Gana baralha as contas

A vitória do Gana sobre a República Checa (2-0), num recital de futebol aberto e fantasista, baralha muito as contas do grupo E, que só virá a ter apurados na última jornada

Órfã de Koller e Baros no ataque e com Rosicky manietado por Essien e Muntari nas saídas em velocidade, a selecção de Karel Bruckner não conseguiu aproveitar a grande forma de Nedved, patente mesmo nas circunstâncias mais difíceis. A tarde desastrosa do central Ujfalusi, culpado no primeiro golo, de Gyan, e expulso a meia hora do fim por não conseguir controlar os nervos, acaba de explicar o fiasco de uma grande selecção.

Mas seria injusto não dar o destaque, todo o destaque, a uma empolgante equipa do Gana, que em Colónia esteve ao nível das melhores memórias africanas em Mundiais (Camarões-90, Nigéria-94, Senegal-2002). Os ganeses começaram por ser felizes, aproveitando a primeira oportunidade de que dispuseram, ainda antes de acabar o segundo minuto, mas tudo o que se seguiu foi mérito.

Com mexidas na defesa (o «patrão» Kuffour, culpado do segundo golo com a Itália, ficou no banco) a equipa de Ratomir Dujkovic provou que as boas indicações diante dos italianos não eram ilusão de óptica. Quando a poeira do primeiro golo assentou, descobriu-se no relvado de Colónia um motor incansável, aliado a um maestro, Appiah, que, durante 90 minutos, mandou no jogo dos pés à cabeça.

A superioridade numérica a meio-campo, sobre o infeliz trinco Galasek (Rosicky e Nedved nunca conseguiram acompanhar as subidas de Essien), foi fonte permanente de problemas para uma República Checa que, fiel à sua personalidade ofensiva, se entregou ao jogo de peito aberto.

Ao intervalo, já a vantagem tangencial do Gana era escassa.

Bruckner mexeu na equipa ao intervalo, e a equipa pareceu ganhar equilíbrio com a entrada de Polak para o lugar de trinco.,

O jogo passou então a estar aberto, ainda que a pender para o Gana. Ujfalusi deu-lhe a sapatada decisiva, cometendo penalty sobre Amoah e, mais grave, sendo expulso por palavras dirigidas ao árbitro. Mesmo com Gyan a falhar o castigo máximo, os checos estavam perdidos.

Os últimos 20 minutos, na verdade, transformaram-se num longo massacre, com Cech a adiar o inevitável vezes sem conta, até o médio Muntari, com uma bomba no ângulo, a passe de Gyan, concluir a tarefa que os seus companheiros de ataque iam deixando inacabada. O 2-0 era justíssimo, e um terceiro golo também não teria ficado mal à exibição dos africanos, mas o deslumbramento com tantas facilidades fê-los desperdiçar as enormes avenidas abertas na defesa checa.