À MARGEM

Um “outro mundo”.

Há quem diga que Saigão sempre foi uma realidade àparte no Vietname, mesmo depois que em 30 de Abril de 1975, se verificou a unificação do país, com a queda do regime do Vietname do sul. Tendo visitado Ho Chi Minh City há cerca de 16 anos, também fiquei com essa convicção. Orgulhosos de serem vietnamitas, os habitantes do sul mostravam diferentes valores dos do norte e só aceitavam a doutrinação, porque tinham receio. Fizeram como o bambu: assim que o vento forte de Hanói deixou de soprar em direcção ao comunismo, voltaram a endireitar-se e regressaram à sua dinâmica capitalista.

Atracção turística.

Tudo o que se relaciona com a guerra do Vietname (a segunda, porque a dos franceses ninguém recorda) continua a ser uma das grandes atracções turísticas da cidade e arredores, em especial durante o dia. O edifício da embaixada dos Estados Unidos na Avenida Le Dan, de onde se deu a última fuga, é dos locais mais visitados, em especial para tentar descobrir o telhado do edifício da Embaixada de onde saiu o último helicóptero americano, tornado famoso pelo fotógrafo holandês Hurbert Van Es. Ontem como há 16 anos não se pode entrar no complexo, mas apenas ver de fora. Em 1990 saí desolado por não reconhecer o telhado. Ontem foi só para confirmar que o espaço não tinha um qualquer arranha-céus e que ainda é atracção turística. O telhado do helicóptero não se divisa porque como Van Es acabou por confessar “a foto nunca foi telhado da Embaixada, mas o telhado de um edifício de apartamentos no centro da cidade que pertencia à CIA”.

Palácio, museu e túneis.

O Palácio da Reunificação (ontem visitado pelo Chefe do Executivo), antigo Palácio Presidencial do Vietname do Sul, mantém-se com o fausto de antes de 1975, desde o Salão de Baile à zona residencial. O mesmo se diga do Museu de Guerra, ou dos túneis de Cu Chi que mesmo recriados em Ben Duoc, bastam para dar uma ideia do engenho vietcong, que alegam ter escavado 250 quilómetros até à fronteira do Cambodja, o que este jornalista não pode confirmar ou desmentir. Imponente como sempre a Catedral de Notre Dame. Há 16 anos, para a Tribuna e o DN, tive oportunidade de entrevistar o Bispo de Saigão cuja ligação ao Vaticano era permitida por Hanói. Desta vez fiquei-me pelo exterior, aliás, bem conservado.

O dinamismo das gentes.

Mas a grande atracção turística de Ho Chio Min City, continua a ser o dinamismo das suas gentes, que parecem estar a bulir 24 horas por dia. Mesmo num dia de calor, é um espectáculo ficar uma hora sentado numa esplanada com um café à frente, a ver passar centenas de pessoas como se o seu futuro dependesse de cada segundo que passa.

Shopping como atracção.

Outra das atracções turísticas é o “shopping” em grandes centros comerciais, o que seria impensável há alguns anos. No centro da cidade, estão representadas as grandes marcas mundiais e há sempre vietnamitas a entrar e sair, em especial, em tudo o que se relacione com a moda feminina. Claro que também há pequenas lojas com produtos baratos, mas essas são frequentadas pelos turistas. Só eles, na realidade, usam as t-shirts, com “good morning vietnam!”. 

Parabéns a manuel silvério.

Já noite em Ho Chi Minh City soube-se da eleição de Manuel Silvério para a presidência da ACOLOP- Associação dos Comités Olímpicos dos Países de Língua Portuguesa. A opinião no seio da delegação da RAEM foi unânime em considerar um “justo reconhecimento” para o trabalho realizado pelo presidente do MEAGOC e do COJOL, e para a grande aposta dos Governos Central e da RAEM nas ligações com o mundo lusófono.