Com hotéis de grande qualidade, Hanói não tem quaisquer atractivos para receber turismo de qualidade, o único que deixa dinheiro nos cofres do Estado e dos particulares. O Museu de Literatura, também conhecido como a primeira Universidade, e onde se celebra a figura de Confúcio é o local mais visitado pelos turistas, em especial, quando, como agora acontece, o Mausoléu de Ho Chi Min se encontra temporáriamente encerrado para obras de beneficiação. Depois disso, nada mais de especial a não ser o estilo francês da maior parte das residências das longas avenidas, meia dúzia de restaurantes típicos de comida vietnamita, e uma vida nocturna que fecha cedo e só num ou noutro hotel tem o atractivo da música ao vivo. Não espanta, assim, que a maioria dos turistas seja atraído pelo sabor europeu das avenidas, que percorrem a pé, ou de bicicleta, trajando calção, t-shirt, sandálias e a mochila às costas. Aquilo que na Europa se costuma chamar de turistas pé descalço e que é o flagelo da indústria, pois poucas divisas traz ao país.
A colonização francesa acabou em meados dos anos 50, em pleno período do fulgor da Indochina e de Hanói, o seu principal centro económico e político. Por isso, as autoridades do então Vietname do Norte tiveram acesso a magníficos edifícios de traça mediterrânica. As pontes sobre o Rio Vermelho, uma das quais com a assinatura de Eiffel, sofreram fortes bombardeamentos americanos no Natal de 1972, mas está tudo de pé. Os B52 de Nixon não atacaram o centro da cidade, pelo que as residências apalaçadas das principais avenidas não foram destruídas e com o tempo foram mesmo recuperadas. A residência oficial e de trabalho do Primeiro-Ministro, paredes meias com a praça onde se encontra o Mausoléu de Ho Chi Min, surge imponente num vasto parque ajardinado. O edifício é novo, imitando o estilo colonial dos edifícios que o rodeiam, esses sim com décadas de história.
O Vietname tem um jornal em inglês - o oficial Viêt Nam News - aliás já conhecido pela sua página na internet, que é fonte habitual de pesquisa no JTM. Trata-se de um jornal distribuído nacionalmente, com 16 anos de existência e que ontem apresentava 28 páginas, de impressão muito duvidosa - tudo indica que ainda nem sequer chegou à era do off-set. Na primeira página, a visita de Edmund Ho tem todo o destaque com foto a cumprimentar o vice-Primeiro Ministro e ministro dos Negócios estrangeiros, Pham Gia Khiêm. Visiting Macao administrator promotes greater co-operation diz o título de uma longa peça que passa para a página dois, e onde se destaca frases do governante local, acentuando que o Vietname e Macau necessitam de fazer mais para promover a cooperação, e que a visita pode ser importante para abrir os mercados do sul da China e dos países lusófonos às empresas vietnamitas. O único diário em língua francesa Le Courrier du Vietnam, afina pelo mesmo diapasão. Renforcer la cooperation Vietnam-Macao é o título de uma peça que surge na página três, com foto de Edmund Ho e Pham Gia a assinarem o protocolo. Os telejornais dos canais de televisão deram larga cobertura à presença do Chefe do executivo, demonstrando o interesse do governo de Hanói, uma vez que são estatais.
Já se realçou a herança
francesa da baguette e do croissant. À
saída de Hanói, manhã cedo, os jornalistas depararam-se
com um problema burocrático e houve enorme demora. Um dos colegas de
Macau, com mais iniciativa e com receio de não tomar o pequeno
almoço, foi ao buffet e trouxe um tapau de
pão variado que partilhou com os colegas. Uma hora depois, tinha
desaparecido...
MOTORISTA COM PASSADO EUROPEU.
O senhor Hai, o motorista do autocarro que esteve ao serviço dos jornalistas na primeira fase da visita (Hanói e arredores) fez questão em falar do seu passado europeu, ao serviço do embaixador do Vietname em Madrid e Roma, o que lhe permite dizer algumas palavras em espanhol e italiano. Gostou muito de Milão, do Vaticano e de São Marino, mas terá sido em Roma que mais lhe valeu a condução que se habituou nas ruas de Hanói. No verdadeiro caos que é o trânsito da capital, o sr Hai conseguiu transportar-nos quase três dias sem bater em ninguém, embora as tentativas dele e dos outros tivessem sido muitas. Mas para falar verdade só vimos três acidentes com motorizadas e em nenhum deles houve feridos sérios, embora as máquinas ficassem bastante enroladas.
A manhã de ontem foi de grande relax
pois incluiu um passeio de barco pela baía de Halong, onde se encontram
inúmeras ilhas com rochedos, alguns dos quais com cavernas. Os
fotógrafos fizeram o gosto ao dedo, e o Chefe do Executivo não se
fez rogado perante as solicitações. Para trás tinham
ficado mais de 150 quilómetros de aflição no
trânsito, seguindo-se depois mais de uma hora até à cidade
de Haipong onde se encontrava o avião da Air Macau que
trouxe a comitiva até Danang.
E por falar na Air Macau, lá vem uma vez mais à baila a incompreensão da empresa na estratégia oficial da RAEM. Numa visita em que tanto se tem falado na lusofonia, o Airbus que chegara horas antes de Macau, apenas trouxe um par de jornais de língua portuguesa - aliás só vi a Tribuna. Ora na delegação há muitos empresários portugueses e luso-falantes, justificando-se assim que houvesse mais exemplares. Mas deve ser para poupar dinheiro, para poder distribuir o Hongkong Standard...