Ano V — Nº 2140, Sexta-Feira, 23 de Junho de 2006
04portugal_d02

POLITICA
Pacheco Pereira lança recados a Cavaco Silva

Pacheco Pereira lançou ontem dois alertas à actuação do Presidente da República, protagonziando as primeiras dúvidas quanto ao desempenho de Cavaco Silva provenientes da área da direita

Maria Henrique Espada                      

Pacheco afirmou que “os consultores do Presidente da República devem meditar sobre dois riscos”. E explicou quais.

O primeiro, apontou, é o de uma certa “trivialização da função presidencial “ e apontou como exemplo os roteiros pelo País, que “pela repetição tendem a banalizar a função presidencial”. Pelo contrário, o Presidente, defende Pacheco, “deve manter uma certa reserva e distanciação, não tem nada que correr atrás de qualquer forma de popularidade nem tem que ter um discurso político que se manifeste permanentemente”.

Em segundo lugar, Cavaco Silva deve ainda ter “prudência” em relação aos temas sobre os quais escolhe pronunciar-se, “para que não pareça ter um discurso de legitimação da acção governativa”. Este segundo risco, apontou, pode ocorrer quando o Presidente faz um roteiro sobre Ciência em que há coincidências com a aposta do Governo no Plano Tecnológico.

Questões que não suscitam grande preocupação em Belém. A orientação do Palácio tem sido no sentido de apostar na “proximidade do Presidente para com os portugueses”. Quanto ao Executivo, Cavaco teve sempre a preocupação, nos dois roteiros, e em especial no da Ciência, de se referir “ao que foi feito nos últimos anos”, e não, em especial, às medidas do actual Governo. De resto, o objectivo foi também dar palco e visibilidade a cientistas e empreendedores pouco conhecidos - e não às medidas do Governo.

As dúvidas de Pacheco Pereira também não são partilhadas por observadores que apoiaram Cavaco Silva na corrida presidencial. O eurodeputado Vasco Graça Moura refere que “qualquer actuação do Presidente implica sempre um risco de uma ou outra ordem, mas o Presidente tem com certeza consciência desses riscos e actuará de forma a manter-se sempre numa posição equilibrada”.

Joaquim Aguiar, que integrou a Comissão de Honra de Cavaco Silva, afirma que a eventual colagem às políticas do Governo não pode acontecer, já que “não há políticas do Governo, há actos de correcção mas que não correspondem a nenhuma linha estratégica”. O analista considera que os actuais governantes apenas tentam “desmantelar o que outros governos do PS fizeram, mas mantendo o mesmo discurso”.

© JTM/DN


 [Alto] [Anterior] [Voltar] [Próximo]




HOME  .  E-MAIL  .  FICHA TÉCNICA  .  EDIÇÕES ANTERIORES  .  PUBLICIDADE  .   PRIMEIRA
LOCAL . ESPECIAL . OPINIÃO . REGIONAL . PORTUGAL . DESPORTO . JET-7 . ÚLTIMAS. CÂMBIOS. TEMPO

Copyright (c) Jornal Tribuna de Macau, All rights reserved
Design and maintainence by Directel Macau Ltd