PERSONALIDADES PORTUGUESAS
Portugal despediu-se do último Marechal

Costa Gomes, Marcelo Curto, Palma Carlos, Artur Semedo, Cândida Branca Flor, Diamantino Vizeu e o antigo futebolista Hernâni foram alguns dos portugueses que morreram em 2001, deixando de luto os meios político, cultural, tauromáquico e desportivo


Costa Gomes, Hermínio Monteiro, Cândida Branca Flor e Artur Semedo entre as baixas de peso nacionais

Marcelo Curto, que foi ministro do Trabalho do I Governo Constitucional, morreu a 2 de Fevereiro, enquanto a 24 de Abril morria Joaquim Rocha Silva, que foi um dos fundadores do PS e governador civil de Leiria, após o 25 de Abril.

No dia 31 de Julho, Portugal despediu-se do ex-presidente da República Francisco da Costa Gomes, único marechal vivo, que faleceu aos 87 anos, deixando o País de luto durante dois dias. Gustavo Soromenho, que participou na fundação do PS em 1973 e foi membro da maçonaria portuguesa Grande Oriente Lusitano, morreu a 22 de Setembro, e cinco dias depois morria também o primeiro secretário-geral do CDS, Silvério Martins, 67 anos, administrador da Rádio Renascença.

Manuel João da Palma Carlos, “soldado da democracia”, defensor de presos políticos, morreu em 1 de Novembro, aos 86 anos, vítima de um incêndio que deflagrou num lar de idosos em Cascais. Onze dias depois faleceu Manuel Ferreira Lima, 63 anos, antigo ministro dos Transportes e presidente da TAP, e a 25 de Novembro, ocorreu o óbito de João Tito de Morais, antigo presidente da extinta agência noticiosa ANOP e dirigente socialista.

A 1 de Junho, falecia Carlos Gil, 64 anos, repórter e fotojornalista por diversas premiado e, dois dias depois, morria Hermínio Monteiro, 48 anos, editor da Assírio & Alvim, e um apaixonado pela poesia. Martinho de Castro, 67 anos, jornalista do Diário de Notícias, faleceu em Lisboa no dia 7 de Novembro e, a 6 de Dezembro, morreu também o seu colega, e também escritor, Ernesto Sampaio, 65 anos.

O ano 2001 também foi “padrasto” para as artes plásticas que viram partir os pintores João Ayres, a 4 de Fevereiro, Rogério de Freitas, 91 anos, no dia 28 de Julho, e Luís Pinto Coelho (4 de Novembro), que pintou figuras de relevo internacional, como o rei Juan Carlos da Espanha.

A morte súbita do actor Carlos César, encenador e director do Teatro de Animação de Setúbal (TAS), surpreendeu o teatro português no dia 10 de Janeiro, que voltou a sofrer uma nova perda no dia 15 de Janeiro com o desaparecimento do actor Alexandre Brandão de Melo aos 55 anos.

A 8 de Fevereiro, o teatro português disse adeus a uma das sua figuras mais carismáticas, o actor e realizador Artur Semedo, de 77 anos, que participou ao longo da sua carreira em mais de três dezenas de filmes. O actor Rudolfo Neves, 73 anos, morreu no dia 01 de Junho, deixando o seu nome ligada ao teatro, cinema e à televisão. Cândida Branca Flor foi encontrada morta em sua casa, em Massamá, Sintra, em 11 de Julho, terminando assim uma carreira iniciada com o programa de televisão “Fungagá da Bicharada”, assinalada pela edição de oito discos e por numerosos espectáculos para as comunidades de emigrantes portugueses no estrangeiro.

A noite lisboeta perdeu a 19 de Setembro uma das suas figuras mais conhecidas: Pedro Lata, 42 anos, considerado um dos reinventores do Bairro Alto na década de 80.

No dia 26 de Novembro, desaparece, aos 93 anos, Margot Dias - mulher de Jorge Dias, fundador do Museu Nacional de Etnologia -, que deixou um trabalho pioneiro em algumas áreas da antropologia portuguesa.

O desporto foi outra área da vida portuguesa que sofreu algumas perdas no ano 2001, como a de Nuno Moreira da Cruz, vice- presidente do Benfica para as actividades amadoras, considerado um dos “homens-fortes” da direcção “encarnada” de Manuel Vilarinho, no dia 19 de Janeiro. Aos 63 anos faleceu o antigo árbitro de futebol Graça Oliva num desastre de viação, no dia 9 de Março, na auto-estrada do Norte, e, a 5 de Abril, o mesmo acontecia ao antigo futebolista e internacional português Hernâni Ferreira da Silva, que brilhou no FC Porto nos anos 50 e 60. Um mês e um dia depois foi a vez do Sporting chorar a morte de João Amado, 81 anos, que foi presidente do clube de Alvalade, entre 1986 e 1988, e, no dia 04 de Novembro, desaparece Alberto Silveira, 55 anos, antigo dirigente encarnado, federativo e olímpico.

O meio hípico foi ensombrado pela morte, a 27 de Junho, do cavaleiro Jorge Mathias, que em 1992 representou Portugal nos Jogos Olímpicos de Barcelona, e, a 12 de Novembro, de Henrique Calado, 81 anos, considerado o melhor cavaleiro português dos últimos 50 anos. A tauromaquia perdeu a 12 de Junho um dos seus mais aclamados nomes, Diamantino Viseu, 77 anos, que foi o primeiro português a ascender à categoria de matador de toiros, em 1947, em Barcelona.

No dia 1 de Agosto, morreu D. Jaime Álvares Pereira de Melo, duque de Cadaval, cuja sucessão, que divide os seus herdeiros, é, neste momento, ainda uma incógnita. A 15 de Setembro morreu, com 74 anos, o astrólogo conhecido por professor Karma, cujo verdadeiro nome era Raul Januário Júnior, que também era proprietário de um Instituto de Astrologia.

Um acidente de viação, no dia 30 de Outubro, “ceifou” a vida ao presidente do Serviço Nacional de Protecção Civil, Pinto Henriques, que recebeu, em 34 anos de serviço, 18 louvores e condecorações