| BREVES |
À medida que “descemos” o Vietname, desapareceram as fotos e os bustos de Ho Chi Min, o “pai” do novo Vietname. Em Hanói, todos os gabinetes governamentais tinham fotos e bustos do “Tio Ho”, e, ao que apurámos, de manhã ainda se ouvem canções a apelar à defesa do regime. Em Danang tudo desapareceu e só os bandos de crianças com o laço vermelho de pioneiro, e alguns capacetes militares utilizados pelos civis, nos fazem lembrar o Partido Comunista. Em Ho Chi Min City (a antiga Saigão) tudo isso desapareceu. No gabinete da Sede do Comité Popular do Município da Cidade, nem vestígios de Ho Chi Min, nem conversa ideológica; nas avenidas e ruas, tudo vestido e atitudes que se encontram em qualquer moderna cidade, de Tóquio a Macau.
Danang, o mais famoso conjunto de praias do Vietname, é alvo de uma aposta muito importante na estratégia de abertura externa e de crescimento económico interno do país. A sua privilegiada situação geográfica no centro do país, e o porto de águas profundas, só ultrapassado por Saigão, permite que dali saia um “corredor” viário que permite ligar o Oceano Pacífico ao Oceano Índico, passando do Vietname pelo Laos, Tailândia, até Myanmar (a antiga Burma). Mais abaixo o Cambodja também fica perto.
Daí que em Danang estejam já estabelecidas cinco zonas industriais especiais, onde os investidores gozam de benefícios fiscais. São zonas criadas à imagem e semelhança das ZEE’s da China, onde só entra quem tem autorização especial. Embora as ambições sejam muito maiores, já operam 5400 unidades industriais, quase todas com investimento externo e muitos trabalhadores. Os números de 2005 sobre a produção dessas unidades supera em 15,61 por cento os do ano anterior.
O
Chefe do Executivo da RAEM visitou a fábrica de brinquedos Keyhinge,
com 10 mil trabalhadores e cuja produção é destinada a
multinacionais como a McDonald’s e MM. Trata-se de uma gigantesca fábrica
de capitais de Hong Kong só com trabalhadores femininas, a ganharem cerca
de 90 dólares por mês, isto é, algo menos do que se ganha
nas ZEE’s da China, o que poderá ter motivado “a deslocalização”
de unidades que anteriormente teriam ido para a RPC.
Com clientes norte-americanos, a empresa é muito cuidadosa em assinalar que não existe trabalho infantil, há estritas regras de segurança e de sanidade, incluindo a ventilação. Tudo isto surge em grandes cartazes na parte de fora da fábrica. O pouco tempo que estivemos na unidade não nos permite saber se no interior estes regulamentos são realmente seguidos à recta.
VIVA MACAU “ENTRA” NO VIETNAME.
Mas
o turismo será sempre uma grande prioridade de Danang. Os quilómetros
de boas praias de areia branca atraíram os investidores estrangeiros
para resorts de grande qualidade, e não surpreende que os mercados da
RAEM e do sul da China sejam apetecíveis. Daí que ontem, o Furama
Resorts, o mais luxuoso dos resorts balneares, e a Viva Macau tenham assinado
um acordo com que se pretende ligações directas, charters e depois
regulares, entre Macau-Danang e Ho Chi Min City. Para passageiros e carga, naturalmente...
QUATRO SITES PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE.
O turismo cultural é também muito importante. Danang fica perto de quatro locais reconhecidos pela Unesco como “Património da Humanidade”. Um é a cidade imperial de Hue, que ficou na história recente por um célebre “festival Tét”, que alterou o pensamento norte-americano sobre a guerra; depois o Centro da civilização Champa, com um interessante museu na cidade de Danang; já mais afastadas as Caves da Provincia Quang Binh. Isto para não falar do “trilho Ho Chi Min” com que o vietcong alimentava o seu avanço em direcção a Saigão.
O quarto local na lista da Unesco foi ontem visitado demoradamente por Edmund Ho - a aldeia de Hôi An. Debaixo de calor escaldante, que levou o CE a pedir um chapéu, ficou evidente o fulgor da cidade que estava inserida nachamada “Rota da Seda” e cujo porto recebia navegadores dos mais diferentes países. Com a paciência do costume, Edmund Ho fez as delícias dos fotógrafos.
J.R.D.