Dos três acusados, o namorado da arguida e principal suspeito não compareceu. Os que estiveram no TJB não confirmaram ter injuriado ou entrado em confronto físico com os agentes, mas também não o negaram. Culpam é os copos bebidos num clube nocturno...
Seis anos depois, subiu ontem a julgamento um caso em que
três arguidos estão acusados pelo Ministério Público
de injúrias a agentes da Polícia de Segurança
Pública.
Na sessão, apenas estiveram presentes dois dos três arguidos sendo o principal, de apelido Fei, julgado à revelia por razões que não foram divulgadas.
Os arguidos Hung e Kun, que poderiam optar por não fazer declarações na abertura da sessão, decidiram contar ao tribunal o que se passou na noite de festa que os levou aos calabouços.
Natural de Macau, o arguido Hung, denominado pela acusação como o segundo arguido, começou por revelar que nessa noite os três amigos tinham estado num clube nocturno onde ingerimos muito alcool e depois decidimos ir à Taipa para beber chá, o que fizemos no meu Mercedes. Segundo contou, a certa altura notou que o casal começou a discutir, embora não tenha percebido as razões do início da discussão.
Este arguido que já foi condenado a dois anos e três meses de prisão por crime de extorsão, e respondeu em tribunal por crimes de excesso de velocidade, disse que a certa altura, a gritaria aumentou e ele abrandou o carro para encostar, altura em que o Fei abriu a porta e começou a sair, embora a viatura ainda não estivesse totalmente parada.
A arguida Kun, que é sua cunhada, primeiro tentou que o namorado não saísse do carro, mas quando este parou, também saiu para o acalmar pedindo-lhe que regressasse ao carro.
O Fei, contudo, não esteve pelos ajustes e mandou parar um táxi, na intenção de ir embora sózinho.
Hung contou ainda que o casal continuou a discutir, não sei porque razão e a certa altura apareceu a polícia, momento em que se lembra ter visto o arguido Fei a pontapear o taxi. Nessa altura saí também e meti-me na discussão para apaziguar a situação.
Instado a pronunciar-se sobre as palavras obscenas dirigidas aos agentes, referidas pela acusação, o arguido admitiu não se lembrar de as ter proferido, mas admitiu a hipótese de o ter feito, porque, segundo disse estava embriagado e muito descontrolado.
Hung referiu ainda também não ter tido consciência da ordem de detenção -estava bêbado, reconheceu, afirmando lembrar-se apenas de ter visto o amigo Fei a ser detido. Não contrariou a possibilidade de ter sido conduzido à esquadra por dirigir palavras menos bonitas, ou de ter tido confrontos físicos com os agentes, e candidamente confessou que se estivesse lúcido não teria agido contra os agentes da autoridade porque, na sua opinião, a polícia é para ser respeitada.
A arguida de apelido Kun, natural da China e residente em Hong Kong, não contou história muito diferente. Nas suas palavras, disse que enquanto discutia com o meu namorado Fei, ele saiu do carro e quando tentei pedir-lhe que não nos abandonasse, a polícia apareceu porque o Fei estava aos berros.
Questionada sobre uma alegada agressão a um agente da PSP, a arguida lembrou-se que fez alguns arranhões e puxões aos policias, porque estavam a algemar o meu namorado, mas não tem ideia de ter dado um pontapé a qualquer agente.
Na versão da polícia, um agente da PSP disse que a patrulha interceptou os arguidos porque estes demonstravam um comportamento fora do normal. Falando na condição de testemunha, o agente revelou que ao passar na avenida Sun Yat Sen, reparámos que um indivíduo estava aos pontapés a um taxi, e quando me aproximei e ainda sem dirigir qualquer palavra ele (o arguido Fei) começou a proferir palavras injuriosas, ofensas que foram reforçadas pelo arguido Hung.
O agente disse ainda que, inicialmente, nem sequer tinham pensado em detê-los, mas apenas acalmá-los, por perceber que estavam embriagados pois como salientou o bafo notava-se à distância. Pedi-lhes insistentemente para pararem com as ofensas, mas os arguidos não pararam, pelo que chamámos por reforços e tivemos mesmo que os prender.
O taxista envolvido, por sua vez, explicou que parou para receber um cliente e que havia uma mulher aos gritos. Quando tentou arrancar, um Mercedes bloqueou-lhe a passagem e aumentou a confusão. O cliente (Fei) dizia-lhe para eu o levar ao Terminal Marítimo, e os outros diziam-lhe para eu estar parado.
Como o Fei viu que o taxista não conseguia levá-lo, começou aos pontapés ao carro, provocando danos materiais de cerca de três mil patacas, e pior que tudo provocando-lhe pânico. Fiquei mesmo com medo desabafou, para concluir que a certa altura, vi uma aberta e fugi com o táxi, só aparecendo mais tarde depois de ver que a polícia estava a tratar do assunto.
Neste julgamento, o Colectivo de Juízes foi presidido pela Drª Sam Keng Tan e a sentença será lida no final do mês.