-Que balanço faz da prestação de Cabo Verde?
-Tivemos uma prestação que ultrapassou as expectativas. O primeiro objectivo era contribuir para o brilho da festa, os outros vinham depois. Tínhamos algumas previsões, tanto a nível do basquetebol como do taekwondo. No futebol as nossas esperanças estavam em aberto e acabou por ser uma surpresa agradável. Ficámos pelo bronze mas poderíamos ter disputado a final. No atletismo tínhamos expectativas exactamente para a maratona, e confirmaram-se. Deste modo, no geral, a prestação foi excelente.
-A participação de Cabo Verde nos Jogos da Lusofonia será então para continuar...
-Naturalmente. Não só nos Jogos da Lusofonia, pois vamos aproveitar esta experiência para transpor para outras competições, nomeadamente as africanas, porque já no próximo ano temos os Jogos Africanos. A passagem por Macau foi um trampolim para eventualmente entrarmos no caminho dos Jogos Olímpicos.
-Cabo Verde conseguiu algumas medalhas nesta competição. Espera que os seus atletas consigam continuar a ganhar noutras competições e nos próximos Jogos?
-A experiência e confiança que os atletas conseguiram adquirir é um prelúdio interessante. A questão das medalhas é sempre imprevisível. Não nos podemos vangloriar que vamos ganhar, mas também não afastamos a hipótese. É um desejo, sobretudo porque a participação em Macau vai ajudar a redefinir a nossa política desportiva.
-Tendo em conta que Cabo Verde conseguiu competir de igual para igual contra alguns países de maior dimensão, pode-se deduzir que o desporto está a crescer no país?
-É um bom prelúdio. Como dizia, esta experiência vai-nos ajudar bastante.
-Até porque os países africanos parecem ter cada vez mais aspirações internacionalmente...
-Naturalmente. Sendo que a responsabilidade da política desportiva é do governo, nós, enquanto Comité Olímpico, vamos tentar influenciá-la. Uma das coisas que vamos tentar discutir com o governo, é o relançamento e planeamento do atletismo. Pela seguinte razão: os países que estavam nos primeiros dias abaixo de Cabo Verde na tabela das medalhas, a partir do início das provas de atletismo passaram como uma flecha. Nós estagnamos porque não temos atletismo. O atletismo tem por volta de 25 disciplinas, e só participamos numa, em corrida de estrada na maratona. Ainda participámos em algumas corridas de pista mas numa situação de inferioridade, porque não existe ainda nenhuma pista de atletismo em Cabo Verde.
-A falta de recursos e de atletas torna necessária a procura de valores fora do país?
-É uma forma de nos ajustarmos. Assim como temos atletas que evoluem em diferentes países do mundo, como Portugal, acho justo que os aproveitemos para prestarem serviço a Cabo Verde.
-Tem alguma aspiração em especial para os Jogos Olímpicos de Pequim?
-As mesmas que trouxemos para Macau. Tentar o melhor desempenho. Para os Jogos Olímpicos o basquetebol ainda está a tentar qualificar-se. Para Pequim temos esperança no taekwondo e no atletismo, ao nível da maratona. A nossa luta neste momento é participar nos Jogos Olímpicos com atletas qualificados e não apenas por convite.
-Cabo Verde tentará organizar alguma das próximas edições?
-Ainda não temos essa ideia na nossa agenda. Mas esse dia chegará. Acreditamos que os jogos não vão parar e vamos tentar crescer em conjunto para que o nosso dia também chchegue.