Selecção portuguesa em crescendo!
A selecção portuguesa de futebol, sempre em crescendo, cumpriu com distinção a primeira fase do Mundial vencendo os três jogos. No domingo defronta a Holanda nos oitavos de final
Para já, Portugal evitou o fracasso dos dois últimos Mundiais (1986 e 2002), que acabaram antes de “começar”, e está na senda dos “magriços” (1966), mas só o “mata-mata”, que começa domingo com o jogo dos “oitavos” face à Holanda, testará verdadeiramente a equipa. Tendo em conta o sétimo posto no “ranking” mundial, o seleccionador luso, o brasileiro Luiz Felipe Scolari, apontou os quartos-de-final como objectivo. O problema é que Portugal vai ter pela frente, logo a abrir a fase a eliminar, o terceiro da hierarquia.
Em termos históricos (apenas um desaire em nove jogos), a formação das “quinas” não poderia ter “eleito” melhor adversário, mas o presente diz que a Holanda, comandada por Marco van Basten, é um adversário muitíssimo difícil de bater.
Desde que caiu face a Portugal nas meias-finais do Euro2004 (1- 2 em Alvalade), a formação “laranja” apenas perdeu um dos 23 jogos realizados (1-3 na recepção à Itália) e está invicta em matéria de jogos oficiais, com 15 embates disputados.
Apesar de ter defrontado equipas como a República Checa e a Roménia, na qualificação, e Sérvia e Montenegro, Costa do Marfim e Argentina, já na Alemanha, o “onze” de Van Basten soma 12 vitórias e três empates, com 30 golos marcados e apenas quatro sofridos.
O passado apresenta uma “laranja” doce, mas o presente amarga-a claramente, pelo que Portugal vai ter de continuar a progredir como fez na primeira fase, em que melhorou claramente do jogo com Angola (1- 0) para o do Irão (2-0) e deste para o do México (2-1).
IMPORTANTE É GANHAR. A estreia frente aos angolanos não foi brilhante, apesar de ter começado da melhor forma - Pauleta adiantou Portugal logo aos quatro minutos -, mas o discurso foi claro: o importante era entrar a ganhar e isso acabou por nunca estar em causa.
Mesmo sem jogar bem, Portugal poderia ter construído uma vantagem mais ampla na primeira parte e, na segunda, pouco ou nada conseguida ofensivamente, nunca passou verdadeiramente por grandes sustos, pois esteve bem na arte de jogar feio, mas de forma eficaz.
Ainda assim, ficaram no ar reticências sobre a capacidade da selecção lusa, que, no segundo encontro, entrou em campo com o “onze” de eleição de Scolari, face ao regresso do meio-campo composto por Costinha, Maniche e Deco, e deu outra imagem, já mais positiva.
Uma vez mais os pecados da finalização impediram um resultado mais expressivo e desta vez nem houve um golo cedo para tranquilizar: Portugal só ganhou vantagem aos 63 minutos, por obra de um portentoso remate de Deco, servido por Figo.
Com esse golo, Portugal ganhou ainda mais confiança, já que o domínio do jogo teve-o do princípio ao fim, e acabou por apontar um segundo tento, através de uma grande penalidade convertida pelo “miúdo” Cristiano Ronaldo, a castigar um derrube ao “capitão”.
Para não variar, a exibição acabou por passar para plano secundário, já que, face ao empate da véspera entre México e Angola, a selecção lusa selou, de forma prematura, o seu primeiro grande objectivo na prova: a ultrapassagem da primeira fase.
Os “oitavos” estavam garantidos, mas faltava defrontar o México, o cabeça de série do agrupamento, e, embora querendo ganhar, Scolari tomou logo à partida as obrigatórias cautelas, ao deixar de fora os “amarelados” Ronaldo, Deco, Costinha, Pauleta e Nuno Valente.
Com novo “onze” a estrear, como o que havia sido apresentado na estreia, esperavam-se dificuldades, mas, prosseguindo a sua ascensão, Portugal rubricou a melhor exibição na prova e, aos 24 minutos, já tinha garantido novo objectivo: a vitória no grupo D.
Um grande golo de Maniche, após triangulação com Simão, e outro do “capitão” do Benfica, de grande penalidade, encarrilaram rapidamente as pretensões da equipa portuguesa, que só precisava de um empate, e deram razão a Scolari, na sua aposta em não mexer em toda a equipa, mas apenas nos elementos em risco de falharem os “oitavos”.
A exibição lusa chegou a encantar, com grande acerto no passe e uma facilidade enorme em ultrapassar a defesa contrária, que poderia ter sido completamente dizimada ainda na primeira parte, se, aos 27 minutos, Hélder Postiga e Tiago não tivessem desperdiçado o 3-0.
Escassos dois minutos volvidos, o México relançou-se, com José Fonseca a ter a honra de ser o primeiro a bater Ricardo no Mundial, e, até ao final do jogo, os “aztecas” estiveram sempre por cima, mesmo em inferioridade numérica desde os 61 minutos (expulsão de Luis Perez).
Antes, numa grande penalidade, e depois, na “cara” do guarda- redes luso, Omar Bravo teve o empate nos pés, mas desperdiçou e Portugal, já mais em esforço do que em classe, lá conseguiu segurar a vitória, que não era necessária, mas é sempre moralizadora.
O triunfo no grupo, à distância de um empate, nunca esteve, porém, em dúvida e Portugal tem, assim, o privilégio de jogar contra a Holanda, no Franken-Stadion, em Nuremberga, com início às 21 horas locais de domingo (3 da madrugada de segunda-feira).
*Jomalista da Lusa