Macau cresceu em seis anos de administração chinesa
Seis anos depois de estabelecida a Região Administrativa Especial de Macau, os números demonstram que o território rivaliza com qualquer sociedade moderna e, apesar de pequeno, é alvo de atenção das grandes companhias mundiais
Situada no sul da China, a RAEM integra a península de Macau e as ilhas da Taipa e de Coloane num espaço pequeno para tanto desenvolvimento. E como não há terra a perder de vista, a construção de aterros é a única solução para ganhar mais espaço. Desde o início do ano 2000, tendo em conta os dados do final de 2005, a área total de Macau aumentou 4,4 quilómetros quadrados para 28,2 quilómetros quadrados.
Já a população, estimada em 437.500 pessoas no final de 1999, registou um crescimento de 11,6 por cento, fixando-se nos 488.144 habitantes no final do ano passado, o que traduz uma densidade populacional de 17.310 pessoas por quilómetro quadrado. Apesar do elevado crescimento populacional, certo é que actualmente a população vive “menos apertada” do que em 1991, quando a densidade populacional era de 20.210 habitantes por quilómetro quadrado.
A taxa de natalidade em Macau mantém, apesar do aumento da população, uma curva descendente e, enquanto em 1999 nasciam 9,6 bebés por mil habitantes, no final de 2005 o indicador fixava-se nos 7,7 bebés por mil habitantes.
A esperança média de vida também aumentou nos últimos seis anos, ao passar dos 79 anos para os 79,3 anos.
Os hospitais continuam a ser dois - um público e outro privado -, mas aumentou o número de médicos e pessoal de enfermagem, enquanto que as camas disponíveis ganharam mais potenciais ocupantes. No final de 1999 um médico tinha 488 cidadãos a seu cargo, o mesmo que o pessoal de enfermagem, e existiam 415 habitantes para cada cama nos hospitais, números que em 2005 indicavam um médico por 473 habitantes, um enfermeiro por 430 habitantes e uma cama por cada 496 habitantes.
No sector da educação, entre o ano lectivo 1999/2000 e o ano lectivo 2004/2005 a população estudantil a frequentar o ensino curricular cresceu 3.410 alunos, ou cerca de três por cento, para 108.407 estudantes, mas a educação para adultos aumentou quase 93 por cento ao passar de 46.432 estudantes para 89.480 alunos.
O número de alunos por mil habitantes baixou de 240 em 1999/2000 para 233 em 2004/2005.
A população local anda também muito “poupada”, verificando um aumento acumulado de cerca de 50 por cento nos depósitos dos residentes entre 1999 e 2005, ou seja, de 88.595,6 milhões de patacas para 132.685,5 milhões de patacas - entre cerca 8.859 milhões de euros para 13.268 milhões de euros.
O produto Interno Bruto por habitante a preços constantes passou de 117.576 patacas em 1999, para 179.836 patacas em 2005, um crescimento de cerca de 53 por cento.
A evolução da cidade fez disparar também o número de telefones, com os telemóveis a dominar o mercado e a mais que quadruplicarem entre 1999 e 2005.
No final de 1999 existiam em Macau 178.445 linhas de telefone fixo, 121.621 telefones móveis e 17.034 clientes de Internet, números que seis anos depois apenas diminuem nos telefones fixos agora contabilizados em 174.389 linhas.
O número de telemóveis disparou para 532.758 - incluindo cartões pré-pagos - e os clientes da rede mundial de computadores são agora 88.592.
Os novos tempos têm, contudo, aspectos negativos já que em 1999 foram incinerados 224.355 toneladas de resíduos sólidos em Macau, número que em 2005 passou para as 278.913 toneladas.
Ao mesmo tempo que a disponibilidade de quartos cresceu 1.401 unidades entre 1999 e 2005 para um total de 10.832, o número de visitantes mais que duplicou passando de 7,4 milhões em 1999 para 18,7 milhões em 2005 com os visitantes do continente chinês a constituírem- se como o principal mercado totalizando mais de 50 por cento dos turistas.
Os projectos de curto prazo - até 2009 - apontam ainda para uma duplicação do número de quartos disponíveis ao mesmo tempo que o número de visitantes deverá aumentar a uma média anual entre os dez e os vinte por cento.
Com um aeroporto a funcionar desde 1995, o número de voos é já hoje significativo, tanto que o Executivo tem planos de aumento para o dobro da capacidade actual de seis milhões de passageiros.
No sector aéreo, o movimento de aeronaves na pista da Taipa passou de 20.938 em 1999 para 42.766 em 2005, o que corresponde a uma média de 117,1 voos diários.
A principal fronteira terrestre com a China, construída já durante a administração chinesa e para uma perspectiva de 12 anos tem uma capacidade de escoamento de 300.000 pessoas por dia e está já em curso um projecto de ampliação para o dobro da actual capacidade devido ao forte crescimento do número de pessoas que cruzam a fronteira.
As receitas dos impostos directos sobre o jogo mais que triplicaram para 16.561,9 milhões de patacas entre 1999 e 2005, os casinos, que eram 11 em 1999, passaram a 17 em 2005 e 21 até Maio de 2006, devendo aumentar para 25 até ao final do ano.
As disponibilidades financeiras da população fazem aumentar consumo e a compra de viaturas é um dos aspectos com maior visibilidade. Com pouco mais de 321 quilómetros de estrada em 1999 e 368 quilómetros em 2005 o número de veículos em circulação aumentou de forma significativa passando de 114.247 em 1999 para 153.867 em 2005.
Seis anos depois de instituída a Região Administrativa Especial de Macau, as reservas cambiais do território aumentaram de 22.873 milhões de patacas, para 53.429 milhões de patacas, um crescimento superior a 100 por cento.
* Jornalista da Lusa