PELOS  TRIBUNAIS
A culpa foi dos “copos” no “night-club”...

Dos três acusados, o namorado da arguida e principal suspeito não compareceu. Os que estiveram no TJB não confirmaram ter injuriado ou entrado em confronto físico com os agentes, mas também não o negaram. “Culpam” é “os copos” bebidos num clube nocturno...

ADALBERTO BARROS

Seis anos depois, subiu ontem a julgamento um caso em que três arguidos estão acusados pelo Ministério Público de injúrias a agentes da Polícia de Segurança Pública.

Na sessão, apenas estiveram presentes dois dos três arguidos sendo o principal, de apelido Fei, julgado à revelia por razões que não foram divulgadas.

Os arguidos Hung e Kun, que poderiam optar por não fazer declarações na abertura da sessão, decidiram contar ao tribunal o que se passou “na noite de festa” que os levou aos calabouços.

Natural de Macau, o arguido Hung, denominado pela acusação como “o segundo arguido”, começou por revelar que nessa noite os três amigos tinham estado num clube nocturno “onde ingerimos muito alcool” e depois “decidimos ir à Taipa para beber chá, o que fizemos no meu Mercedes”. Segundo contou, a certa altura notou que o casal começou a discutir, embora não tenha percebido as razões do início da discussão.

Este arguido que já foi condenado a dois anos e três meses de prisão “por crime de extorsão”, e respondeu em tribunal “por crimes de excesso de velocidade”, disse que a certa altura, a gritaria aumentou e ele abrandou o carro para encostar, altura em que o Fei abriu a porta e começou a sair, embora a viatura  ainda não estivesse totalmente parada.

A arguida Kun, que é sua cunhada, primeiro tentou que o namorado não saísse do carro, mas quando este parou, também saiu para o acalmar pedindo-lhe que regressasse ao carro.

O Fei, contudo, não esteve pelos ajustes e mandou parar um táxi, na intenção de ir embora sózinho.

Hung contou ainda que o casal continuou a discutir, “não sei porque razão” e a certa altura apareceu a polícia, momento em que se lembra ter visto o  arguido Fei a pontapear o taxi. “Nessa altura saí também e meti-me na discussão para apaziguar a situação”.

Instado a pronunciar-se sobre as palavras obscenas dirigidas aos agentes, referidas pela acusação, o arguido admitiu não se lembrar de as ter proferido, mas admitiu a hipótese de o ter feito, porque, segundo disse “estava embriagado e muito descontrolado”.

Hung referiu ainda também não ter tido consciência da ordem de detenção -”estava bêbado”, reconheceu, afirmando lembrar-se apenas de “ter visto o amigo Fei a ser detido”. Não contrariou a possibilidade de “ter sido conduzido à esquadra por dirigir palavras menos bonitas”, ou de ter tido “confrontos físicos com os agentes”, e candidamente confessou que se estivesse lúcido não teria agido contra os agentes da autoridade porque, na sua opinião, “a polícia é para ser respeitada”.

A arguida de apelido Kun, natural da China e residente em Hong Kong, não contou história muito diferente. Nas suas palavras, disse que “enquanto discutia com o meu namorado Fei, ele saiu do carro e quando tentei pedir-lhe que não nos abandonasse, a polícia apareceu porque o Fei estava aos berros”.

Questionada sobre uma alegada agressão a um agente da PSP, a arguida lembrou-se que fez “alguns arranhões e puxões aos policias, porque estavam a algemar o meu namorado”, mas não tem ideia “de ter dado um pontapé a qualquer agente”. 

Na versão da polícia, um agente da PSP disse que a patrulha interceptou os arguidos porque estes demonstravam um comportamento fora do normal. Falando na condição de testemunha, o agente revelou que “ao passar na avenida Sun Yat Sen, reparámos que um indivíduo estava aos pontapés a um taxi, e quando me aproximei e ainda sem dirigir qualquer palavra ele (o arguido Fei) começou a proferir palavras injuriosas, ofensas que foram reforçadas pelo arguido Hung”.

O agente disse ainda que, inicialmente, nem sequer tinham pensado em detê-los, mas apenas acalmá-los, por perceber que estavam embriagados pois como salientou “o bafo notava-se à distância”. “Pedi-lhes insistentemente para pararem com as ofensas, mas os arguidos não pararam”, pelo que chamámos por reforços e “tivemos mesmo que os prender”.

O taxista envolvido, por sua vez, explicou que parou para receber um cliente e que havia uma mulher aos gritos. Quando tentou arrancar, “um Mercedes bloqueou-lhe a passagem e aumentou a confusão”. O cliente (Fei) dizia-lhe para “eu o levar ao Terminal Marítimo, e os outros diziam-lhe para eu estar parado”.

Como o Fei viu que o taxista não conseguia levá-lo, começou aos pontapés ao carro, provocando danos materiais de cerca de três mil patacas, e pior que tudo provocando-lhe pânico. “Fiquei mesmo com medo” desabafou, para concluir que “a certa altura, vi uma aberta e fugi com o táxi”, só aparecendo mais tarde depois de ver que a polícia estava a tratar do assunto.

Neste julgamento, o Colectivo de Juízes foi presidido pela Drª Sam Keng Tan e a sentença será lida no final do mês.