à mArgem

ACABARAM-SE AS “AVENTURAS”?

Sinal dos novos tempos, a verdade é que viajar na “Vietnam Airlines” já não é o que era, em décadas anteriores. Os decrépitos aviões de fabrico soviético que serviam a companhia estatal, deram lugar aos modernos Airbus, ainda por cima a demonstrarem adequada manutenção. O que então era uma “aventura” que permitia prosa ao jornalista estrangeiro, é agora a mais sensaborona das viagens, ainda por cima com partida e chegada a horas.

LIGAÇÃO DIRECTA COM OS EUA.

Formada em 1953, com base no corpo de aviação militar (o que não foge à tradição europeia e americana) a “Vietnam Airlines” voa hoje internamente para dezenas de aeroportos, e internacionalmente para a Ásia, de Pequim a Sidney, e para a Europa- Moscovo, Frankfurt e Paris. Segundo publicações da empresa, no próximo ano, abrirá uma linha directa com a América, muito possivelmente São Francisco.

JACTO NORTE-AMERICANO.

Mesmo para os que estão familiarizados com a aproximação entre vietnamitas e norte-americanos, não deixou de ser interessante poder ver um pequeno jacto com as cores do Estado norte-americano estacionado em Hanói, ao lado de outros aviões comerciais. Sem qualquer segurança especial...

AEROPORTO EM OBRAS.

Não se pode dizer que o Aeroporto de Hanói tenha acompanhado o ritmo do crescimento económico do país (que passa por outras “saídas” com o exterior) mas são evidentes as melhorias recentes e o plano de obras de alargamento, contudo, sem qualquer sentido estético que por exemplo se encontra no Aeroporto Internacional de Macau. O acto de para os voos internacionais só haver um “carroussel” para as bagagens, diz tudo sobre o estado em que ainda se encontra a infra-estrutura.

FORMALIDADES MÍNIMAS.

A simpatia dos vietnamitas, essa mantém-se, e parece até ter-se reforçado com a vontade de atrairem turistas e investimentos. As formalidades no Aeroporto estão reduzidas ao mínimo, não porque a papelada não as requeresse, mas porque os funcionários nem olham, procurando “despachar” as pessoas o mais depressa possível. Nem tudo, porém, corre sobre rodas. No balcão do “Banco para o Desenvolvimento e Investimento do Vietname”, que supostamente trocava dinheiro, os dois funcionários não aceitaram fazê-lo, um porque estava “agarrado” ao computador, enquanto a outra escrevia em papel de carta, sabe-se lá a quem...

ONDE O CROISSANT É REI.

Como estamos todos habituados ninguém se surpreendeu que o transporte do Aeroporto para o hotel chegasse quase uma hora atrasado. Oportunidade aproveitada pelos jornalistas de Macau para apreciarem os serviços do bar do Aeroporto, onde café só há “vietnam style”. Os 12 jornalistas de orgãos da comunicação social da RAEM (só dois portugueses - Mariana Palavra da TDM e o JTM) ficaram no mínimo a perceber a importante influência francesa, já que o “croissant” é rei nas sanduiches...

IMITANDO O SUL DA CHINA.

A auto-estrada do Aeroporto para Hanói está em operação, mas com zonas em construção. Para além da auto-estrada é a única via alcatroada que se divisa - o resto são ainda campos de cultivo, que segundo as últimas estatísticas asseguram o rendimento a dois terços dos 83 milhões de vietnamitas, o que permite alguns equilíbrios a nível da sociedade. De qualquer modo a fuga para a cidade é uma realidade da última década e, apesar do controlo do partido comunista, será difícil que não se aprofunde. Curiosamente as construções de casas particulares seguem muito o estilo de pequenos “caixotes” de dois ou três andares que também se vêem a bordejar a auto-estrada Zhuhai-Cantão.

INVESTIMENTO EXTERNO.

O investimento externo é visível apesar das poucas horas em que aqui estou. República Popular da China, Taiwan, Hong Kong, Coreia e Japão são óbvias presenças de investimento nas unidades industriais que permitiram melhorar o nível de vida da população. As bicicletas já foram quase totalmente postas de parte e as motorizadas são “rainhas” das estradas, mas os carros já começam a competir.