Portugal segura “grupo” com classe e tranquilidade

A selecção portuguesa de futebol construiu com classe e tranquilidade, na primeira parte, o triunfo sobre o México (2-1), que lhe permitiu conquistar 100 por cento vitoriosa o grupo D do Mundial

PEDRO FONSECA*

Em Gelsenkirchen, onde há dois anos o FC Porto tinha ganho a Liga dos Campeões, Maniche, aos 06 minutos, e Simão, aos 24, selaram o terceiro triunfo da equipa lusa, já apurada e, como tal, assumidamente desfalcada, depois dos conseguidos face a Angola (1-0) e Irão (2-0).

Mesmo sem Cristiano Ronaldo, Deco, Costinha, Pauleta e Nuno Valente, Portugal, já com passaporte assegurado para os “oitavos”, nunca teve em risco o que faltava, o triunfo no agrupamento - vale mais um dia de descanso -, pois este estava à distância de um empate.

Ainda assim, o México, que reduziu aos 29 minutos, por José Fonseca, teve várias oportunidades para empatar o jogo - numa segunda parte que dominou, mesmo com 10 desde os 61 -, incluindo uma grande penalidade, que Omar Bravo desperdiçou, aos 57.

Com a vitória no grupo D, Portugal vai defrontar domingo, em Nuremberga, o segundo classificado do agrupamento C (Holanda ou Argentina, que “medem forças” mais tarde), naturalmente moralizado pelos três triunfos e uma série de invencibilidade que já vai em 17 jogos.

O extremo Simão foi o jogador que melhor aproveitou nova oportunidade de Scolari, ao cotar-se como a principal figura da formação das “quinas”, na qual merece igualmente grande destaque o médio Maniche, de volta às grandes “jogas” do Euro2004.

A selecção lusa entrou com as cinco alterações anunciadas por Scolari: Nuno Valente, Costinha, Deco, Cristiano Ronaldo e Pauleta, todos “amarelados” e em risco de falhar os “oitavos”, cederam os lugares a Caneira, Petit, Tiago, Simão e Hélder Postiga.

Desta forma, Portugal entrou com Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Caneira, à frente de Ricardo, um meio-campo com Petit, mais recuado, Tiago e Maniche e dois extremos (Figo, na direita, e Simão, na esquerda) no apoio a Hélder Postiga.

Por seu lado, o México entrou em “3-4-1-2”, com Oswaldo Sanchez na baliza, os centrais Francisco Rodriguez, Ricardo Osório e Carlos Salcido, um meio-campo com Mário Mendez e Gonzalo Pineda, nas laterais, e Pavel Pardo e Rafael Marquez ao meio, e Luis Perez nas costas dos avançados Jose Fonseca e Omar Bravo.

Empurrados pelos seus adeptos, em grande maioria, os “aztecas” entraram melhor e foram a primeira equipa a assustar, num remate de Fonseca detido por Ricardo, logo aos dois minutos, mas este “estado de alma” rapidamente foi contrariado pela suprema tranquilidade lusa.

Com um futebol calmo, objectivo e de passes sempre precisos, Portugal apenas demorou seis minutos a marcar: Maniche soltou Simão na esquerda, este avançou, leu o jogo e, mesmo rodeado de três defesas, devolveu com classe ao número 18 luso, que fuzilou de pé direito.

A selecção das “quinas” já dava mostras de estar numa “grande” tarde, mas, pelo golo ou não, continuou a melhorar, a encantar e foi sem espanto que, aos 24 minutos, ampliou a vantagem, numa grande penalidade convertida por Simão, a castigar uma “mão” de Marquez.

Perante um México algo atordoado, Portugal, sempre em classe, esteve quase a destruir todos os sonhos do adversário aos 27 minutos, quando após mais uma jogada fantástica de Simão, Hélder Postiga fez Oswaldo Sanchez brilhar e, na recarga, Tiago atirou por cima.

A formação portuguesa perdeu o terceiro e, dois minutos volvidos, o México reduziu: Ricardo ainda fez uma grande defesa a remate de Bravo, mas, na sequência do canto, Pardo centrou para o cabeceamento certeiro de Fonseca, deixado solto na área lusa.

Na parte final da primeira metade, o México, moralizado pelo golo, esteve mais perigoso e criou duas boas ocasiões para chegar à igualdade, primeiro num “tiro” de Pardo, detido por Ricardo, e depois numa confusão da área, resolvida por Petit.

Em desvantagem, La Volpe tirou o defesa Rodriguez, fez entrar o médio Zinha e o México reentrou a “mandar” na segunda metade, perante uma formação portuguesa, sem alterações, claramente a deixar o adversário ter a bola e a apostar no contra-ataque.

Mesmo não revelando soluções, os aztecas foram insistindo e, aos 57 minutos, tiveram uma ocasião soberana para empatar: Miguel tocou inadvertidamente com a bola na mão, em plena área, e Lubos Michel assinalou novo penalti, que Bravo atirou para as “nuvens”.

O México perdeu uma hipótese de ouro e ainda ficou com as “contas” mais complicadas quatro minutos volvidos, quando Luis Perez tentou conquistar nova grande penalidade e, em vez disso, ganhou um amarelo, que junto ao que tinha visto antes, lhe custou a expulsão.

Scolari trocou, de seguida, Miguel, que poderia ter visto o vermelho no lance do penalti, por Paulo Ferreira, mas, mesmo com mais um, Portugal continuou a deixar-se dominar e, aos 64 minutos, Omar Bravo voltou a estar isolado na “cara” de Ricardo e a falhar.

Na parte final, Portugal conseguiu controlar melhor os acontecimentos e, mesmo com o México sempre com mais posse de bola, ainda acabou por ter as melhores ocasiões para marcar, por intermédio do entretanto entrado Nuno Gomes (72 minutos) e de Tiago (87).