ATLETISMO PORTUGUÊS SEM PRESSÃO para as MEDALHAS
“Convívio é mais importante”

Os atletas portugueses que estão em Macau para as provas de atletismo dos Jogos da Lusofonia “não estão pressionados” pela conquista de medalhas, mas para representarem bem Portugal

“São os primeiros jogos da Lusofonia. A época de atletismo começou há pouco tempo e o que é fundamental neste momento é este importante movimento para a lusofonia, que é a cooperação através do desporto”, disse Fernando Mota, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo.

O mesmo responsável garantiu “ser perverso” estar a falar ou discutir medalhas, porque os Jogos são uma grande iniciativa e “há que dar passos para corresponder à importância do movimento, embora, naturalmente, treinadores e atletas quererão sempre fazer bons resultados”.

“O convívio é mais importante, ou pelo menos deverá ser dominante, nesta primeira edição”, afirmou.

Sem problemas físicos nos 48 atletas portugueses presentes em Macau, excepção feita para a “pequena entorse perfeitamente recuperável” de Maria do Céu Nunes - que irá correr nos 800 metros -, Portugal tem enfrentado apenas os elevados índices de humidade e o calor que “dificultam a recuperação para o trabalho seguinte”.

“Os atletas estão a fazer um esforço suplementar devido ao calor e humidade a que não estão habituados”, sublinhou ainda Fernando Mota.

Em Macau para correr a meia-maratona, a campeã olímpica portuguesa Fernanda Ribeiro tem efectuado dois treinos diários na zona envolvente ao hotel da delegação na ilha da Taipa e sente “muita dificuldade devido ao calor e humidade”.

Sem conhecimento do percurso que vai fazer na prova, Fernanda Ribeiro desconhece também o valor das suas adversárias, mas sublinha que as atletas brasileiras “deverão estar bem, porque é uma época do ano onde no Brasil existem muitas provas de fundo e meio-fundo de estrada”.

Nelson Évora, o recordista nacional do triplo salto, referiu, por sua vez, que o seu nível “não é o melhor” e por isso está em Macau para “competir a um nível médio” e para “fazer amigos” dentro das delegações participantes.

“Não estou nada preocupado com medalhas e quero fazer o melhor possível, esperando que a prova me corra bem”, disse.

Já Sandra Teixeira, detentora da melhor marca do ano em 1.500 metros e campeã nacional dos 400 metros, vai participar nos 1.500 metros e na estafeta 4X400 metros com a consciência de que a “forma física não é a melhor”.

“Começamos a treinar há um mês e viemos para Macau com um mínimo de preparação”, disse, também salientando que a humidade e o calor têm dificultado a missão dos atletas.

“Quero cumprir e fazer meu melhor para representar bem o meu país, mas as condições climatéricas deixam-nos muito cansadas”, sublinhou.

Edivaldo Monteiro, várias vezes campeão nacional, está inscrito nos 400 metros barreiras e na estafeta 4x400 metros e espera ainda autorização para fazer os 400 metros, não tendo ainda feito férias para preparar os Jogos da Lusofonia.

“Espero fazer um recorde pessoal, e se tudo correr bem, tenho condições para ir ao pódio nas três provas. Espero que o calor e a humidade não interfiram muito na minha prestação”, concluiu.