PORTUGAL ASSEGUROU OITAVOS COM “SEGURANÇA E RIGOR”
“Amarelados” podem não jogar contra o México
Com duas exibições “q.b.”, mas bastante seguras e rigorosas, foram suficientes para a selecção portuguesa de futebol selar um lugar nos “oitavos” do Mundial. Na quarta-feira contra o México, Portugal pode apresentar muitas novidades no seu onze...
Ao vencer Angola (1-0 em Colónia, há uma semana) e Irão (2-0 em Frankfurt, no sábado), Portugal “limitou-se” a confirmar o amplo favoritismo que lhe era atribuído e conseguiu um apuramento prematuro, face à conjugação dos outros resultados do grupo D.
O facto de não ter obtido qualquer feito sensacional não retira qualquer mérito à equipa lusa, bastando lembrar os dois últimos Mundiais, em que Portugal entrou com iguais aspirações e caiu na primeira fase, derrotado por adversários teoricamente inferiores como Marrocos (1986) e Estados Unidos e Coreia do Sul (2002).
A formação comandada pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari, que somou o 16º jogo consecutivo sem perder, está, assim, na “rota” dos “magriços”, que, em 1966, liderados pelo “rei” Eusébio, venceram os três primeiros encontros da primeira fase e só caíram nas meias- finais, derrotados pela anfitriã Inglaterra (1-2).
Decorridos dois jogos, a situação é mesmo mais favorável do que a de há 40 anos, uma vez que, ao contrário do que sucedia então à entrada para o último jogo da primeira fase, Portugal está já apurado, algo só comparável com o que sucedeu no Euro2000, na ocasião após vitórias a abrir com Inglaterra (3-2) e Roménia (1-0).
O apuramento de 1966 valeu, no entanto, um lugar nos “quartos”, que agora estão a uma “longa” distância, mais precisamente do “tamanho” da invencível Holanda, de Marco van Basten, ou de uma Argentina que “mete medo”, sob o comando de José Pekerman.
Até lá, há ainda um jogo para fazer, com o México, que, ao contrário de Portugal, teve um tropeção (0-0 com Angola) e não está apurado, sendo que está muito perto, já que até pode perder com Portugal, mesmo que os africanos vençam os iranianos.
No caso, por exemplo, de perderem por 1-0 e Angola ganhar por 2-0, os “aztecas” ainda garantem o segundo lugar do agrupamento, uma vez que ficariam com os mesmos quatro pontos, mas com 3-2 em golos, contra 2-1 do “onze” de Oliveira Gonçalves.
Estas são, porém, preocupações que passam completamente ao lado da selecção lusa, que soube concretizar rapidamente o primeiro objectivo, à custa de um futebol pragmático e apoiado num colectivo forte, que permitiu o soltar das “estrelas” para o desequilíbrio.
Não fosse uma percentagem fraca na finalização e as exibições podiam ter ganho o brilho que, nos dois jogos, só tiveram a espaços, já que as oportunidades forma muitas, na primeira parte do jogo com Angola e durante todo o encontro do mais conseguido embate com o Irão.
De facto, depois de só ter jogado 45 minutos na estreia, em termos ofensivos, Portugal foi, face ao Irão, um conjunto sempre dominador, também porque o primeiro golo chegou tarde (63 minutos), ao contrário do que sucedeu na estreia (quatro).
A formação lusa demorou mais de uma hora para superar Mirzapour... mas valeu a pena: na estreia num Mundial, Deco tirou da “cartola” um grande golo, como os outros dois que tinha marcado pela selecção, face ao Brasil (2-1 em 2003) e a Rússia (7-1 em 2004).
Depois do golo, Ricardo ainda passou por um susto, devido a uma falha de Fernando Meira (continua sem fazer esquecer o lesionado Jorge Andrade), mas, a 10 minutos do fim, Figo, que já tinha assistido o luso-brasileiro, conquistou uma grande penalidade e Cristiano Ronaldo acabou com o jogo (12º golo na selecção “AA”).
A decisão de colocar o jogador do Manchester United a marcar o castigo máximo foi claramente uma decisão “à Scolari” para dar mais confiança ao “miúdo”, que não esteve deslumbrante, mas melhorou em relação ao encontro com os angolanos.
Num jogo em que o brasileiro voltou à equipa que fez a parte final do Euro2004, com as entradas de Costinha, Maniche e Deco (este ausente da estreia devido a lesão) para os lugares de Petit, Tiago e Simão, destaque ainda para a exibição muito positiva de Miguel.
“AMARELADOS” VÃO SER POUPADOS? Quanto ao próximo jogo, foi “voz” unânime entre toda a “família Scolari” que Portugal quer bater o México, em Gelsenkirchen, e vencer o agrupamento, mas, “manda” a prudência, tentará certamente fazê-lo sem alguns jogadores, que deverão ser poupados.
Cristiano Ronaldo, Deco, Pauleta, Costinha e Nuno Valente já viram um cartão amarelo e, se forem de novo admoestados, ficarão afastados dos “oitavos”, pelo que é muito provável que Luiz Felipe Scolari opte por prescindir de todos.
Nesse caso, Simão, Hugo Viana, Hélder Postiga ou Nuno Gomes, Petit e Caneira poderiam ascender ou voltar à titularidade, sendo que há mais candidatos a descansar, sobretudo o “capitão” Figo, e outros que poderão ter a oportunidade de jogar, casos de Paulo Ferreira, Ricardo Costa, Boa Morte e os guarda-redes Quim e Paulo Santos.
Em 2000, na mesma situação, Humberto Coelho só não fez repousar, entre os titulares indiscutíveis, os centrais Fernando Couto e Jorge Costa no último jogo do agrupamento e, mesmo assim, Portugal bateu a Alemanha por 3-0, com um “hat-trick” de Sérgio Conceição.
Face ao México, não seria de estranhar ver um “onze” com Quim na baliza, uma defesa com Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Ricardo Costa e Caneira, um meio-campo com Petit, Tiago e Hugo Viana e os extremos Simão e Boa Morte no apoio a Nuno Gomes (ou Hélder Postiga).
O terceiro encontro de Portugal no Mundial da Alemanha2006, derradeiro na primeira fase, está agendado para quarta-feira, no Estádio do Mundial de Gelsenkirchen, com início às 16horas locais (22 em Macau).
Até ao embate com os mexicanos, o programa da selecção das “quinas” incluiu um treino ontem, em Gutersloh (aberto ao público e à comunicação social), um na segunda-feira, em Marienfeld (fechado) e outro na terça-feira (aberto à comunicação social), já em Gelsenkirchen, todos às 17 horas locais (23 em Macau).
Depois, Portugal jogará os oitavos-de-final, face a Argentina ou Holanda, no sábado, em Leipzig, se perder com o México e for o segundo colocado do grupo D, ou domingo, em Nuremberga, caso pontue com os aztecas e vença o agrupamento.