O “homem-forte” da Comissão Organizadora dos Jogos da Lusofonia, Manuel Silvério, foi ontem eleito presidente da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa. Em entrevista ao JTM, o responsável falou da importância da escolha e fez um balanço “positivo” dos Jogos até ao momento
- Foi eleito presidente da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP) poucos dias depois de ter sido condecorado pelo Governo português. Sente-se cada vez mais um homem da lusofonia?
- Sim. Tanto mais numa altura em que esta palavra - “lusofonia” - foi muito fomentada e divulgada em Macau com a preparação e realização dos Jogos da Lusofonia. Atrever-me-ia a dizer que nós próprios, portugueses nascidos aqui, a quem, pela tradição ou pelos hábitos, nos chamam de “macaenses” (o que é politicamente errado), fomos agora encontrar uma designação - mais vale chamarem-nos de “lusófonos”.
- Foi difícil aceitar a presidência da ACOLOP?
- Enquanto lusófono e membro fundador da ACOLOP, Macau tem responsabilidades. O território, que organizou com sucesso os Jogos, não deve deixar cair os braços e deve ainda ser o motor dinamizador e contribuir muito nas próximas edições. A ACOLOP deve defender os Jogos, mas com uma maior abrangência, não só desportiva, mas também abrindo caminhos para a cultura, a ciência e a formação.
- Foi o sucesso desta primeira edição que o “catapultou” para a presidência?
- Não. A nova estrutura dirigente resultou de duas situações. Em primeiro lugar, da determinação da assembleia geral de que os mandatos se passam a iniciar após a organização dos Jogos da Lusofonia, em vez dos Jogos Olímpicos. Em segundo lugar, o Comité Olímpico de Portugal alertou que, pelo facto de ter obtido a organização dos segundos Jogos, ocuparia a presidência e a vice-presidência. Concluiu-se que tal desequilibrava a estrutura dirigente. Em relação a Vicente Moura, devo dizer que teve uma atitude de grande nobreza e desprendimento, ao anunciar que apenas iria ocupar a presidência até ao final do ano. E que propunha o meu nome para ocupar o cargo, algo que muito me honrou, sensibilizou e surpreendeu.
- A sua escolha é um reforço do papel de Macau como plataforma para a lusofonia?
- Sim. As coisas são óbvias. Perante este desejo unânime [dos membros dos outros comités olímpicos], Macau, através de mim, manifestou a sua total disponibilidade. Não podíamos recusar a responsabilidade de conduzir os destinos da ACOLOP. Vamos tentar pugnar pelo engrandecimento da associação, pelo reconhecimento pelo Comité Olímpico Internacional e pela reafirmação ao mundo da importância social da lusofonia. Macau, ao desempenhar essas funções, mais do que evidencia que as relações internacionais do território também se fazem pela via do desporto.
- Que balanço faz até ao momento dos Jogos da Lusofonia?
- O balanço é positivo. Tudo está a decorrer bem, de acordo com os nossos planos, quer no aspecto desportivo, cultural e social. Os resultados não estão a surpreender - são aquilo que todos estavam à espera. São jogos de nível olímpico. Há, sim, um grande desnível entre as representações. Mas esta é a primeira experiência. Cada comité olímpico apresentou os seus melhores. Por outro lado, houve muitas actividades culturais e foram dias de grande convívio social. A todos os minutos, estamos a verificar um intenso intercâmbio.
- A Macau, falta apenas uma medalha de ouro?
- É difícil Macau conseguir uma medalha de ouro, uma vez que, pela primeira vez, está a competir com selecções que, todas elas, já estiveram nos Jogos Olímpicos. É uma participação inédita. Daí que se trata da competição de mais alto nível em que Macau alguma vez participou. Ninguém pode ter dúvidas disso.
- É bom para estes Jogos, por serem os primeiros, que todos os países e territórios participantes já tenham obtido uma medalha?
- Sim. O mais importante no futuro dos Jogos da Lusofonia é ter a participação de todos os comités olímpicos nacionais nas reuniões, nas decisões e nas competições desportivas. Mas devemos trabalhar nos próximos tempos no sentido de reduzir o fosso no nível competitivo.