Banco Seng Heng abre escritório em Portugal
O banco Seng Heng quer transformar Macau num “FIT Center” de serviços para oportunidades de negócio com a China, disse ontem em Lisboa Stanley Ho, na abertura do escritório de representação do banco em Portugal
O banco, o segundo
maior de Macau, é controlado por Stanley Ho e abriu ontem o primeiro
escritório de representação em Lisboa, numa cerimónia
integrada na visita do Chefe do Executivo macaense, Edmund Ho, a Portugal.
“A nossa visão do futuro aconselha-nos a providenciar uma forte plataforma de serviços na área financeira, ligando o mundo às oportunidades de negócio da China, através de Macau. Chamamos a isto Tecnologia Financeira e de Informação, ou seja, FIT Center”, afirmou Stanley Ho na cerimónia de abertura do escritório.
O magnata dos casinos sustentou que Portugal, pelas suas ligações históricas e culturais com Macau, “é a primeira âncora” na iniciativa global de expansão.
“Desejamos, assim, contribuir para o reforço das relações, ajudando na ligação do comércio, serviços financeiros e transferência de tecnologia entre a China, via Macau, e Portugal, e ainda a extensa lista de países de expressão portuguesa da Ásia, África e América do Sul”, afirmou.
ANGOLA E MOÇAMBIQUE NA MIRA. Em entrevista à agência Lusa, por outro lado, Stanley Ho salientou que quer explorar minerais, petróleo e gás em Angola e Moçambique, para alimentar as necessidades crescentes das empresas chinesas.
Stanley Ho afirma que o crescimento económico chinês tem de ser alimentado com cada vez maiores quantidades de energia e que, nesse contexto, “Moçambique e Angola serão mercados muito importantes no futuro”.
“O rápido crescimento económico chinês faz com que as necessidades energéticas sejam cada vez maiores, nomeadamente de petróleo, gás natural e minerais”, afirmou.
“Isso pode ser obtido, actualmente, em áreas muito limitadas do globo, pelo que países como Angola e Moçambique estão em posição de se tornarem parceiros importantes para a China”, disse.
Neste sentido, Stanley Ho destaca o papel de Macau como “plataforma que encoraje as relações comerciais entre a China e os países de expressão portuguesa em África” E referiu, também, o papel da Geocapital, sociedade criada em Macau com parcerias portuguesas e moçambicanas para o desenvolvimento do Vale do Zambeze, onde se situa a barragem de Cahora Bassa, para a afirmação deste posicionamento de Macau.
REFORÇAR PARTICIPAÇÃO NA EDP. O empresário revelou ainda que quer aumentar a sua participação na EDP dos actuais “cerca de 3 para 10 por cento” do capital social.
Stanley Ho explicou que o reforço da sua participação será concretizado com capitais provenientes das receitas obtidas com a entrada na bolsa de Hong Kong da sociedade que vai controlar a empresa que explora o jogo em Macau. “Espero que o processo [de entrada da nova empresa em bolsa] esteja concretizado em Outubro ou Novembro”, disse.
“Quando a empresa estiver listada em bolsa, espero conseguir obter muito capital externo e irei reservar uma boa quantia para reforçar a minha posição na EDP”, afirmou.
Stanley Ho justifica este investimento dizendo que a eléctrica portuguesa vai ter um bom desempenho no futuro, com o crescimento das necessidades energéticas portuguesas.
“À medida que o país cresce será necessária mais energia e a EDP será sempre um activo importante para Portugal”, disse.
O empresário disse também à Lusa estar “muito satisfeito” com os seus investimentos no mercado português, que abrangem sectores como os transportes marítimos, o imobiliário e o jogo.
Sobre o sector dos casinos em Macau, o empresário não tem dúvidas em afirmar-se como ainda “patrão” do jogo, apesar da entrada de grandes empresas norte-americanas.
“Eu gosto de desafios e estou disposto a aceitá-los e enfrentá-los e, como pode ver, apesar de se afirmarem [as empresas concorrentes] como os mais experientes operadores de Las Vegas, têm que admitir que eu continuo a ser o patrão”, sustentou Stanley Ho, que detém cerca de 70 por cento das receitas brutas dos 21 casinos de Macau.
José Costa Santos/Lusa