JOSÉ CARLOS VENÂNCIO APRESENTOU NOVO LIVRO EM MACAU
“A língua é a grande herança da colonização”

Há falta de vontade política por parte dos países lusófonos para promover a importância internacional do português, defende José Carlos Venâncio, professor visitante na Universidade de Macau. Ontem, o também pró-reitor da Universidade da Beira Interior apresentou na RAEM a obra “A Dominação Colonial -Protagonismos e Heranças”

“A língua portuguesa é a grande herança da colonização”. A opinião é do académico José Carlos Venâncio, professor visitante na Universidade de Macau, que acrescenta que “os grandes obstáculos entre os países da lusofonia já foram ultrapassados e venceu a fraternidade e a aproximação cultural”.

Para o também pró-reitor da Universidade da Beira Interior e especialista em Sociologia da Literatura e da Cultura de expressão portuguesa africana, “é fundamental que Angola, Moçambique e o Brasil sejam entendidos como centros de irradiação da lusofonia”. Segundo explica, isso faz parte de um esforço colectivo maior para fazer do português “uma língua de cultura em termos internacionais”.

No entanto, na opinião de José Carlos Venâncio, essa dinamização do português dificilmente passa pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), um organismo que considera bloqueado. “Se houvesse vontade política dos Estados que compõem a CPLP, poderia ser uma importante plataforma de entendimento e afirmação cultural e literária”, desabafa, salientando também a falta de financiamento. Certo é que, diz o académico, não se deve confundir a CPLP com a lusofonia. “A lusofonia é vivência, a CPLP é vontade política”, clarifica.

A PÓS-COLONIALIDADE EM LIVRO. As declarações de José Carlos Venâncio foram feitas à margem da apresentação em Macau da sua obra “A dominação colonial -Protagonismos e Heranças”, no âmbito do encontro “Lusofonia: Os Caminhos da Escrita”, que hoje termina. Segundo o autor, este é um livro onde procura “repensar a pós-colonialidade em língua portuguesa em diversas dimensões”.

A obra é um conjunto de dez ensaios, escritos maioritariamente nos últimos seis anos e inicialmente previstos para integrar um projecto sobre o romance em contextos não ocidentais. No entanto, este estudo acabou por não ser completado, mas José Carlos Venâncio, por insistência de alguns colegas do Porto, agrupou-os neste livro, inserido na colecção “Temas de Sociologia”, da Editorial Estampa.

Ao longo de 200 páginas, o académico discorre sobre os efeitos da dominação colonial no mundo lusófono, ao mesmo tempo que se debruça sobre os protagonistas que a contestaram, como Amílcar Cabral, e as heranças que dela persistem em domínios que vão da literatura à pintura, passando pela política. “A Dominação Social: Protagonismos e Heranças” foi apresentado pela primeira vez na Universidade da Beira Interior, em Dezembro de 2005, por ocasião de uma sessão de homenagem ao padre Francisco Videira Pires.