A visita oficial que Edmund Ho hoje inicia o Vietname parece ter dois objectivos principais: abrir portas aos empresários de Macau no sentido de aproveitarem as oportunidades criadas pelas reformas levadas a cabo pelo partido comunista vietnamita, e promover a nova fase do turismo de Macau
Começa hoje, em Hanói, uma
deslocação oficial do Chefe do Executivo da RAEM que até
ao final de quinta-feira, à frente de uma forte delegação
das áreas do turismo e investimento, vai percorrer o Vietname de norte a
sul.
São quatro dias em passo acelerado, como é hábito de Edmund Ho, destinados ao que parece, a reforçar os laços de mútua cooperação económica entre Macau e o Vietname, um país em fase de grandes mudanças socio-económicas e políticas.
Hoje decorre a fase mais política da
visita. Edmund Ho vai ter um encontro com o vice-Primeiro Ministro e ministro
dos Negócios Estrangeiros, Pham Gia Khiem, estando mesmo prevista a
assinatura de um memorando entre os dois dirigentes cujo conteúdo, por
enquanto se desconhece.
Os dias seguintes - em Danang e Ho Chi Minh - são centrados em acções concretas de promoção na área económica, quer pela realização de seminários sobre o investimento e desenvolvimento do turismo, que dão a ideia de pretenderem abrir portas aos empresários da RAEM para oportunidades de negócios no Vietname, e uma acção de promoção de turismo da RAEM, certamente no sentido contrário, isto é, procurando aliar a nascente classe média vietnamita, a visitar a nova Macau.
Pelo meio, a República Socialista do Vietname vai tentar mostrar à delegação de Macau, a sua nova realidade. Desde há 10 anos, na realidade que Hanói, desaparecidas as ajudas do bloco soviético, decidiu adoptar a filosofia reformista de Deng Xiao-ping, e apesar do ritmo mais lento que o vivido na China após o início da década de 80, já revela um notável crescimento económico.
São pois duas realidades económicas e sociais bastante semelhantes que se vão encontrar, pois quer o Vietname, quer a RAEM têm pela frente desafios e oportunidades, provenientes de fases diferentes de crescimento económico. Como se vão articular os interesses de ambos, isso é o que só se saberá depois de conhecer o teor do acordo de cooperação e em especial, a prática das comunidades empresariais (privada a de Macau, predominantemente pública a do Vietname)
Para além do Chefe do Executivo, integram a delegação de Macau, o vice-presidente da AL, Lau Cheoc Va, o Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, o director dos Serviços de Turismo, Costa Antunes, o presidente do IPIM, Lee Peng Hon, o reitor da Universidade, Iu Vai Pan, o presidente do IACM, Lau Si Io, a vice-presidente, Alice Wong, o director do GCS, Victor Chan, a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Forum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países Lusófonos, Rita Santos e Ho Kuai Leng, membro do Conselho de Administração da Fundação Macau, para além de elementos de serviços de apoio do governo.
Vietname interessado nos mercados lusófonos
À partida para o Vietname, o Chefe do Executivo da RAEM revelou aos jornalistas que o aguardavam no Aeroporto que o Governo daquele país manifestou muito interesse no papel de Macau no seio do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Edmund Ho disse ainda esperar que a visita oficial ao Vietname possa contribuir para o aproveitamento de Macau como plataforma de entrada de empresas daquele país no mercado dos países lusófonos.