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Cuidado com o futuro

Foi ontem eleita a nova direcção da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP). Num justo reconhecimento, o timoneiro que levou a bom porto a organização dos primeiros Jogos da Lusofonia, Manuel Silvério, vai ser o sucessor de Vicente Moura na liderança da organização.

A escolha do actual primeiro vice-presidente do Comité Olímpico de Macau não deixa de ter uma carga política. Isto porque legitima, pelo menos no espaço lusófono, as aspirações de reconhecimento da RAEM junto do Comité Olímpico Internacional. Desta forma, o território abre uma nova frente de luta para esta reivindicação, paralela à excelente organização de várias provas desportivas de carácter internacional que tem vindo a levar a cabo.

No entanto, a própria ACOLOP tem vários desafios para o futuro, a que Manuel Silvério não pode virar as costas. Se a continuação dos Jogos da Lusofonia é óbvia, bem como a criação de sistemas de solidariedade olímpica entre os países mais fortes e aqueles que apenas começaram agora a dar os primeiros passos no desporto de alta competição, há uma outra meta, mais discreta, mas fulcral. Trata-se da absorção de novos países. É muito importante a definição de critérios, para evitar que, através de um gigantismo desmesurado de absorção das comunidades lusófonas, os Jogos da Lusofonia, em vez de aumentarem de nível de competitividade, se tornem nuns Jogos Florais.