“Não imaginávamos que a bomba atómica fosse usada no Japão”
Entre 1944 e 1945, o agora Prémio Nobel da Física Roy Glauber esteve envolvido no “Projecto Manhattan”, responsável pelo desenvolvimento da primeira bomba atómica. Então com 18 anos e ainda sem a licenciatura terminada, Glauber participou nos cálculos cruciais para determinar a massa crítica da bomba. Ontem, mais de 60 anos depois, revisitou esses dias. “Foram tempos especiais. Havia a certeza de que se os alemães atingissem a possibilidade de construir uma bomba atómica, com a Alemanha em colapso, a usariam”, recordou. “Tanto quanto sabíamos, eles tinham os mesmos conhecimentos que nós e, em princípio, as mesmas capacidades para a produzir”. No entanto, segundo Roy Glauber, “das pessoas que trabalharam em armas nucleares durante a II Guerra Mundial, ninguém imaginava que seriam utilizadas no Japão”. Para o Prémio Nobel, isso “foi resultado do que se pode chamar política internacional”. Desde então, o professor da Universidade de Harvard nunca mais colaborou em qualquer tipo de projectos bélicos. E quanto às armas nucleares, tem um pensamento bem definido: “O melhor seria reduzir o seu número e até mesmo livrarmo-nos delas completamente”.