CHEFE DO EXECUTIVO PROMETE EM HANÓI
RAEM vai ajudar vietnamitas a estudarem Português em
Macau
Nas reuniões com os mais altos dirigentes vietnamitas, Edmund Ho “abriu as portas” dos mercados lusófonos através da RAEM e prometeu subsidiar os alunos vietnamitas que queiram ir estudar a Língua Portuguesa para a Universidade de Macau

Neste
momento, aliás, já há dois alunos vietnamitas nessas condições,
mas segundo o Reitor da Universidade, Iu Vai Pan, disse ao JTM, as orientações
do Chefe do Executivo vão no sentido de aumentar rapidamente esse número.
“Amanhã (hoje) vou ter um encontro com o Reitor da Universidade de Hanói, e encontrar formas para dar resposta imediata a essa situação” salientou, explicando que “há já uma turma de alunos a aprenderem português, anteriormente com um leitor do IPOR e que hoje é ensinada por um professor local, e a ideia é levar toda a turma para estudar no Departamento de Português da Universidade de Macau”.
A extensão aos sectores económicos do Vietname da RAEM como “plataforma de negócios” com os países de Língua Oficial Portuguesa, já salientada pelo Chefe do Executivo à saída de Macau, foi “o coelho” tirado “da cartola” por Edmund Ho nos vários encontros que, ontem, manteve com os mais altos dirigentes vietnamitas.
Pouco mais de uma década de reformas, e a abertura económica ao exterior, fazem com que a economia vietnamita necessite de mais investimentos e novos mercados. Para os investimentos, Hanói olha para os empresários de Macau e do sul da China como investidores potenciais (à imagem e semelhança de alguns já a operarem no país); como novos mercados, os dirigentes vietnamitas mostraram-se sensibilizados com a abertura demonstrada pela RAEM em funcionar como “porta de entrada” nas províncias do sul da China e nos mercados lusófonos.
Isto ajuda o comércio externo do Vietname, mas reforça também o papel de Macau como “interlocutor privilegiado”, quer na área económica, quer noutras áreas, a montante e a jusante. O ensino da Língua Portuguesa foi, de imediato, considerado como prioritário, uma vez que o Vietname precisará de quadros para “trabalharem” nos países de língua portuguesa.
GRUPO DE TRABALHO. No final de um dia-maratona de encontros oficiais, Edmund Ho resumiu, para os jornalistas de Macau que o acompanham, que esta visita já “é um marco histórico na cooperação entre Macau-China e o Vietname”.
Salientando que a diplomacia da RAEM “é a diplomacia do Governo Central da República Popular da China”, o Chefe do Executivo voltou a assinalar a importância da extensão ao Vietname do papel da RAEM na ligação com os países da lusofonia, mas frisou que o protocolo de cooperação ontem assinado com o vice-primeiro ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Pam Gia Khiem, vai mais além, “estendendo-se por seis áreas”.
“Economia e comércio, investimento, mão de obra, educação, turismo e cultura” são as áreas definidas para essa cooperação cuja concretização vai ser imediatamente estudada através de “encontros entre dirigentes do Vietname e RAEM, para ser formalizado um grupo de trabalho que implemente cada uma destas áreas”.
Respondendo aos jornalistas, Edmund Ho disse estar “muito optimista quanto aos resultados, pois é uma cooperação muito diversificada e importante para ambos”.
Na maior parte das áreas há ainda poucos passos concretos, todos reconhecem.
De qualquer modo, e para além dos alunos de português já mencionados, o JTM soube que “muito em breve” vai chegar à RAEM uma delegação de empresários privados e governamentais, de Danang, que “vão recolher informação e estabelecer contactos com entidades públicas e associações empresariais” no sentido de encontrarem os mais convenientes “nichos de mercado” nas duas componentes - sul da China e países lusófonos.
Lee Peng Hong, presidente do IPIM sublinhou-nos que “segundo o acordo agora assinado vamos fornecer toda a informação de que dispomos e os empresários vietnamitas vão passar a estar presentes na Feira Internacional de Macau”.
IMPORTAÇÃO DE MÃO DE OBRA. Uma das seis áreas referidas no protocolo - a de mão de obra - causou dúvidas aos jornalistas de Macau que questionaram o Chefe do Executivo sobre o tipo de cooperação que se previa.
Edmund Ho começou por detalhar que a população vietnamita (85 milhões, segundo os dados ontem fornecidos) “é muito jovem (70% tem menos de 50 anos) e 90 por cento têm boa formação escolar, pelo que a RAEM pode atrair alguns destes elementos para suprir as falhas de recursos humanos que eventualmente se venham a fazer sentir”.
O Chefe do Executivo alertou que “a política do Governo da RAEM é em primeiro lugar dar emprego aos residentes locais”, mas reconheceu que “temos que ter pessoas de diferentes nacionalidades e o Governo não hesitará em importar pessoas de outros países, desde que isso seja fundamental para manter o nível de crescimento económico”. Ao que apurámos, em termos de IT- Inovação Tecnológica, a população vietnamita apresenta condições consideradas por Macau como “muito interessantes”, para suprir falhas que possam existir no futuro da RAEM.
PM ELOGIA “UM PAÍS DOIS SISTEMAS”. Com poucos meses no lugar, o Primeiro Ministro vietnamita, Nguyen Tan Dung, foi um dos interlocutores de Edmund Ho, ao final da tarde de ontem. Considerado como “reformista”, só não foi surpreendente ouvi-lo elogiar o princípio “um país, dois sistemas”, como responsável pelo bom momento que a RAEM atravessa, porque, depois de vários anos ligado à URSS, o regime de Hanói está agora definitivamente “conquistado” pelas teses de Deng Xiao-ping .
Mas disso falaremos nos próximos dias quando visitarmos as zonas económicas especiais do Vietname...