Euro 2004
Obras e sociedades arrancaram em 2001

As linhas mestras do Euro 2004 em futebol começaram a ganhar forma durante o ano de 2001, com o arranque das obras da quase totalidade dos estádios que irão acolher a prova, bem como a definição das sociedades responsáveis pela sua organização


Estádio da Luz começou a ser demolido

À excepção da remodelação do Estádio do Bessa, no Porto, mais adiantado, o ano prestes a findar serviu para o início no terreno das obras dos restantes nove recintos, iniciando-se com a deposição da primeira pedra no novo Estádio Alvalade Século XXI, para terminar com o arranque da nova Luz.

O estádio que servirá de cenário à final, com capacidade para 65.000 espectadores, foi protagonista de uma das maiores telenovelas da época futebolística, com sucessivos adiamentos da decisão da sua construção, sobretudo pelas dificuldades em torno do financiamento da obra, orçada em 25 milhões de contos (125 milhões de euros).

O velhinho recinto dos “encarnados” foi mesmo o primeiro a vislumbrar a passagem de testemunho, com o início da demolição de parte da central e da lateral sul, por forma a viabilizar a construção do novo complexo.

De Norte a Sul, arrancaram obras em Braga, Porto (Antas), Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa (Alvalade e Luz) e Faro/Loulé, com a própria UEFA a reconhecer os esforços desenvolvidos por Portugal na organização da prova. Um entre todos, o de Braga, com capacidade para 30.000 espectadores e orçado em 8,7 milhões de contos (43 milhões de euros), mereceu rasgados elogios dos responsáveis pelo organismo que gere o futebol europeu pela singularidade do seu “design”, uma vez que ficará emparedado numa antiga pedreira de granito.

Com as obras em pleno andamento, o Euro 2004 entrou mesmo em “velocidade cruzeiro” com a definição dos financiamentos, públicos e privados - cerca de 120 milhões de contos (600 milhões de euros), e do respectivo quadro legal, destacando-se a decisão do Governo de dividir por duas sociedades as responsabilidades de organização da prova.

A Euro 2004 SA cindiu-se, dando lugar à criação da Portugal 2004 SA, sociedade que passará a gerir os dinheiros públicos envolvidos na organização do evento, bem como a fiscalização das infra-estruturas desportivas a construir.

Do lado da Euro 2004 SA, sociedade responsável pela gestão privada do evento (“marketing” e “merchandising”), bem como da organização dos sorteios e acolhimento das selecções, assistiu-se ainda à recomposição do conselho de administração, com a entrada da UEFA para accionista maioritária ao deter 54 por cento. Uma clarificação necessária e que deixa apenas por desvendar o grande “tabu” em torno da organização da prova: o nome do director do torneio, que alegadamente será português.

O Euro 2004 parece ter definitivamente entrado nos carris e nem mesmo a alteração do quadro político, com o súbito pedido de demissão do Primeiro-Ministro António Guterres, após a derrota eleitoral do PS nas eleições autárquicas, deverá constituir um problema. Esta é, nomeadamente, a opinião do actual ministro da Juventude e Desporto, José Lello, que garantiu, na véspera de completar um ano como responsável pela pasta, que o processo “não interfere” com os esforços organizativos do Euro 2004, cujo fase de qualificação será sorteada no próximo dia 25 de Janeiro, em Santa Maria da Feira