Itália decepciona

O Itália-Estados Unidos foi um jogo duro. Desde o primeiro minuto. Desde a altura em que se percebeu que, em três minutos iniciais, já tinham sido assinaladas sete faltas. Mas ninguém virou a cara à luta. E também ninguém se ficou a rir

Os americanos impressionaram pela forma como entraram no jogo. Surpreendendo a equipa italiana, aparecendo mais vezes na área contrária, mesmo sabendo que o cinismo espreitava num cruzamento de Zambrotta ou Zaccardo, e numa cabeçada de Gilardino ou Luca Toni. Alheios a esse medo, os Estados Unidos foram para a frente.

E acabaram por sofrer do veneno italiano. Precisamente num cruzamento, mas de Pirlo, para a cabeça de Gilardino, que colocou a Itália a vencer aos 21 minutos. Mas cinco minutos foi o tempo que levou aos Estados Unidos ter a recompensa pela audácia inicial. E nem foi preciso muito. Apenas um cruzamento para a área, e lá estava Zaccardo, ao segundo poste, numa rosca que traiu Buffon.

E se o defesa direito traiu o guarda-redes, que dizer da cotovelada de De Rossi no minuto seguinte a McBride? Uma traição completa à equipa que o árbitro vincou com um cartão vermelho directo. Os Estados Unidos, em dois minutos, ganharam mais motivos para atacar e para ir em busca da vitória. A derrota enviava-os para casa.

Aos 37 minutos registavam-se 22 faltas. E depois Mastroeani resolveu empatar tudo em termos de jogadores em campo. Uma falta de pé levantado sobre Pirlo fez o uruguaio tirar o cartão vermelho e levantá-lo novamente. Ao intervalo estava tudo empatado. 10 jogadores para cada lado e 1-1.

A segunda parte não podia ter começado pior para os Estados Unidos. O defesa Pope fez falta para segundo amarelo e também ele viu o vermelho. Tudo desequilibrado e a favor da Itália, novamente. Lippi gostou e lançou Del Piero e mais tarde Iaquinta. Bruce Arena fez substituições controladas.

Aos 64 minutos um jogador acabado de entrar, Beasley, coloca a bola dentro da baliza de Buffon e por um momento ainda se pensa que os EUA voltariam a impressionar, mas o árbitro auxiliar assinalou fora-de-jogo. Mais uma decepção. No minuto seguinte Perrota sofreu uma lesão muscular e ficou em campo apenas para fazer número. A Itália já não tinha, por esta altura, mais substituições, e o defesa direito tinha de aguentar.

Em termos práticos, as equipas jogaram praticamente com nove elementos. A Itália carregou como pôde e Kasey Keller começou a sobressair. Defendeu um remate impossível de Del Piero, entre outras grandes e seguras intervenções. Acabou considerado o homem do jogo porque foi ele quem segurou o empate. E foi ele quem devolveu a esperança dos Estados Unidos conseguirem um lugar ao sol neste Mundial.