Um “Ngassakidila” do tamanho do mundo
Uma
noite para recordar e um dia para mais tarde contar aos netos. Assisti a dois
jogos de futebol à mesma hora em canais diferentes da mesma estação
de televisão de Macau. Confuso?
Não tem que estar, foi tudo para ver Angola e Portugal disputarem o seu terceiro e ultimo jogo da fase de grupos e como os jogos foram á mesma hora, resolvi juntar as televisões do quarto e a da sala para assistir aos dois jogos em directo, ao mesmo tempo... até parecia um estúdio de televisão!
É escusado dizer que se tratou de tarefa quase impossivel mas, pelo menos, alimentei o desejo.
Cerca de vinte e quatro horas antes do “derradeiro” jogo da selecção angolana diante a similar selecção do Irão, a ansiedade deste adepto sequaz do Mundial/Alemanha 2006, aumentava cada vez mais em assistir ao desfecho de uma partida em que os “Palancas Negras” iam em busca do passaporte para os oitavos de final, aliados a uma ajuda de Portugal frente ao México que poderia apurar Angola para a segunda fase do Mundial.
Pessoalmente
acredito que os pupilos do professor Oliveira Gonçalves já estariam
mentalizados que seria necessário marcar se possível um golo,
evitar erros desmedidos, estar com uma defesa arrojada em esquema muito defensivo
e jogar em espaços abertos para, pelo menos terminar esta campanha classificados
em terceiro lugar do grupo, o que para quem se estreia no Mundial é bem
melhor do que terminar em quarto e último.
O primeiro golo e, até agora único golo dos “Palancas” num campeonato do Mundial surgiu de um cruzamento executado no flanco direito, com régua e esquadro de Zé Kalanga para a uma cabeceamento colocadíssimo e elegante de Flávio aos 60 minutos mas 15 minutos depois acabou-se a “Kisomba” angolana com um outro bonito tento de cabeça do jogador persa, Baktirarizadeh.
Foi um jogo muito cauteloso de poucos contornos técnico-tácticos de realçe mas onde o fair-play engrandeceu o espectáculo ao ponto de um jogador do Irão ajudar o segundo capitão dos “Palancas” a colocar a respectiva braçadeira depois da saída por lesão de Fabrice Akwa.
Em traços gerais, depois de tudo visto e considerado, a verdade é que os Palncas não foram humilhados por ninguém e ombrearam com toda a dignidade em pé de igualdade e com todos os seus mais experientes adversários apenas somando unicamente uma derrota frente a Portugal e pela margem mínima. É caso para dizer - “Vivam os meninos de Ouro de Angola”.
O lindo mas dificil sonho de continuar nesta competição terminou para os angolanos mas não se pode pedir mais porque os “Palancas” fizeram tudo o que lhes foi possível para honrarem os angolanos espalhados por todas as partes do mundo.
Estou certo de que a partir deste momento, principalmente nesta zona do globo (Ásia)e não só, serão poucas as pessoas a quem o nome de Angola, lhes será completamente desconhecido como acontecia muitas vezes no passado e onde este natural de Angola, residente nestas paragens desde 1977 via-se algo confuso para arranjar pontos de referência mundialmente conhecidos que melhor representassem Angola. Graças a esta positiva presença do Palancas neste Mundial hoje será tudo muito mais fácil.
E como também para mim foi uma estreia como “cronista” desportivo, termino com um “Ngassakidila” do tamanho do mundo para os “Palancas Negras 2006”, para os angolanos na Ásia e no Resto do Mundo e para o Jornal Tribuna de Macau.
*Natural de Angola e residente em Macau.