comentário

Mérito desportivo

Timor-Leste já tem uma medalha. É de bronze. Apesar de não estar ainda contabilizada no medalheiro oficial, já está atribuída. Refere-se ao voleibol feminino, onde apenas Portugal, Macau e Timor-Leste apresentaram equipas - amanhã, as formações lusa e da RAEM decidem o vencedor.

À primeira vista, esta pode surgir como uma medalha “simpática”, sem grande mérito desportivo. Afinal, estaria sempre garantida e Timor-Leste perdeu ambos os encontros. Pelo contrário, é uma das distinções mais importantes destes primeiros Jogos da Lusofonia. Mais do que um país em extremas dificuldades, que fez grandes esforços para estar presente em todas as modalidades dos Jogos (ao contrário de outros, com muito melhores possibilidades), premeia pessoas.

Na equipa de Timor-Leste, todas as jogadoras são casadas. Metade vive em campos de refugiados. As próprias sapatilhas saíram dos seus bolsos. Nenhuma pensa jogar na etapa de Macau do Grande Prémio Mundial de Voleibol Feminino ou sequer ser profissional. No entanto, o seu empenho merece a medalha. Porque elas demonstram verdadeiro amor à modalidade, sacrificando-se apenas para estarem presentes nos Jogos da Lusofonia. “Falta-nos tudo no voleibol feminino em Timor-Leste”, diz o treinador da equipa, Cândido da Silva. Engana-se: já tem um lote de campeãs.