EQUIPA LUSA VAI DEFRONTAR MOÇAMBIQUE NAS MEIAS-FINAIS
Portugal cumpre com Guiné
mas fica longe de deslumbrar

A selecção portuguesa somou ontem a segunda vitória em igual número de jogos, ao bater a Guiné-Bissau, por 3-0. Amanhã, os pupilos de Carlos Dinis vão enfrentar Moçambique, em encontro aw contar para as meias-finais do torneio de futebol dos Jogos da Lusofonia

EMANUEL GRAÇA

Sem dificuldades, mas também sem grande brilho. Foi assim a vitória de ontem da selecção portuguesa de sub-20, sobre a Guiné-Bissau, por 3-0. A formação guineense, apesar da menor estatura física e de alguma imaturidade técnica, surpreendeu o público que se deslocou ao Campo Desportivo da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, pela forma como se entregou ao encontro, tendo mesmo a oportunidade de fazer o tento de honra por duas vezes.

O encontro da noite de ontem, que encerrou a fase de grupos do torneio de futebol, começou com uma prova desportivismo por parte dos cerca de 300 espectadores, com todo o público a ouvir de pé os hinos de ambas as equipas. No relvado, a situação era outra: durante os primeiros minutos, apesar da maior técnica portuguesa, o sinal positivo pertenceu à Guiné-Bissau. Com boa troca de bola, faltou, porém, sempre o essencial: objectividade.

Face à boa réplica do adversário, Portugal demorou mais tempo do que muitos esperavam até marcar o primeiro golo. Apenas aos 29 minutos, por intermédio de um lance de bola parada, a que Diogo Tavares correspondeu da melhor forma, é que a formação lusa inaugurou o marcador.

O golo não melindrou a Guiné que, poucos minutos depois, dispôs de uma boa oportunidade. Na resposta, na melhor jogada do encontro, que nasceu de um toque de calcanhar seguido de uma desmarcação rápida, Portugal ampliou a vantagem, novamente por Diogo Tavares, através um remate cruzado.

Com a margem ampliada, os pupilos de Carlos Dinis voltaram a demonstrar alguma desconcentração, como acontecera no encontro da véspera, com S. Tomé e Príncipe. Um lance caricato e exemplificativo aconteceu aos 42 minutos, quando Zequinha escorregou na marcação de um canto, colocando a bola directamente para fora.

No segundo tempo, a Guiné entrou a pressionar, mas sempre de forma inconsequente. Nos primeiros dez minutos, a aposta em cruzamentos aéreos para a área portuguesa soava quase a anedota, tal era a diferença de estatura entre os centrais lusos e os avançados guineenses.

Com o passar do tempo, jogo foi decaindo de qualidade. Portugal preocupava-se essencialmente em gerir a vantagem e a Guiné-Bissau insistia em demasia nos lances individuais. No entanto, a entrada de Bruno Gama para o ataque luso veio dar nova vitalidade à equipa que, aos 89 minutos, fixou o resultado, através de um contra-ataque finalizado por Zequinha.

RODAR A EQUIPA. Na opinião de Diogo Tavares, o homem do jogo, com dois golos marcados, o segredo da vitória lusa esteve na rotação da equipa em relação ao encontro com S. Tomé e Príncipe. “O calor é imenso e é difícil para qualquer jogador disputar duas partidas seguidas em dias consecutivos”, explicou, frisando ainda as dificuldades de adaptação ao fuso horário.

Quanto à partida, o avançado do Génova, de Itália, considerou que foi mais difícil do que o esperado. “A Guiné-Bissau é uma equipa muito aguerrida, que trabalha muito e corre bastante”, elogiou.

O próximo adversário de Portugal é agora Moçambique, nas meias-finais. Para o técnico português, Carlos Dinis, este é um adversário “mais organizado e criativo”. No entanto, o objectivo está definido: “Pretendemos chegar à final”.

Guiné-Bissau à procura de um projecto de formação

No final da partida de ontem, o treinador da Guiné-Bissau, João Domingos Nissão, era um homem resignado. Com a sua formação afastada das meias-finais e com duas derrotas em igual número de jogos, o treinador considerava que a equipa “tentou fazer o melhor, mas a experiência não chegou”. Entre os motivos, o técnico apontou a juventude do plantel e a falta de competitividade dos jogadores. “O campeonato da Guiné é muito fraco em termos desportivos”, desabafou aos jornalistas. Apesar disso, João Domingos Nissão tem esperança no futuro. “Temos um centro, que há vários anos vem trabalhando junto das camadas jovens - falta agora o comité olímpico, em conjunto com a federação, apostar neles e dar-lhes seguimento”. No entanto, mesmo fora das quatro linhas, Portugal surge como um adversário de peso. “Temos formado vários valores, mas muitos estão a optar por jogar pela selecção portuguesa, porque lhes dão melhores condições”, explicou. Os exemplos são vários: a Ivanildo e Yannick Djaló, dois jovens de ascendência guineense a envergar as cores lusas, pode juntar brevemente outro: o “capitão” Rivaldo, que joga pelo Sporting. João Domingos Nissão quer evitá-lo.