PS muda lugar de militares após crítica de Amado

O PS poderá vir a alterar o seu projecto de lei do protocolo de Estado, mexendo na lista de precedências, em especial em relação ao lugar dos militares

Segundo soube o DN junto de fontes parlamentares socialistas, o projecto só “está fechado no que diz respeito à questão da separação entre Estado e Igreja”, mas no que diz respeito à ordenação dos lugares para os chefes militares, por exemplo, a bancada liderada por Alberto Martins está aberta às várias sugestões. Desde logo a enquadrar algumas das propostas dos projectos do PSD e do CDS, assim como outras que têm chegado à bancada. “A lista de precedências é um puzzle, é sempre possível tirar e mover, o que provoca mudanças gerais”, dizem as mesmas fontes.

A mudança de posição do PS surgiu horas depois de mais uma dissonância entre bancada da maioria e Governo. Ao final da manhã, à saída de um debate parlamentar, o ministro da Defesa afirmou discordar do lugar reservado aos chefes militares no projecto do PS. “Há uma proposta do grupo parlamentar, naturalmente que a opinião do ministro não coincide” com a dos deputados socialistas, declarou à Lusa.

Na lista de precedências dos projectos em análise, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas está em 10º lugar na proposta do CDS/PP, em 11º na do PSD e 20º na do PS.

Amanhã o projecto é discutido em plenário e depois desce à comissão parlamentar para ser analisado ao detalhe.

O principal autor do projecto socialista, José Vera Jardim, reagiu às palavras do ministro: “Se tem queixas, deve comunicá-las ao grupo parlamentar.” O que o ministro terá feito, soube o DN, junto da direcção da bancada há umas semanas.

Ricardo Rodrigues, membro da direcção da bancada, lembra que amanhã “será discutido e aprovado na generalidade o projecto do PS, depois disso esperamos poder encontrar consenso em relação a matérias que, não sendo relevantes, vale a pena dar atenção”. Este deputado lembra as reuniões que o PS já teve nesta matéria e garante que há dois pontos que não são objecto de alteração: a questão da separação entre Estado e Igreja e os lugares para os descendentes da família real portuguesa. “Não faz sentido, estamos numa República”, diz.

Em relação à palavras de Amado, Ricardo Rodrigues afirma que o projecto do PS consagra “a primazia dos órgãos de soberania eleitos sobre todos os outros”..

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