| Á MARGEM |

Mais pelo simbolismo do que pelos resultados práticos, a passagem de Edmund Ho pelo Palácio de Belém foi naturalmente um dos pontos altos da visita oficial a Portugal. Por imperativos de natureza protocolar - Edmund Ho não tem estatuto equivalente a Chefe de Estado ou de Governo - não foram prestadas quaisquer declarações após o encontro mas, segundo revelou mais tarde o Chefe do Executivo, a amizade e abertura povoaram o ambiente da Sala Imperial, à qual os jornalistas apenas puderam aceder por breves instantes para recolha de imagens.
Os relógios portugueses apontavam para as 11:45 horas quando o Chefe do Executivo deu entrada na Sala das Bicas do Palácio de Belém, para assinar o livro de honra e acrescentar o seu nome a uma lista certamente impressionante de ilustres visitantes provenientes de todo o mundo. Com Edmund Ho, seguiam Lau Cheok Va, vice-presidente da Assembleia Legislativa, Francis Tam, Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, Ma Enhan, Embaixador da República Popular da China em Portugal, Pedro Moitinho de Almeida, cônsul-geral de Portugal na RAEM, e Raimundo do Rosário, chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau em Portugal. Ao encontro de cortesia, seguiu-se o almoço no Palácio, uma gentileza que a Presidência portuguesa fez questão de conceder à delegação oficial da RAEM.
Em
Belém estiveram também Leonel Alves e Lionel Leong, membros
do Conselho Executivo, o deputado Chui Sai Cheong e o empresário Ng
Fok, que aproveitaram a ocasião para visitar o Museu da Presidência,
instalado por iniciativa de Jorge Sampaio. Enquadrado por uma funcionária
do museu, o quarteto recebeu um briefing sobre a República
e seus Presidentes e pôde contemplar uma galeria de retratos dos vários
Chefes de Estado em que se destaca Mário Soares, com uma pose descontraída
e informal que o distingue dos restantes inquilinos de Belém.
Na secção dos presentes de Estado, os olhares centraram-se em
duas vitrines: uma com a caravela oferecida a Jorge Sampaio pelo Governador
Rocha Vieira, durante a visita que o Presidente português efectuou a
Macau em 1997, e outra com uma escultura oferecida a Sampaio em 1999 pelo
então Presidente chinês, Jiang Zemin, por ocasião de uma
deslocação oficial a Portugal.
Para alguns jornalistas da RAEM, a deslocação a Belém possibilitou também um reencontro com José Carlos Vieira, actual consultor para a Comunicação Social da Casa Civil do Presidente da República Portuguesa, que não esqueceu a experiência vivida no então território português de Macau. O tempo e as circunstâncias não permitiram aprofundar o diálogo mas José Carlos Vieira a todos procurou atender com a mesma simpatia. À tarde, o protagonista de novo reencontro com profissionais que passaram por Macau foi Ramos André, que hoje desempenha funções de assessor de imprensa da ministra da Educação.
Horas
antes, também o nome do general Rocha Vieira tinha sido comentado pelos
jornalistas que o avistaram na cerimónia de inauguração
do escritório de representação do Banco Seng Heng em
Lisboa. O contacto foi fugaz, porque a apertada agenda de encontros rapidamente
levou a delegação da imprensa para outras paragens, mas o último
governador português de Macau parece estar em boa forma.
Foi com grande satisfação que José Sócrates deu as boas-vindas a Edmund Ho junto à escadaria de acesso à sua residência oficial. A conversa, que se desenvolveu em língua inglesa, começou ainda na presença dos jornalistas que, enquanto disparavam alguns flashes do encontro, ainda puderam ouvir o Primeiro-Ministro português revelar que pretende visitar a República Popular da China a curto prazo. Depois, as portas fecharam-se e o silêncio voltou a ditar leis, como de resto foi norma no segundo dia da estadia de Edmund Ho em Lisboa.
Edmund Ho iniciou o dia de ontem na companhia do velho amigo Jorge Sampaio, com quem tomou o pequeno-almoço no hotel Ritz Four Seasons onde o Chefe do Executivo se encontra instalado. Deste novo (re)encontro, apenas se sabe que se prolongou por cerca de uma hora e decorreu sob o signo da amizade e informalidade.
Com os termómetros a subirem em Portugal, começam a ser notórias as saudades dos aparelhos de ar condicionado de Macau, especialmente sentidas durante os vários trajectos efectuados no autocarro que foi distribuído à delegação da imprensa. Imune aos queixumes provocatórios, o pobre condutor limita-se a um encolher de ombros e lá vai repetindo todos os dias que o ar condicionado avariou esta semana. Razão têm os espanhóis: no hay brujas, pero que las hay hay.
S.T.