PROJECTOS DE EXPANSÃO DEVEM ESTAR CONCLUÍDOS EM 2008
Macao Water espera duplicar
capacidade de produção

A Macao Water espera duplicar a capacidade de produção das estações de tratamento até 2008, segundo revelou ontem o director executivo. Franklin Willemyns justificou o investimento - superior a 100 milhões de patacas - com a necessidade de dar resposta ao esperado aumento do consumo

TIAGO AZEVEDO

O director executivo da Macao Water, Franklin Willemyns, revelou que a empresa tem um programa de investimentos “muito ambicioso” para os próximos dois anos, projecto que passa pela duplicação da capacidade de abastecimento.

Este ano, começaram as obras de expansão da estação de tratamento de Coloane, um investimento na casa dos 22 milhões de patacas, que tem como principal objectivo servir a zona do Cotai, local onde a empresa espera “o maior incremento da demanda”, frisou o director da concessionária. Razão pela qual a Macao Water já terminou a instalação de uma nova conduta de abastecimento de água, assente por baixo do tabuleiro superior da Ponte Sai Van.

A concessionária decidiu avançar para a instalação desta conduta para garantir o fornecimento às ilhas da Taipa e Coloane, antevendo um maior consumo nos próximos anos, resultado do desenvolvimento económico do território e do surgimento de novos empreendimentos. Franklin Willemyns disse também que a conduta “já pode entrar em operação”, revelando que a empresa atingiu novos máximos no que se refere ao abastecimento de água, registando um consumo de 208 milhões de litros num só dia.

À margem da reunião trimestral com o Grupo de Ligação ao Cliente da Macao Water, o administrador adiantou que a estação de tratamento de Coloane, que terá uma capacidade de produção de 30 milhões de litros por dia, “vai também ajudar no fornecimento ao Cotai”.

Perspectivando um aumento do consumo na ordem dos seis por cento no corrente ano e de oito por cento em 2007, o projecto mais ambicioso da Macao Water deve ser consumado no início do próximo ano. “Temos previsto para os próximos dois anos um investimento superior a 100 milhões de patacas, um plano que compreende a duplicação da capacidade da estação de tratamento do Porto Exterior, uma obra que possivelmente começará já no próximo ano”, sublinhou Franklin Willemyns.

Quanto a obras para a expansão dos reservatórios locais, o dirigente considera “muito limitada” a margem de manobra neste campo, explicando que a empresa tem conversado com o Governo “sobre alternativas viáveis”. Mesmo assim, adianta que uma obra do género só poderia acontecer no reservatório de Ká-Hó, em Coloane, “que, lamentavelmente, não será possível fazer até ao final do ano”.

Questionado sobre a possibilidade de Macau optar pela dessalinização de água captada directamente ao mar, Franklin Willemyns esclareceu que a empresa conduziu vários estudos e experiências na estação piloto, durante cerca de ano e meio, concluindo que “não seria a melhor solução”, apontando o dedo às dificuldades peculiares a Macau, “como o facto da água do mar ser muito barrenta”.

“A solução viável seria dessalinizar a água que vem de Zhuhai”, salientou o director executivo, argumentando que esse seria um projecto “tecnicamente possível e menos oneroso”, mas que seria utilizado apenas durante o período da seca.

JOGAR NA PRECAUÇÃO. Um assunto que voltou à agenda foi a crise de salinidade, depois de representantes da empresa terem avançado com a possibilidade de uma situação pior à do último ano.

De acordo com o director executivo da Macao Water, todas as possibilidades “continuam em cima da mesa”. “Continuamos a trabalhar para tentar minimizar, e se possível evitar, a situação na próxima época seca e queremos estar preparados no caso de termos que enfrentar uma nova crise”, realçou Franklin Willemyns.

Em curso continuam as obras do novo ponto de captação, 20 quilómetros a norte da actual localização, uma construção que deverá estar terminada no final do ano e cujo investimento ronda os 100 milhões de dólares de Hong Kong.

“Por enquanto, as obras estão a correr dentro do programa delineado e a companhia de água de Zhuhai continua optimista no que toca à conclusão no final do corrente ano”, disse Franklin Willemyns. Contudo, o mesmo responsável esclareceu que a empresa continua a considerar a possibilidade de surgirem alguns atrasos que possam ter consequências no que diz respeito aos níveis de salinidade.

Se o projecto ficar concluído no final de Dezembro, como previsto, e na eventualidade de uma nova crise de salinidade afectar a RAEM, o administrador sustenta que o projecto permitirá manter os níveis “dentro dos padrões recomendados”.

Porém, Franklin Willemyns não esconde a possibilidade de Macau enfrentar nova crise de salinidade, escusando-se a fazer prognósticos, “porque ainda não há dados concretos”. “Talvez só em Outubro, quando se tiver melhor ideia sobre o andamento das obras do ponto de captação, é que será possível traçar um quadro de previsões”, afirmou.

Neste plano, há ainda outros factores a ter em consideração, alertou o dirigente, apontado a construção de reservatórios para a produção de energia eléctrica como medidas “que podem ter consequências negativas” para os recursos hídricos que chegam a Macau.

No que diz respeito às resoluções da Macao Water para fazer frente a uma possível crise de salinidade, o director executivo escondeu o jogo, revelando apenas que todas as decisões do passado podem voltar a ser activadas. “Muitas dessas decisões têm influência na área das finanças da empresa, portanto, deverão ser aprovadas por todos os accionistas”, concluiu Franklin Willemyns.